{"id":3696,"date":"2017-08-09T08:07:00","date_gmt":"2017-08-09T08:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=3696"},"modified":"2017-08-09T08:32:10","modified_gmt":"2017-08-09T08:32:10","slug":"o-1o-treinador-a-gente-nao-esquece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/o-1o-treinador-a-gente-nao-esquece\/","title":{"rendered":"O 1\u00ba Treinador a Gente N\u00e3o Esquece."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A primeira vez na vida em que percebi que um time de futebol n\u00e3o era composto apenas pelos jogadores foi na final da Copa de 70 no Est\u00e1dio Azteca. Para um moleque com 6 anos de idade que n\u00e3o prestava a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0 grandiosidade daquele momento hist\u00f3rico a figura de Zagallo, gesticulando no banco, um pouco calvo, levemente grisalho e vestindo cal\u00e7as compridas, era de incontest\u00e1vel autoridade. Aos meus olhos aquele cara era o adulto que mandava em todos os meninos grandes que corriam de shorts dentro de campo. Uma imagem que jamais se apagou da minha mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><a href=\"https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/zagallo-foi-o-tecnico-da-selecao-brasileira-tricampea-na-copa-de-1970-no-mexico-original1-e1502265745285.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3698\" src=\"https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/zagallo-foi-o-tecnico-da-selecao-brasileira-tricampea-na-copa-de-1970-no-mexico-original1-e1502265745285.jpeg\" alt=\"zagallo-foi-o-tecnico-da-selecao-brasileira-tricampea-na-copa-de-1970-no-mexico-original1\" width=\"460\" height=\"259\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Algum tempo depois entendi que todos os times tinham seus treinadores. A imagem de Yustrich, treinador do Flamengo, era por demais assustadora. Diferentemente de Zagallo, Yustrich era um cara mau, capaz das mais terr\u00edveis broncas. Com seus \u00f3culos escuros e cara de poucos amigos a mim mais parecia um agente da repress\u00e3o, o bicho-pap\u00e3o da \u00e9poca. Foi com certo al\u00edvio que descobri em 72 que Zagallo era agora o treinador do Flamengo. Foi como se tivessem mudado o terr\u00edvel diretor da minha escola por um professor do qual eu n\u00e3o tinha medo. Um dos sinais mais evidentes do meu precoce amadurecimento \u00e9 que foi mais ou menos nessa \u00e9poca que aprendi que o nome do t\u00e9cnico do Flamengo n\u00e3o era Z\u00e9 Galo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Em 74, influenciado pela leitura, sem a supervis\u00e3o de adultos, de jornais e revistas certamente subversivos acreditei que meus conhecimentos futebol\u00edsticos j\u00e1 eram suficientes para cornetar o treinador da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Quem comandava aquela frustrante Sele\u00e7\u00e3o, que decepcionou o pa\u00eds pela primeira vez na sua cruzada pelo Tetra, era o, para mim, agora antip\u00e1tico Zagallo. Ainda mais grisalho, mais loquaz e aparentemente muito menos capaz de controlar os caras de short dentro de campo. Nunca mais esqueci os versos da par\u00f3dia feita sobre o jingle do Scratch Canarinho quando voltaram derrotados da Alemanha: \u201cTodos de porrete na m\u00e3o, esperando o Zagallo descer do avi\u00e3o\u201d. N\u00e3o era mole ter 10 anos na d\u00e9cada de 70. Eu e uns coleguinhas ficamos de castigo quando flagrados na escola cantando em altos brados a violenta vers\u00e3o de protesto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Acho que depois da Copa Zagallo nem voltou ao Flamengo. Aproveitamos esse vacilo e rompemos rela\u00e7\u00f5es, unilateralmente, por v\u00e1rios e v\u00e1rios anos. Zagallo passou a representar tudo o que ent\u00e3o mais abominava no futebol, a saber: o Vasco, o Fluminense e o Botafogo. E foi com enorme prazer que vi o Flamengo de Zico derrotar as suas equipes vezes sem fim durante esse per\u00edodo de beliger\u00e2ncia. Cada vit\u00f3ria do nosso esquadr\u00e3o sobre os fregueses era um desagravo pela trai\u00e7\u00e3o de Zagallo ao \u00eddolo Zico, por ele preterido na convoca\u00e7\u00e3o de 74.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Tentei uma reconcilia\u00e7\u00e3o com o Velho Lobo quando retornou como treinador \u00e0 G\u00e1vea, muito pelo passado vitorioso do jogador que brilhou durante 8 anos na G\u00e1vea e de l\u00e1 saiu para ser Campe\u00e3o do Mundo na Su\u00e9cia. Mas a \u00e9poca n\u00e3o ajudava, comandando um Flamengo sem Zico e ainda por cima perdendo os Cariocas de 84 e 85 com derrotas at\u00e9 para o Bangu, rompemos rela\u00e7\u00f5es mais uma vez. Pior, agora Zagallo era para mim um dinossauro, um f\u00f3ssil sem qualquer serventia para o futebol moderno. E assim se passaram mais 10 longas temporadas em que cuidei zelosamente de jamais lhe dar a m\u00ednima demonstra\u00e7\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A simpatia pelo meu 1\u00ba treinador s\u00f3 retornaria na \u00e9pica e conturbada Copa de 94, onde finalmente sa\u00edmos da fila com a conquista do Tetra. Parreira era o retranqueiro antip\u00e1tico, Zagallo, o s\u00e1bio experiente e bonach\u00e3o. Foi bacana a nossa reconcilia\u00e7\u00e3o, t\u00e3o bacana que resistiu \u00e0 traum\u00e1tica sapatada em Saint Dennis em 98. Ficaram apenas as boas lembran\u00e7as, o \u201cv\u00e3o ter que me engolir\u201d, a m\u00edstica liga\u00e7\u00e3o com o n\u00famero 13 e o avi\u00e3ozinho moleque do agora bom e querido velhinho. Foi naquela \u00e9poca que aprendi, e desta vez definitivamente, que Zagallo \u00e9 intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Agora que er\u00e1mos amigos para sempre s\u00f3 faltava a sua volta ao Flamengo em grande estilo. E nem precisei esperar muito, em 2000 Zagallo estava de volta \u00e0 G\u00e1vea. Para em 2001 confirmar que muito al\u00e9m da compet\u00eancia, Zagallo, o meu 1\u00ba treinador, era um dos caras mais largos do mundo. Um especialista da fina arte de estar no lugar certo na hora certa. Vieram as conquistas, a Ta\u00e7a Guanabara, com a inesquec\u00edvel cobran\u00e7a de p\u00eanalti esp\u00edrita de C\u00e1ssio. E o TetraTri do gol do Pet em que sua figura, ao mesmo tempo fr\u00e1gil e poderosa, com colete de titular sobre a camisa 13, agarrada \u00e0 imagem de S\u00e3o Judas Tadeu como se fosse uma Jules Rimet \u00e9 mais marcante em minha mem\u00f3ria do que a Copa dos Campe\u00f5es inteira que ele ganhou em Macei\u00f3 com outro espetacular gol do s\u00e9rvio. Zagallo foi ali tremendamente Zagallo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Parab\u00e9ns, Mario Jorge Lobo Zagallo, meu 1\u00ba treinador. Que seus pr\u00f3ximos 86 anos sejam ainda mais brilhantes do que os primeiros. Juro que n\u00f3s nunca mais vamos brigar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez na vida em que percebi que um time de futebol n\u00e3o era composto apenas pelos jogadores foi na final da Copa de 70 no Est\u00e1dio Azteca. 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