{"id":7960,"date":"2020-04-19T00:16:58","date_gmt":"2020-04-19T00:16:58","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=7960"},"modified":"2020-06-07T20:17:58","modified_gmt":"2020-06-07T20:17:58","slug":"1920-o-ano-em-que-viramos-nacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/1920-o-ano-em-que-viramos-nacao\/","title":{"rendered":"1920, o ano em que viramos Na\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Est\u00e1 para completar cem anos, mas parece que foi h\u00e1 uns 99.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A torcida flamenga j\u00e1 era capaz de encher arquibancadas, promover algazarra nas ruas, buzinar nas vit\u00f3rias, como o cronista Jo\u00e3o do Rio registrou em \u201cA hora do football\u201d, magn\u00edfico texto sobre um Flamengo x Fluminense do dia 13 de maio de 1916 \u2013 um jogo t\u00e3o antigo\u00a0que ningu\u00e9m ainda chamava de Fla-Flu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Mesmo assim, ainda n\u00e3o \u00e9ramos uma Na\u00e7\u00e3o. Se tanto, um animado grupo que se comprazia em vestir rubro-negro e esborniar nas vit\u00f3rias \u2013 num tempo em que ainda se comprazia e esborniava. Longe de mim desancar nossos pioneiros, mas a turma que zanzava peladona nas cercanias da praia do Flamengo mal come\u00e7ara se levar a s\u00e9rio. Prova disso \u00e9 que n\u00e3o ostentava, ainda, os s\u00edmbolos que identificam uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Cores OK, bandeira OK, povo e her\u00f3is estavam OK. Mas faltava um c\u00e2ntico de louvor \u00e0s nossas gl\u00f3rias, nossos atletas e nossos pavilh\u00f5es. Faltava o hino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Em 1920, ele foi composto. E cantado, gravado, orquestrado e eternizado. Imagino os rubro-negros da \u00e9poca, encontrando-se no bar Madrid ou no Galeto Sat&#8217;s de antanhos, trocando tap\u00f5es nos ombros e chacoalhando-se pelas orelhas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u2013 Tu viu? J\u00e1 temos um hino! Somos Na\u00e7\u00e3o, porra!<br \/>\n\u2013 Irado, mas n\u00e3o fique perto. Ainda tou cagado de pegar a gripe espanhola\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O compositor de nosso primeiro canto, autor de letra e m\u00fasica, \u00e9 um daqueles imensos her\u00f3is do pante\u00e3o rubro-negro, um ex-goleiro chamado Paulo Magalh\u00e3es, uma esp\u00e9cie de Rafinha na \u00e9poca, que tamb\u00e9m devia esbanjar no banjo e adorar uma modinha de viola. Al\u00e9m de guarda-metas, por sinal, Magalh\u00e3es era ainda piv\u00f4 do time rubro-negro e ainda jogava\u00a0h\u00f3quei pelo Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O dia em que a massa flamenga, amorfa, sem norte e sem dire\u00e7\u00e3o, tornou-se a Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra, foi uma tarde m\u00e1gica de domingo. Na folhinha do calend\u00e1rio: 14 de novembro de 1920.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Magalh\u00e3es, tal qual um maestro, empunhou sua batuta imagin\u00e1ria, reuniu o elenco principal no vesti\u00e1rio do est\u00e1dio da rua Paissandu, pigarreou, e mandou ver. E ent\u00e3o, talvez sem se darem conta, talvez trocando parte da letra, aqueles homens de bigode e brilhantina fizeram hist\u00f3ria \u2013 o arqueiro Kuntz, Burgos, Telefone, Rodrigo, Japon\u00eas, Dino, Carregal, Candiota, Sisson, Sidney Pullen, Junqueira \u2013 quando soltaram o gog\u00f3:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>\u2013\u00a0Flamengo, Flamengo<\/em><br \/>\n<em> Tua gl\u00f3ria \u00e9 lutar!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>Flamengo, Flamengo<\/em><br \/>\n<em> Campe\u00e3o de terra e mar! (bis)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">E prosseguiram, os \u00eddolos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>Saudemos todos<\/em><br \/>\n<em> Com muito ardor<\/em><br \/>\n<em> O pavilh\u00e3o do nosso amor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>Preto encarnado<\/em><br \/>\n<em> Idolatrado<\/em><br \/>\n<em> \u2028Dois mil campe\u00f5es do vencedor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>(refr\u00e3o)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>Lutemos sempre com valor infindo<\/em><br \/>\n<em> Ardentemente<\/em><br \/>\n<em> Com denodo e f\u00e9<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>Que o futuro ainda ser\u00e1 mais lindo<\/em><br \/>\n<em> Que o teu presente<\/em><br \/>\n<em> Que t\u00e3o lindo \u00e9!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A cantoria deu-se antes de um Flamengo x Palmeiras de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, e claramente a como\u00e7\u00e3o pelo momento prejudicou os jogadores, que apenas empataram em 1 a 1, gol do craca\u00e7o ingl\u00eas Pullen \u2013 por sinal, o gol de n\u00famero 500 do clube.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Sim, o estrago estava feito, e as consequ\u00eancias o leitor conhece: o Flamengo n\u00e3o apenas seria campe\u00e3o carioca naquele ano como, pouco depois, empurrado pela for\u00e7a daquela melodia, conquistaria o estado, o pa\u00eds e o mundo \u2013 e o Palmeiras, apavorado, iria fugir para outra cidade, ganindo e tremendo feito vara verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Foi o primeiro caneco erguido pela na\u00e7\u00e3o flamenga, em pontos corridos e de forma invicta \u2013\u00a0uma conquista enfim cantada a plenos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Mais de vinte anos depois, claro, a voca\u00e7\u00e3o para a festa e a folia fez a na\u00e7\u00e3o flamenga se enrabichar por outra cantiga deliciosa, a \u201cMarcha da Torcida Rubro-Negra\u201d de Lamartine Babo, mas essa depois eu conto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O que nos interessa, especialmente nos dias de hoje, \u00e9 lembrar que nenhum irm\u00e3o flamengo ou amiga flamenga jamais dever\u00e1 se sentir s\u00f3, abandonado ou desacolhido. E, quando isso ocorrer, abramos o peito, limpemos a garganta e, nos imaginando dentro daquele vesti\u00e1rio que n\u00e3o existe mais, com aqueles craques maravilhosos (\u201cMais alto, Carregal! Entre no tom, Telefone!\u201d), entoemos, ombro a ombro com o imenso Paulo Magalh\u00e3es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>Lutemos sempre com valor infindo<\/em><br \/>\n<em> Ardentemente<\/em><br \/>\n<em> Com denodo e f\u00e9<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>Que o futuro ainda ser\u00e1 mais lindo<\/em><br \/>\n<em>Que o teu presente<\/em><br \/>\n<em>Que t\u00e3o lindo \u00e9!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/marcelo\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Marcelo Dunlop\t<\/a>\n<\/div><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 para completar cem anos, mas parece que foi h\u00e1 uns 99. 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