{"id":8168,"date":"2020-06-23T15:37:33","date_gmt":"2020-06-23T15:37:33","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=8168"},"modified":"2020-06-23T15:38:52","modified_gmt":"2020-06-23T15:38:52","slug":"o-velorio-do-violino","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/o-velorio-do-violino\/","title":{"rendered":"O vel\u00f3rio do Violino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">H\u00e1 exatos cinco anos, cometi imprudentemente uma das minhas primeiras cr\u00f4nicas, um modo como outro qualquer de por para fora as emo\u00e7\u00f5es. Como plagiar a si mesmo ainda \u00e9 um crime sem consequ\u00eancias no Brasil, assim como a rachadinha e as mil\u00edcias, republico no Rep\u00fablica, a seguir, este texto em homenagem a um dos grandes da hist\u00f3ria rubro-negra, o campeon\u00edssimo Carlinhos Violino. #Saudades.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 24px; text-align: center;\"><em><strong>Hist\u00f3rias de Carlinhos, ao som do violino<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Certa vez, o grande mestre de Jiu-Jitsu Helio Gracie (1913\u20132009) declarou: &#8220;J\u00e1 disse aos meus filhos que quando eu morrer quero uma festa. Sem bebida, sem esculhamba\u00e7\u00e3o.\u201d Mestre do futebol rubro-negro, Carlinhos Nunes, o Violino, ganhou sua festa, bonita, simples, nessa ter\u00e7a, 23 de junho, no sal\u00e3o nobre do Flamengo, \u00e0 beira da Lagoa. Sob o sol forte, o verde do gramado da G\u00e1vea reluzia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A bandeira do clube estava a meio-mastro. Ao lado do ata\u00fade onde o cl\u00e1ssico meia descansava, uma mesa forrada de vermelho exibia dez ta\u00e7as conquistadas com sua ajuda. L\u00e1 fora, um bandeir\u00e3o com o rosto sorridente de Carlinhos foi hasteado. Elegante como o estilo de jogar do falecido, Jo\u00e3o Victor, membro da Orquestra de C\u00e2mara Carioca, adentrou o recinto e entoou, num volume respeitoso, o hino do Mais Querido do Brasil ao violino. Aplausos e l\u00e1grimas vieram como resposta ao solo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Um dos primeiros ex-jogadores a aparecer foi Zinho, campe\u00e3o de tudo. \u201cCheguei aqui com 11 anos de idade sem saber nada, s\u00f3 sabia bater bola. Futebol, mesmo, aprendi com esse aqui\u201d, disse um choroso Crizam C\u00e9sar (para os \u00edntimos). A irm\u00e3, dona Silvia, e as filhas receberam o abra\u00e7o de mais algumas d\u00fazias de ex-jogadores, de pelo menos cinco gera\u00e7\u00f5es de craques do Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Todos tinham boas hist\u00f3rias para contar sobre o vitorioso treinador. Um deles lembrou que, quando ganhava t\u00edtulos como t\u00e9cnico, Carlinhos se enfiava no vesti\u00e1rio, emocionado, e dizia que comemora\u00e7\u00e3o era para os jogadores. Chegou a ser, certa vez, arrastado de volta ao gramado do Maracan\u00e3 por dois amigos para ser saudado pelos seus meninos e pelos seus f\u00e3s empoleirados nas arquibancadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Um companheiro \u00edntimo de Carlinhos lembrou que, ali por 1985, o t\u00e9cnico recebeu um telefonema. Um cartola do Fluminense queria retir\u00e1-lo da G\u00e1vea para treinar o time principal das Laranjeiras. Carlinhos agradeceu amavelmente, sem nem ouvir a proposta financeira. Preferiu ficar na base do Flamengo do que assumir o time profissional do rival. Como rubro-negro, jamais desafinaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O violino continuava tocando baixinho no sal\u00e3o. Velhos jogadores trocavam abra\u00e7os, sorrisos, matavam a saudade. Unir a G\u00e1vea em polvorosa era mesmo com Carlinhos, e na sua morte n\u00e3o foi diferente: a fam\u00edlia recebeu a liga\u00e7\u00e3o e os p\u00easames de praticamente todos os ex-presidentes do Flamengo ainda vivos, bem como do atual, Bandeira de Mello, presente desde as primeiras horas da justa homenagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Surgiu ent\u00e3o, entre conselheiros do clube, a not\u00edcia de que j\u00e1 havia um abaixo-assinado circulando para que Carlinhos Violino se tornasse o nome de uma das ruas pequenas pr\u00f3ximas ao Flamengo. Nada mais justo, concordariam todos, do seguran\u00e7a ao presidente. Fica a torcida para que, nesses tempos em que nossos meio-campos s\u00e3o verdadeiras avenidas, que ao menos o saudoso Carlinhos seja para sempre rua, uma rua tranquila, simp\u00e1tica e simples, como ele sempre soube ser ao longo da vida.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/marcelo\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Marcelo Dunlop\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos cinco anos, cometi imprudentemente uma das minhas primeiras cr\u00f4nicas, um modo como outro qualquer de por para fora as emo\u00e7\u00f5es. 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