{"id":8474,"date":"2020-07-28T17:06:12","date_gmt":"2020-07-28T17:06:12","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=8474"},"modified":"2020-07-28T20:01:32","modified_gmt":"2020-07-28T20:01:32","slug":"flamengo-erotico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/flamengo-erotico\/","title":{"rendered":"Flamengo Er\u00f3tico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Se voc\u00ea veio at\u00e9 aqui em busca de sacanagem, pode dar linha. O papo \u00e9 fam\u00edlia, tradi\u00e7\u00e3o e propriedade. E um pouquinho de religi\u00e3o. O er\u00f3tico do t\u00edtulo \u00e9 s\u00f3 um <em>clickbait<\/em> safado em refer\u00eancia ao deus Eros, o deus do amor na mitologia grega. Segundo Hes\u00edodo, um poeta grego do s\u00e9culo VIII A.C. a quem os antigos creditavam, junto com Homero, a inven\u00e7\u00e3o dos costumes religiosos gregos, Eros \u00e9 um dos deuses mais antigos, que atua no universo agregando os elementos e os seres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Ora, meus amigos mulambos, desde 1895 que agregar elementos e seres \u00e9 o <em>job description<\/em> do Mais Querido da G\u00e1vea. Tirem tudo do homem, sua casa, seu trabalho, sua liberdade, s\u00f3 n\u00e3o tirem o Flamengo (a capacidade de amar), porque sem Flamengo sobra quase nenhum motivo pra seguir vivendo. Sem for\u00e7ar a barra, podemos afirmar com tranquilidade que o Flamengo \u00e9 s\u00f3 um disfarce muito bonito e barulhento do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Ateus, mal vestidos e quem n\u00e3o curte o Legi\u00e3o podem at\u00e9 dizer que o amor n\u00e3o \u00e9 um deus. Caretas e sem um pingo de imagina\u00e7\u00e3o, dir\u00e3o que o amor \u00e9 uma dimens\u00e3o interna ou estrutural dos seres humanos. Uma for\u00e7a que determina as modalidades de atra\u00e7\u00e3o para a procria\u00e7\u00e3o e para a mera satisfa\u00e7\u00e3o dos apetites. Um refresco pra amenizar a vida e deixar o gado (no caso todos n\u00f3s) se ocupar da rotina dos afazeres di\u00e1rios e girar a economia. Foi essa linha de pensamento torto que moveu a galera que lutou tanto pro Campeonato Carioca voltar enquanto o Rio de Janeiro ainda tava no veneno. Puro desamor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">No famoso Banquete de Plat\u00e3o, um di\u00e1logo que descreve uma reuni\u00e3o de bacanas na caxanga do poeta Agathon, um disc\u00edpulo de S\u00f3crates que tinha vencido um concurso de trag\u00e9dias e juntou s\u00f3 os brabos pra comemorar a vit\u00f3ria, o \u00fanico assunto que rolou foi o Amor. Mora na filosofia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Nesse banquete s\u00f3 tinha os linha de frente da sociedade ateniense, pol\u00edticos, artistas, m\u00e9dicos, poetas e fil\u00f3sofos. Mas Plat\u00e3o, que tornou esse <em>symposium<\/em> famoso, n\u00e3o foi convidado pra esse pagode. Tudo que ele escreveu no seu livro quem contou foi seu X9 Apolodoro, um fil\u00f3sofo famoso pela sua cronologia em versos da Guerra de Tr\u00f3ia. Um simp\u00e1tico computador do capeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00c9 a partir do relato em segunda m\u00e3o que Plat\u00e3o faz do festim filos\u00f3fico que nos inteiramos que na Gr\u00e9cia Cl\u00e1ssica, assim como no Reda\u00e7\u00e3o Sportv, no Toque de Bola, no Terceiro Tempo ou do Falha de Cobertura,\u00a0 neguinho s\u00f3 falava de Flamengo o tempo todo. Mesmo quando pensavam que estavam falando de outro assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A festinha na casa do poeta rolava como se fosse uma roda de partido alto, com cada convidado versando sobre o tema do Amor. Um poeta mandava que o amor era o deus mais lindo, um m\u00e9dico entrava no breque e dizia que a arte do amor \u00e9 a arte do equil\u00edbrio entre as for\u00e7as do bem e do mal, falando da diferen\u00e7a entre o amor carnal que faz nascer beb\u00eas e o amor et\u00e9reo, que faz nascer ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O Arist\u00f3fanes, dramaturgo, entrou na roda esculhambando geral, dizendo que nos antigamente os humanos eram auto-suficientes, mas que Zeus n\u00e3o gostou da marra humana e dividiu todos ao meio, conseguindo de uma vez s\u00f3 dobrar a popula\u00e7\u00e3o do planeta e fazer todo mundo passar a vida correndo atr\u00e1s da sua metade perdida. Essa letra \u00e9 a origem original daquele papo do F\u00e1bio Junior sobre as metades da laranja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Antes que o bagulho descambasse pra m\u00fasica de corno, S\u00f3crates, o mais brabo de todos os presentes, entrou desarvorando. Mestre Aniceto da \u00e9poca, S\u00f3crates varava noites \u00e0 vera e todo mundo se admirava. Pra versar com ele era preciso estrutura. S\u00f3crates, que sempre dava moral pra Velha Guarda, abre o verso citando a sacerdotisa Diotima, para quem Eros n\u00e3o pode ser um deus, porque quem ama deseja algo que n\u00e3o tem. Logo, o amor \u00e9 uma car\u00eancia, um desejo. E que s\u00f3 desejamos aquilo que n\u00e3o temos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Antes que o pessoal do louvor mandasse uma nota de rep\u00fadio S\u00f3crates explanou: se o amor \u00e9 desejo de coisas belas e boas, n\u00e3o pode ser belo nem bom, pois, como pot\u00eancia interna ao humano, n\u00e3o tem ou n\u00e3o \u00e9 aquilo que se busca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Dando uma colher de ch\u00e1 pros religiosos, S\u00f3crates admite que os pais de Eros seriam as entidades Penia (pobreza) e Poros (recurso); mas, em vez de deuses, eles acabam se transformando em causas inerentes de uma nova concep\u00e7\u00e3o do amor. N\u00e3o sendo nem bom nem mau, nem belo nem feio, nem s\u00e1bio nem ignorante, o amor \u00e9 um ser intermedi\u00e1rio, uma pot\u00eancia na mei\u00faca entre o divino e o humano. Agora presta aten\u00e7\u00e3o e anota essa letra, ela \u00e9 a mais exata descri\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">No livro, Plat\u00e3o, que era fechamento de S\u00f3crates, refor\u00e7a esse parentesco do Meng\u00e3o com Eros. Ele conclui que o amor \u00e9 um sentimento de solidariedade civil, que move os indiv\u00edduos a se associar e a construir pactos pro bem. Um sentimento de amizade, reciprocidade, de cuidado com o bem estar do outro, um sentimento indiscutivelmente nobre. Onde encontrares um rubro-negro, se n\u00e3o for um rubro-negro do tipo rato, encontrar\u00e1s um amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Na ess\u00eancia, o amor (e o Flamengo) \u00e9 uma parada \u00e0 qual temos acesso por meio da intelig\u00eancia. \u00c0 medida que ela \u00e9 pensada essa parada passa a ser uma refer\u00eancia, algo divino, que vai al\u00e9m da mortalidade humana. Um objeto que atrai e orienta o amor e a linguagem. N\u00e3o \u00e9 um objeto perfeito ingenuamente idealizado, nem uma proje\u00e7\u00e3o que nasce da car\u00eancia. O objeto, no caso o Flamengo, \u00e9 algo pra ser pensado, conhecido e amado em fun\u00e7\u00e3o de uma constru\u00e7\u00e3o racional e progressiva. Todo mundo quer e merece um Flamengo sempre melhorando, sempre evoluindo. Sem patriotadas, um Flamengo grande significa um Brasil maior. Um Brasil pra todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Ser Flamengo e ser racional n\u00e3o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es excludentes. Vestir o Manto \u00e9 importante, mas n\u00e3o \u00e9 tudo. Ser Flamengo \u00e0 vera \u00e9 buscar consci\u00eancia e conhecimento m\u00e1ximos. O amor filos\u00f3fico ao Flamengo \u00e9 exig\u00eancia de beleza pura, mesmo j\u00e1 ligados que ele \u00e9 finito e limitado, mesmo que desejando sempre mais. O Flamengo, assim como o amor, s\u00f3 cresce e melhora quando n\u00f3s, que o amamos, crescemos e melhoramos com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Plat\u00e3o n\u00e3o tava de bobeira, n\u00e3o. S\u00f3crates era foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea veio at\u00e9 aqui em busca de sacanagem, pode dar linha. O papo \u00e9 fam\u00edlia, tradi\u00e7\u00e3o e propriedade. E um pouquinho de religi\u00e3o. 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