{"id":7771,"date":"2020-02-05T20:35:10","date_gmt":"2020-02-05T20:35:10","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=7771"},"modified":"2020-02-06T14:47:06","modified_gmt":"2020-02-06T14:47:06","slug":"flamengo-futebol-e-fome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/flamengo-futebol-e-fome\/","title":{"rendered":"Misterchef Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">At\u00e9 segunda-feira, o (estranho) dia marcado para o Flamengo x Resende, admito que estava em d\u00favidas se iria ao Maracan\u00e3. N\u00e3o tinha comprado ingresso, a rapeize estava desmobilizada\u2026 N\u00e3o, a palavra certa \u00e9 outra, escriba burro: empanturrada. A rapeize estava empanturrada. O \u00f3timo futebol de 2019, exibido at\u00e9 o finzinho de dezembro, foi de embotar o mais fan\u00e1tico flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Meu apetite pelo jogo abriu de modo ex\u00f3tico, quando estava lendo a coluna \u201cCozinha bruta\u201d, do docemente mal-humorado Marcos Nogueira, um dos melhores textos da \u201cFolha de S\u00e3o Paulo\u201d atualmente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>\u201cNingu\u00e9m vai a um restaurante s\u00f3 para comer. O encosto da cadeira, o volume da m\u00fasica, a temperatura do ar-condicionado, a diplomacia do ma\u00eetre, o ritmo do atendimento: cada detalhe conta para um programa del\u00edcia ou uma roubada tit\u00e2nica.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Me toquei que, mesmo numa segunda, o Maracan\u00e3 tem muitas vantagens sobre qualquer outro programa. Manobristas, por exemplo, no Maraca tem muito mais, pre\u00e7o a combinar. E, para voc\u00ea ter \u201cum programa del\u00edcia ou uma roubada tit\u00e2nica\u201d o \u00fanico detalhe que conta \u00e9 a vit\u00f3ria, de prefer\u00eancia com gols a c\u00e2ntaros. E nisso o time estrelado de Jorge Jesus n\u00e3o nos decepciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">E foi assim, debaixo de um temporal de riscar a noite, que partimos com nossos ingressos de setor Sul para saudar os campe\u00f5es da Am\u00e9rica. E, n\u00e3o menos importante, receber os novatos Pedro Queixada, Gustavo \u201cA Torre\u201d Henrique e o serelepe Michael (pronuncia-se &#8220;Michael&#8221;). Posso dizer que valeu cada espirro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Para os estreantes com o Manto Sagrado, o p\u00fablico de mais de 53 mil pessoas foi espl\u00eandido. Ponto para o hor\u00e1rio das 20h. Basta lembrar que, se Adriano teve uma recep\u00e7\u00e3o para 70 mil bonecos em 2009 \u2013 numa tarde de domingo \u2013, outras lendas n\u00e3o tiveram a mesma sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O jovem Zico, por exemplo, fez seu debute para 18 mil almas, naquele Flamengo 2 x 1 Vasco da Ta\u00e7a Guanabara de 1971; j\u00e1 Pel\u00e9, pelo Santos, fez sua estreia no grandioso palco do Maracan\u00e3 para 27 mil testemunhas, como j\u00e1 contado aqui, em cr\u00f4nica de um ano atr\u00e1s. A badalada estreia de Ronaldinho Ga\u00facho, em 2011? Bem menos: 42 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O pr\u00f3prio Gabigol, hoje saudado por muita gente como \u00eddolo m\u00e1ximo do pante\u00e3o flamengo, estreou \u2013 juntamente com Arrascaeta \u2013 contra o pr\u00f3prio Resende, h\u00e1 um ano, para 14.341 presentes. No Raulino de Oliveira, num azedo 1 a 1, por sinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Partimos empanturrados para o M\u00e1rio Filho, portanto, sem medo de uma roubada tit\u00e2nica. No aguardo da carona, pedi um quibe num restaurante do Baixo G\u00e1vea (anuncie aqui) e comecei a pensar no que alimenta a alma do torcedor. Com a ricota j\u00e1 enfeitando minha barba, enfim conclu\u00ed que a fome dos rubro-negros est\u00e1 mudando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Desde 1988, quando comecei a enfrentar o sufoco das roletas do M\u00e1rio Filho e sair extasiado do outro lado, eu acredito que ia aos jogos em janeiro e fevereiro movido por uma raz\u00e3o principal: aquele sentimento injustificado de \u201ceste ano a coisa vai, \u00e9 preciso apoiar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Quem elaborou melhor sobre a vol\u00fapia do torcedor foi o cronista colorado Luis Fernando Verissimo, que escreveu certa vez: \u201cAmamos uma camiseta, um nome, um escudo. Amamos, no fim, uma abstra\u00e7\u00e3o. Mas o que realmente nos leva ao est\u00e1dio, e nos envolve e refor\u00e7a nossa devo\u00e7\u00e3o, \u00e9 nada mais concreto do que o grande jogador.\u201d Se eu j\u00e1 citei antes me desculpem, mas vai dizer que n\u00e3o \u00e9 boa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">No caso do torcedor flamengo, j\u00e1 lotamos tantos times de perebas, j\u00e1 nos decepcionamos com tantos medalh\u00f5es, que aprendemos r\u00e1pido que n\u00e3o basta o \u201cgrande jogador\u201d para nos tirar de casa. O que nos moveria ent\u00e3o a ir ao jogo, al\u00e9m da n\u00e3o transmiss\u00e3o da Globo? Hoje, a deliciosa expectativa de saborear nosso bom futebol \u2013 um sentimento que nos tem feito alargar o cinto, palitar os dentes e, no caso dos mais deseducados, arrotar de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Se o Flamengo x Resende pouco ou nada valia para o resto da temporada, como at\u00e9 Jorge Jesus admitiu, isso n\u00e3o impediu que 53 mil torcedores chegassem ao Maraca s\u00f4fregos por bom futebol. A culpa disso \u00e9 do pr\u00f3prio Jesus, nosso Misterchef, que tem chacoalhado o caldeir\u00e3o do futebol nacional com seus temperos secretos \u2013\u00a0os quais, pelo que me informam, ele n\u00e3o revela de jeito nenhum, nem nas coletivas de imprensa nem aos treinadores da base rubro-negro. Uma pena, para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O 3 a 1 de virada (gols de Alef Manga; Pedro, Gabigol e Bruno Henrique) foi uma del\u00edcia. Em p\u00e9 na arquiba, me pus a lembrar de tempos em que o futebol brasileiro era bonito e o card\u00e1pio, bem variado. A gente ligava a TV e havia um suculento tropeiro cruzeirense, uma galinhada atleticana, um torresmo \u00e0 moda Luxemburgo, uma costela \u00e0 la Inter, uma peixada santista\u2026 Por muito tempo, passamos a pensar que o esporte tinha de ser assim mesmo, com atletas supernutridos e a torcida esfomeada de alegrias. Que n\u00e3o faltavam ideias ou toques criativos, s\u00f3 faltavam bons jogadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Ao voltar ao Maracan\u00e3 renovei meu apetite\u00a0\u2013 e, s\u00f3 de pensar no que os t\u00e9cnicos advers\u00e1rios v\u00e3o tentar aprontar em campo para tirar o doce da boca de Jorge Jesus, me ponho a salivar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O treinador portugu\u00eas, por sua vez, tamb\u00e9m \u00e9 sincero em seus apetites. A amigos comensais num restaurante, o Mister teria dito que saboreou cada minuto da gl\u00f3ria rubro-negra em 2019 \u2013 e achou uma del\u00edcia inigual\u00e1vel dar entrevistas ali ao lado de Jurgen Klopp. E disse que far\u00e1 tudo ao seu alcance para estar sentadinho ali de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Chega de palitar os dentes, Na\u00e7\u00e3o. \u00c9 hora de digerir o que passou em 2019 e, com uma rever\u00eancia de corpo \u00e0 la Pedro, saudar a temporada 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> *** <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 24px; text-align: center;\"><strong>A diplomacia do ma\u00eetre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Aproveitando a met\u00e1fora gastron\u00f4mica, n\u00e3o resisto a meter a colher na situa\u00e7\u00e3o ex\u00f3tica do ma\u00eetre rubro-negro, Rodolfo Landim. A nova ger\u00eancia assumiu o clube em 2019 e, desde o segundo m\u00eas do ano, tinha duas miss\u00f5es para l\u00e1 de indigestas: reconduzir o Flamengo a uma posi\u00e7\u00e3o de respeito na Am\u00e9rica do Sul, e portanto no planeta futebol; e solucionar o caso dos Meninos do Ninho, com a habilidade que sua estampa de negociador passava \u2013 isto \u00e9, com firmeza, carinho com a torcida, ousadia para promover amistosos em tributo \u00e0s crian\u00e7as, sem dilacerar a mem\u00f3ria das fam\u00edlias e a imagem do clube. Na primeira miss\u00e3o citada, Landim foi Pel\u00e9. Na segunda, at\u00e9 agora, n\u00e3o tem atuado melhor do que um Macal\u00e9. Um Macal\u00e9 com empolado discurso jur\u00eddico, ali\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/marcelo\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Marcelo Dunlop\t<\/a>\n<\/div><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 segunda-feira, o (estranho) dia marcado para o Flamengo x Resende, admito que estava em d\u00favidas se iria ao Maracan\u00e3. N\u00e3o tinha comprado ingresso, a rapeize estava desmobilizada\u2026 N\u00e3o, a palavra certa \u00e9 outra, escriba burro: empanturrada. A rapeize estava empanturrada. 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