{"id":9138,"date":"2020-12-22T14:36:36","date_gmt":"2020-12-22T14:36:36","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=9138"},"modified":"2020-12-22T14:36:36","modified_gmt":"2020-12-22T14:36:36","slug":"o-jogo-que-virou-o-jogo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/o-jogo-que-virou-o-jogo\/","title":{"rendered":"O jogo que virou o jogo."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Algumas pessoas t\u00eam sentido falta dos meus textos aqui no blog. Meu irm\u00e3o, meu filho, minha filha, meu neto, meu genro. Fam\u00edlia \u00e9 tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A explica\u00e7\u00e3o para a aus\u00eancia \u00e9 simples. Tirando alguns inspirados devaneios do porra-louca do Dunlop, que j\u00e1 escreveu at\u00e9 sobre sumi\u00e7o de barcos, o que fazemos no RP&amp;A \u00e9 tratar de futebol. E como tudo indicava que o bret\u00e3o s\u00f3 voltaria ano que vem \u2013 quando, devidamente vacinados, os torcedores poder\u00e3o encher novamente os est\u00e1dios \u2013, achei por bem me dedicar a ler e reverenciar a competente persist\u00eancia do Arthur. Pra mim, n\u00e3o dava. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Tudo est\u00e1 muito chato e frio. Acompanhei a disputa de p\u00eanaltis contra o Racing quase como se estivesse assistindo a Larissa e Lamia, os lanternas do campeonato grego. S\u00e1bado, 19 de dezembro, um dos maiores \u00eddolos da hist\u00f3ria recente do Internacional se despediu do clube no Beira-Rio. Os jogadores bateram palmas, cantaram, o arremessaram para o alto. D\u2019Alessandro recebeu homenagens no tel\u00e3o, mulher e filhos no gramado, se emocionou, chorou, no entanto faltou o ingrediente principal: nas arquibancadas, ningu\u00e9m. Despedida da depress\u00e3o. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Nada como um dia ap\u00f3s o outro e uma noite no meio. Domingo, 20 de dezembro, o futebol renasceu na mais emblem\u00e1tica das casas esportivas brasileiras. E tanto na bola quanto na atitude, o jogo teve nome e sobrenome: Gerson Santos da Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> E j\u00e1 que citei o Arthur, aproveito para discordar do trecho em que o chefe escreve que \u201cat\u00e9 o Bahia treinado pelo neanderthalense Mano Menezes encontrou um jeito de neutralizar o Flamengo e se aproveitar dos vacilos da marca\u00e7\u00e3o rubro-negra\u201d. At\u00e9 a expuls\u00e3o de Gabriel, Bruno Henrique fizera um gola\u00e7o, o pr\u00f3prio Gabriel perdera uma excelente oportunidade e o Bahia tomava um vareio de bola. Arthur deu uma bicuda maldosa na brutal dificuldade em se jogar com um a menos desde os nove minutos do primeiro tempo. T\u00e1 certo que Filipe Lu\u00eds j\u00e1 \u00e9 um senhor, mas revejam o lance do \u00faltimo gol e reparem que ele n\u00e3o tem for\u00e7as sequer para comemorar. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Al\u00e9m disso, desn\u00edvel t\u00e9cnico entre um time e outro \u00e9 algo que precisa ser consolidado a partir do momento em que o couro come. Se n\u00e3o, pra que jogar? Para fortalecer o argumento, fui \u00e0 tabela e pesquei as partidas em que os atuais seis \u00faltimos colocados roubaram pontos dos seis primeiros. A lista \u00e9 longa: Vasco 2 x 1 S\u00e3o Paulo, Flamengo 1 x 1 Botafogo, Bahia 3 x 0 Atl\u00e9tico Mineiro, Goi\u00e1s 1 x 0 Inter, Gr\u00eamio 1 x 2 Sport, Palmeiras 1 x 3 Coritiba, S\u00e3o Paulo 1 x 1 Bahia, Botafogo 2 x 1 Atl\u00e9tico Mineiro, Inter 2 x 2 Bahia, Vasco 0 x 0 Gr\u00eamio, Goi\u00e1s 1 x 0 Palmeiras, S\u00e3o Paulo 1 x 1 Vasco, Atl\u00e9tico Mineiro 0 x 0 Sport, Inter 2 x 2 Coritiba, Goi\u00e1s 0 x 0 Gr\u00eamio, Botafogo 2 x 1 Palmeiras, Coritiba 1 x 1 S\u00e3o Paulo, Sport 1 x 1 Gr\u00eamio, Palmeiras 1 x 1 Goi\u00e1s, Palmeiras 2 x 2 Sport, Bahia 1 x 1 Palmeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Faltando uma d\u00fazia de rodadas para o final da baga\u00e7a, a turma da rabeira j\u00e1 tirou cinquenta pontos de quem briga nas cabe\u00e7as. Dir\u00e3o alguns: ah, time que quer ser campe\u00e3o n\u00e3o pode dar esses moles. Tomara. Porque se isso for verdade, temos ainda mais chances do que imagin\u00e1vamos: nos confrontos contra os seis \u00faltimos, o Flamengo perdeu apenas dois pontos. Atl\u00e9tico Mineiro, oito. S\u00e3o Paulo, nove. Como diz T\u00e9o Benjamin, n\u00e3o existe dia f\u00e1cil na s\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro. (Favor esquecer o Flamengo de Jorge Jesus. N\u00e3o d\u00e1 para viver de amores do passado.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Gabriel teve uma reca\u00edda em seus surtos de estrelismo \u2013 que pareciam domados \u2013 e quase nos tirou da batalha. Quis enfeitar um passe simples com uma trivela chavosa, errou feio e tentou dar um migu\u00e9, pondo a culpa no juiz. Concordo que a vida dos jogadores de futebol tem sofrido algumas mudan\u00e7as bruscas, s\u00f3 que eles precisam se adaptar rapidamente a elas. A hist\u00f3ria dos bra\u00e7os para tr\u00e1s. O fim das malandragens, deduradas de forma inclemente pelo VAR. E agora mais essa: como os est\u00e1dios desertos permitem a todo mundo ouvir tudo o que se diz em campo, acabou esse papo de desabafar sugerindo ao juiz trocar a marca do xampu. A autoridade pode ter um ataque de pelanca e sacar o vermelho. Curioso que, na transmiss\u00e3o pelo PFC, o comentarista de arbitragem Sandro Meira Ricci apoiou o exagero de Fl\u00e1vio Rodrigues, garantindo que, se ele n\u00e3o expulsasse Gabriel, perderia o controle. Como pudemos observar logo adiante, o apitador manteve a partida bem controladinha. Certo, Sandro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Tivemos muitas coisas bem boas. A dedica\u00e7\u00e3o coletiva. A milagrosa defesa de Diego Alves quando o jogo estava tr\u00eas a tr\u00eas, al\u00e9m de outras duas dif\u00edceis no primeiro tempo. O comovente e recompensado esfor\u00e7o de Filipe Lu\u00eds. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Bruno Henrique, que fez o primeiro gol, deu o passe para o segundo e participou do in\u00edcio das jogadas do terceiro e do quarto. A espantosa objetividade do Pedro. E, claro, a atua\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel de Gerson. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Em 2014 eu escrevia o blog \u201cQuest\u00f5es do Futebol\u201d, no bra\u00e7o digital da revista <strong>piau\u00ed<\/strong>, e houve um jogo do Cruzeiro na cidade de Huancayo, no Peru, pela Libertadores. (Coincidentemente, Everton Ribeiro estava naquela partida.) O meio-campista Tinga entrou no segundo tempo, no lugar de Ricardo Goulart, e bastava tocar na bola para alguns torcedores do Real Garcilaso reproduzirem gestos e guinchos de macacos. Escrevi um post em que defendia uma radical tomada de posi\u00e7\u00e3o por parte do futebol brasileiro, que obviamente jamais viria e n\u00e3o veio. Pouco mais de seis meses depois, publiquei um desalentado texto sobre as ofensas racistas dirigidas ao goleiro Aranha, em Porto Alegre, no jogo entre Gr\u00eamio e Santos pela Copa do Brasil. A quem interessar, botei a\u00ed embaixo os links para essas duas postagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ram\u00edrez desconsiderou o respeito e traiu a idolatria que seus conterr\u00e2neos nutrem, entre v\u00e1rios outros, por Higuita, C\u00f3rdoba, Mina, Armero, Asprilla, Rinc\u00f3n, Cuadrado, Zapata, Renter\u00eda, Borja, nosso querido Berr\u00edo. E o que dizer de Mano Menezes? Caiu a m\u00e1scara de um dos grandes enganadores que o futebol brasileiro j\u00e1 conheceu, e que parece ter fechado a tampa de uma carreira em irresist\u00edvel decad\u00eancia. O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, melhor e mais consciente dos nossos dirigentes esportivos, foi r\u00e1pido e preciso na decis\u00e3o de demitir o treinador, apesar de ter aprovado uma nota oficial d\u00fabia, em que o clube n\u00e3o deixa claro o motivo da dispensa.  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Embora seja doloroso admitir que h\u00e1 tanto a ser percorrido, ao menos as coisas come\u00e7aram a andar. A rea\u00e7\u00e3o de Gerson representa um importante passo no combate \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o e para que o racismo estrutural seja firmemente denunciado, sempre que puser suas tristes manguinhas de fora. Infelizmente, situa\u00e7\u00f5es similares ainda ocorrer\u00e3o e muitos outros textos precisar\u00e3o ser escritos. Enquanto isso, sugiro a todos que vejam e revejam, os que t\u00eam filhos e netos que mostrem a eles, o document\u00e1rio \u201cAmarElo \u2013 \u00c9 Tudo Pra Ontem\u201d, cujo ponto de partida \u00e9 o show de Emicida no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A d\u00edvida \u00e9 colossal e h\u00e1 muito passou da hora de come\u00e7ar a pagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/a-chance-perdida-pelo-futebol-brasileiro\/\" title=\"Tinga\">PS 1: Para ler o post sobre as atitudes racistas sofridas por Tinga, publicado na <strong>piau\u00ed<\/strong> em 17 de fevereiro de 2014, clique aqui. Um dos par\u00e1grafos saiu truncado, mas sem preju\u00edzo ao contexto. <\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/quinta-feira-triste\/\" title=\"Aranha\"> PS 2: Para ler o post sobre as atitudes racistas sofridas por Aranha, publicado na <strong>piau\u00ed<\/strong> em 29 de agosto de 2014, clique aqui. <\/a><\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas pessoas t\u00eam sentido falta dos meus textos aqui no blog. Meu irm\u00e3o, meu filho, minha filha, meu neto, meu genro. Fam\u00edlia \u00e9 tudo. A explica\u00e7\u00e3o para a aus\u00eancia \u00e9 simples. 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