{"id":1317,"date":"2015-07-20T14:48:03","date_gmt":"2015-07-20T14:48:03","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=1317"},"modified":"2015-07-20T14:48:03","modified_gmt":"2015-07-20T14:48:03","slug":"da-pra-encarar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/da-pra-encarar\/","title":{"rendered":"D\u00e1 pra encarar."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Na virada da d\u00e9cada de sessenta para a de setenta, a sele\u00e7\u00e3o iugoslava tinha um excelente ponta-esquerda chamado Dzajic. Na mesma \u00e9poca, brilhava na sele\u00e7\u00e3o romena o r\u00e1pido e perigoso atacante Dumitrache. No entanto, sempre que o Brasil enfrentava a Iugosl\u00e1via, a Rom\u00eania ou outro desses times de um homem s\u00f3, Jo\u00e3o Saldanha procurava tranquilizar a na\u00e7\u00e3o: bastava marcar o Dzajic, ou o Dumitrache, porque o resto era \u201ctudo japon\u00eas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Nesses chatos e patrulhados tempos em que vivemos, a frase de Saldanha seria inadequada \u2013 ele provavelmente sequer a diria \u2013 mas, sempre falando a linguagem do pov\u00e3o, Saldanha pregava a ideia de que esses advers\u00e1rios n\u00e3o deveriam nos preocupar, pois, tirando aquele \u00fanico grande jogador, os demais n\u00e3o exigiam maiores cuidados. Era tudo igual. Tudo japon\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> N\u00e3o h\u00e1 nenhum time extraordin\u00e1rio no Brasileir\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 craque em campo, craque de verdade, desses capazes de levar um campeonato nas costas. Isso faz com que qualquer time com um elenco de razo\u00e1vel n\u00edvel t\u00e9cnico e boa organiza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica tenha condi\u00e7\u00f5es de brigar. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Perdemos um tempo precioso em 2015, devido \u00e0 arrog\u00e2ncia e \u00e0 teimosia t\u00edpicas do nosso ex-treinador-estrela, mas s\u00e3o \u00e1guas que passaram e h\u00e1 que se olhar para a frente. Talvez por inseguran\u00e7a, talvez por seu estilo menos impetuoso, ou, ainda, pela press\u00e3o de comandar um time com desmedido n\u00edvel de cobran\u00e7as \u2013 acho bobagem, por exemplo, a torcida ter queimado o Par\u00e1, que n\u00e3o \u00e9 nada do outro mundo mas pode ser \u00fatil \u2013, Crist\u00f3v\u00e3o tem revelado tibieza para promover mudan\u00e7as que se mostram \u00f3bvias, al\u00e9m de hesitar quanto \u00e0s necess\u00e1rias substitui\u00e7\u00f5es que certas partidas exigem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Todavia, creio que no jogo com o Gr\u00eamio fez-se a luz \u2013 e muito mais at\u00e9 do que nos dois a um sobre o Inter, no Beira-Rio. L\u00e1, jogamos bem, constru\u00edmos a vit\u00f3ria sem correr riscos e o surpreendente Emerson deu mais uma aula de atua\u00e7\u00e3o voltada para o coletivo, mas seria infantilidade esconder o fato de que o Inter estava com a cabe\u00e7a nas semifinais da Libertadores. Ok, temos nada com isso, fizemos a nossa parte e trouxemos os tr\u00eas pontos. S\u00f3 que voltamos a virar ab\u00f3bora \u00e0s 16 horas do domingo seguinte, na infeliz apresenta\u00e7\u00e3o diante do Corinthians.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> S\u00e1bado foi diferente. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Pra come\u00e7ar, n\u00e3o conv\u00e9m desvalorizar o time do Gr\u00eamio: \u00e9 bem bom. Vi o primeiro tempo de Gr\u00eamio x Vasco, na semana passada, e foi um massacre. Al\u00e9m de um meio-campo composto por quatro caras que sabem jogar bola, o Gr\u00eamio tem dois atacantes de velocidade e intensa movimenta\u00e7\u00e3o (Luan \u00e9 \u00f3timo jogador) trabalhando pelos lados do campo e abrindo caminho para as infiltra\u00e7\u00f5es de Giuliano, o mesmo que foi pe\u00e7a-chave na conquista da Libertadores de 2010 pelo Inter. \u00c9 um Gr\u00eamio muito mais leve e interessante do que nos acostumamos a ver, embora o zagueiro Geromel mantenha a tradi\u00e7\u00e3o de descer a madeira com convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Pois ent\u00e3o: enfrentando esse bom time, vindo de uma sequ\u00eancia de maus resultados no Maraca e diante da perspectiva de protestos das cinquenta mil pessoas presentes, caso mostr\u00e1ssemos fraqueza e indecis\u00e3o, fizemos nossa melhor partida no ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Claro que houve falhas e o Gr\u00eamio teve chances. N\u00e3o h\u00e1 time de futebol que jogue com a mesma efici\u00eancia durante quase cem minutos, e \u00e9 imposs\u00edvel que um advers\u00e1rio com boa qualifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o assuste em tr\u00eas ou quatro momentos. Mas n\u00e3o precisamos colaborar. Aos 14 minutos do segundo tempo, passamos perigo depois de perder uma bola na frente da \u00e1rea do Gr\u00eamio, em uma tabela malfeita entre Marcelo e Wallace. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> N\u00e3o se assuste quem n\u00e3o viu o jogo: n\u00e3o h\u00e1 erro de revis\u00e3o na frase anterior. Sim, foi uma tentativa de tabela entre os nossos zagueiros, diante da \u00e1rea do Gr\u00eamio. Se Marcelo e Wallace j\u00e1 s\u00e3o confusos e inseguros jogando onde t\u00eam que jogar, que peste de tabelinha eles foram tentar l\u00e1 na frente? E o pior: com o placar em um a zero a nosso favor. Detalhes como esse precisam ser observados, criticados e corrigidos, para n\u00e3o corrermos riscos desnecess\u00e1rios al\u00e9m daqueles que, como \u00e9 natural em um jogo de futebol, advers\u00e1rios competentes s\u00e3o capazes de nos impingir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> S\u00e1bado o time mostrou muito mais organiza\u00e7\u00e3o, e confesso n\u00e3o dar a m\u00ednima para nossas vit\u00f3rias por \u201capenas\u201d um a zero. A evolu\u00e7\u00e3o da prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica, a diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica dos espa\u00e7os \u2013 o tal neg\u00f3cio de deixar o time inteiro atr\u00e1s da linha da bola \u2013, muita coisa vem fazendo do futebol um jogo de oportunidades cada vez mais raras. (Da\u00ed a import\u00e2ncia de um cara feito o Guerrero, que n\u00e3o costuma desperdi\u00e7ar as que lhe aparecem, al\u00e9m de ser, de todos os que vi jogar ultimamente, o centroavante que melhor apara e prende a bola naqueles chut\u00f5es que os goleiros s\u00e3o obrigados a dar.) Sem querer misturar alhos com bugalhos, vale lembrar que a Espanha levantou a Copa de 2010 vencendo os quatro jogos das fases decisivas por um a zero. A Alemanha faturou a final da Copa de 2014 com outro um a zero. N\u00e3o queria falar de novo do Corinthians, para que n\u00e3o me entendam mal como aconteceu no \u00faltimo post, mas o time que beliscou o Brasileir\u00e3o de 2011, a Libertadores e o Mundial Interclubes de 2012 era especialista em ganhar por um a zero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Al\u00e9m da melhor arruma\u00e7\u00e3o em campo, outros pontos fundamentais na vit\u00f3ria sobre o Gr\u00eamio foram a dedica\u00e7\u00e3o e a atitude, que se encaixam no que repeti no texto da semana passada: a tal hist\u00f3ria de que precisamos jogar no limite das nossas possibilidades. Nada a ver, portanto, com o que sofremos nas partidas contra Fluminense, Atl\u00e9tico Mineiro e Corinthians, em que fomos para o intervalo j\u00e1 tendo tomado dois gols no lombo e apresentando um monte de falhas que refletiam descontrole e desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Nossa situa\u00e7\u00e3o na tabela ainda \u00e9 inc\u00f4moda, mas a atua\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado foi consistente e animadora. Temos que aprimorar o padr\u00e3o de jogo, manter o esp\u00edrito de luta e ser mais firmes do meio para tr\u00e1s, deixando que a velocidade de Everton, a disposi\u00e7\u00e3o de Emerson e o faro de Guerrero resolvam l\u00e1 na frente. Temos que controlar a ansiedade, convencer Canteros a jogar de um jeito simples, obrigar Marcelo e Wallace a s\u00f3 cozinharem feij\u00e3o com arroz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Parece muita coisa e um tanto dif\u00edcil, mas n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o. Se foi poss\u00edvel fazer tudo isso contra o bom time do Gr\u00eamio, podemos voltar a faz\u00ea-lo contra qualquer outro do futebol brasileiro. Porque, tirando uma coisinha a mais aqui, outra a menos ali, \u00e9 tudo japon\u00eas.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='https:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na virada da d\u00e9cada de sessenta para a de setenta, a sele\u00e7\u00e3o iugoslava tinha um excelente ponta-esquerda chamado Dzajic. Na mesma \u00e9poca, brilhava na sele\u00e7\u00e3o romena o r\u00e1pido e perigoso atacante Dumitrache. 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