{"id":9834,"date":"2021-07-20T01:56:27","date_gmt":"2021-07-20T01:56:27","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=9834"},"modified":"2021-07-20T02:07:00","modified_gmt":"2021-07-20T02:07:00","slug":"flamengo-tank-abbott","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/flamengo-tank-abbott\/","title":{"rendered":"Flamengo Tank Abbott"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">J\u00e1 virou placar-comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Volta e meia, de tempos em tempos, o Flamengo endoidece e baixa o sarrafo, sem a menor sensibilidade, num time sem culpa nenhuma de nada. Muitas vezes, fora de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Os mais antigos n\u00e3o esquecem do Flamengo 5 x 0 Santos de 1984, pela Libertadores, em pleno Morumbi \u2013 Ubaldo Fillol na nossa meta, o n\u00e3o menos lend\u00e1rio Rodolfo Rodr\u00edgues sob as traves deles. Ou do Fla-Flu de 1989. E os mais novinhos enchem a boca para rir do Flamengo x Corinthians do Brasileiro de 1994, ou do Flamengo 5 a 1 no Cruzeiro em 2016 \u2013 para n\u00e3o falar do jogo eterno de 2019 que deixaria nosso treinador tristonho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Situa\u00e7\u00e3o normal, tanto que a hist\u00f3ria rubro-negra periga contar mais cinco-a-zeros do que o vulgar OXO. Com um detalhe: normalmente, o Cincun Rubro-Negro surge por obra da mal\u00edcia, gra\u00e7a e habilidade. At\u00e9 hoje, n\u00e3o me lembro de ter visto um Flamengo t\u00e3o brutal como o de domingo, em Salvador. Um Flamengo que fez lembrar Tank Abbott.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">David Lee \u201cTank\u201d Abbott, se voc\u00ea n\u00e3o ligou o nome \u00e0 bo\u00e7alidade, \u00e9 um atleta (risos) dos prim\u00f3rdios do UFC. Foi o primeiro lutador a usar as luvinhas pretas cl\u00e1ssicas da organiza\u00e7\u00e3o, para acolchoar seus punhos delicados. O estilo de Abbott, um beberr\u00e3o assumido, era como se o Ted Boy Marino fosse treinado pelo Sargento Pincel dos Trapalh\u00f5es, e em seu c\u00f3rner servissem generosos tragos de vodca. David Lee Abbott era pura trucul\u00eancia, emoldurada por uma pan\u00e7a obscena, a barbicha caprina e o mei\u00e3o cano longo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Tank Abbott irrompeu nas artes marciais (novos risos) quando o fiel torcedor do Flamengo vivia certa car\u00eancia. Era o ano de 1995, e o elenco rubro-negro formado por Kleber Leite era o seguinte amontoado: Paulo C\u00e9sar, Fabiano, Agnaldo (U\u00e9slei), Ronald\u00e3o; Lira, Djair, M\u00e1rcio Costa (Rodrigo) e Pingo; S\u00e1vio, Edmundo e Rom\u00e1rio. Podia ter dado samba, deu em lambada. E bem, j\u00e1 que era para tomar surra atr\u00e1s de surra, era melhor ir direto na raiz e se entreter pelas fitas VHS que chegavam dos amigos, com as fa\u00e7anhas de Tank Abbott e dos mais t\u00e9cnicos Royce Gracie (tricolor) e Vitor Belfort (flamengo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Hoje, aos 56 anos, Abbott tem um podcast, lan\u00e7ou um livro de mem\u00f3ria e sobrevive ap\u00f3s um transplante de f\u00edgado selva. Seu estilo, contudo, aparentemente segue vivo. Se n\u00e3o no Ultimate, ao menos no futebol brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Se duvida, reveja mais uma vez os melhores momentos do Bahia x Flamengo, fiel leitor. Sim, pois aos 11 minutos j\u00e1 se iniciava a pancadaria, com um petardo de Ar\u00e3o do meio da rua, que resvalou o gol, tal qual um tabefe inesperado que quase acerta o queixo, mas passa no vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Logo aos 20, o p\u00eanalti, que fez lembrar n\u00e3o um duelo de vale-tudo, mas uma cena de Terence Hill e Bud Spencer. O baixinho Michael partiu para cima sem espa\u00e7o, bateu de frente com um marcador e caiu de cara na grama. S\u00f3 que a bola sobrou para Arrascaeta, que baixou a cabe\u00e7a e tamb\u00e9m disparou, at\u00e9 ser abalroado como um maratonista ol\u00edmpico frente a um padre irland\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O jogo era bonito? N\u00e3o, mas era divertido. J\u00e1 tivemos o Flamengo dos toques r\u00e1pidos, do \u201cpula uma casa\u201d, \u201centra no tr\u00eas\u201d, como o \u00e1udio vazado do jogador do Boavista revelou. Em Salvador, o novo Flamengo mostrava seu apre\u00e7o pela luta, pelo vrau de m\u00e3o aberta em quem passar perto, pelo canga-leit\u00e3o que derruba os abusados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Sem crer no que via, o Bahia at\u00e9 pensou que era poss\u00edvel esquivar. At\u00e9 os 40 minutos, quando Gabigol (de cabelo preto, diga-se) aplicou o primeiro knock-down, numa trivelinha de almanaque. Destaque para a assist\u00eancia de for\u00e7a e classe do nada son\u00edfero Isla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Por um deslize das regras da CBF, o tricolor baiano n\u00e3o tinha a op\u00e7\u00e3o de continuar deitado na lona, ou pedir para o c\u00f3rner atirar a toalhinha. Foi obrigado a sair do vesti\u00e1rio para o segundo tempo, ainda desnorteado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O Flamengo voltou cuspindo na luva e disparando mata-cobras ao deus-dar\u00e1, errando a maioria. Tudo de guarda baixa, para o Bahia vir. Bola na trave de Diego Alves? Tranquila\u00e7o, o Flamengo n\u00e3o andou um cent\u00edmetro para tr\u00e1s. Aos 16, nova pancada: o zagueiro cambaleou na frente do centroavante e Gabigol n\u00e3o perdou, mandando forte pras redes. O garoto do muque parecia se sentir bem com o jogo bruto do time de Renato Ga\u00facho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Aos 28, Victinho cruzou para o lindo coice de Pedro, coi\u00e7a\u00e7o-a\u00e7o-a\u00e7o, e o camisa 11 fechou a goleada chutando meio ajoelhado, mascado, para dar n\u00fameros finais \u00e0 grosseria: 5 a coco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">No vale-tudo, o estilo de Tank Abbott aposentou-se com seu criador, j\u00e1 que o velho David perdeu mais do que ganhou, em 25 lutas profissionais \u2013 sem contar os sururus em hot\u00e9is, coletivas e elevadores. \u00c9 que o valent\u00e3o sentia o g\u00e1s quando batia de frente com um rival mais r\u00e1pido, ou mais inteligente, ou mais bem treinado do que ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Quarta-feira \u00e9 noite de Libertadores novamente, evento t\u00e3o estranho quanto o UFC, s\u00f3 que com mais amea\u00e7as e menos regras. Para seguir vivo l\u00e1 dentro, a regra \u00e9 clara: manter o sangue quente e a cabe\u00e7a fria \u2013 sem falar nas m\u00e1scaras na posi\u00e7\u00e3o adequada (se liga, torcedor).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A expectativa geral, para meados de julho, era que o Flamengo estivesse na maior paz, jogando um futebol tranquilo e infal\u00edvel como o outro Lee, mais famoso. Mas se tiver de ser ao estilo &#8220;Are you ready&#8221;, goleando de novo com requintes de crueldade, a divers\u00e3o ser\u00e1 a mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Porrada neles! Burp.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/marcelo\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Marcelo Dunlop\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 virou placar-comum. Volta e meia, de tempos em tempos, o Flamengo endoidece e baixa o sarrafo, sem a menor sensibilidade, num time sem culpa nenhuma de nada. Muitas vezes, fora de casa. 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