{"id":7590,"date":"2020-01-02T05:53:13","date_gmt":"2020-01-02T05:53:13","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=7590"},"modified":"2020-01-02T05:53:13","modified_gmt":"2020-01-02T05:53:13","slug":"os-nus-e-os-bem-vestidos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/os-nus-e-os-bem-vestidos\/","title":{"rendered":"Os Nus e os Bem Vestidos."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Publicado Originalmente no <a href=\"Blog%20Unapitanga - Mundo Rubro Negro\" target=\"_blank\">Blog Unapitanga &#8211; Mundo Rubro Negro<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Espero que ningu\u00e9m tenha que passar por isso, mas se algum dia uma for\u00e7a maior te obrigar a abrir um dicion\u00e1rio pra saber o significado exato da palavra na\u00e7\u00e3o n\u00e3o fique puto se o pai dos burros n\u00e3o fizer sequer uma men\u00e7\u00e3o ao Flamengo. Afinal, quem sai aos seus n\u00e3o degenera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">L\u00e1 no livr\u00e3o voc\u00ea ler\u00e1 que na\u00e7\u00f5es s\u00e3o comunidades est\u00e1veis, historicamente constitu\u00eddas por vontade pr\u00f3pria de um agregado de indiv\u00edduos, com base num territ\u00f3rio, numa l\u00edngua, e com aspira\u00e7\u00f5es materiais e espirituais comuns. S\u00f3 esse papinho de comunidade est\u00e1vel j\u00e1 alija a Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra da categoria. O que \u00e9 de uma obtusidade revoltante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">At\u00e9 as crian\u00e7as de colo corredoras sabem que territ\u00f3rio, l\u00edngua, cultura ou religi\u00e3o sozinhos n\u00e3o formam o verdadeiro car\u00e1ter de uma na\u00e7\u00e3o. A condi\u00e7\u00e3o subjetiva para a materializa\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o est\u00e1 no v\u00ednculo que une aqueles indiv\u00edduos l\u00e1 do par\u00e1grafo anterior. \u00c9 esse v\u00ednculo comum que irmana as gentes e provoca em quem est\u00e1 no fechamento a convic\u00e7\u00e3o de querer viver de maneira coletiva sob uma \u00fanica bandeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O que forma a na\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de tudo, a consci\u00eancia da nacionalidade. Essa consci\u00eancia \u00e9 o que faz com que n\u00f3s, que formamos a Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra, na maior das humildades, mas sem qualquer estabilidade e sempre de livre e espont\u00e2nea vontade, nos sintamos constituindo um organismo com vida pr\u00f3pria, interesses especiais, necessidades peculiares e uma camisa espetacular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">E n\u00e3o adianta ficar lendo dicion\u00e1rio, gram\u00e1tica ou enciclop\u00e9dia, esse tipo de conhecimento n\u00e3o se aprende, n\u00e3o se ensina. Pode at\u00e9 permanecer latente durante um tempo, mas \u00e9 uma consci\u00eancia que nasce com a pessoa. Ser Flamengo \u00e9 uma etapa evolutiva, \u00e9 gen\u00e9tico e instintivo. N\u00e3o \u00e9 orienta\u00e7\u00e3o ou op\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se adquire por cont\u00e1gio. \u00c9 uma c\u00e9lula entre bilh\u00f5es que infuencia e controla todo o organismo e coloca o sujeito automaticamente na Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Apesar da esnobada dos Aur\u00e9lios, Michaellis e Houaisses, a exist\u00eancia da Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra \u00e9 um fato, n\u00e3o cabe interpreta\u00e7\u00e3o. Como via de regra tudo \u00e9 imenso quando falamos de Flamengo, ao observador menos atento, mais preocupado em listar semelhan\u00e7as aparentes do que em perceber diferen\u00e7as ocultas, pode parecer que o conceito de Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra esteja diretamente ligado ao tamanho, \u00e0 pujan\u00e7a, ao PIB, \u00e0 capilaridade ou \u00e0 abrang\u00eancia da torcida do Flamengo. O que \u00e9 uma armadilha dial\u00e9tica. Uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o se constr\u00f3i com quantitativos, sejam eles cronol\u00f3gicos, territoriais ou demogr\u00e1ficos. Isso o sabe-tudo do dicion\u00e1rio n\u00e3o mostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Vejam a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas, por exemplo. No tempo das vacas gordas quinquenais, em que os chamados sovi\u00e9ticos eram o bicho-pap\u00e3o do Muro de Berlim pra c\u00e1, eles faziam e aconteciam, mandavam homens e cachorros ao espa\u00e7o e batiam de frente com qualquer um. Seu territ\u00f3rio chegou a ocupar \u00e1rea equivalente a 1\/6 do globo terrestre e somavam quase 300 milh\u00f5es de habitantes. E mesmo com tudo isso a U.R.S.S. nunca foi uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">J\u00e1 os Tsohom Djap\u00e1, tribo amaz\u00f4nica que perambula pela regi\u00e3o de cabeceira dos rios Juta\u00ed, Curuena e Jandiatuba, no vale do rio Javari, n\u00e3o passam de algumas centenas de guerreiros e cunh\u00e3s n\u00f4mades, que vivem da coleta, da pesca e da ca\u00e7a espor\u00e1dicas, cujo \u00fanico patrim\u00f4nio s\u00e3o as suas armas de tecnologia neol\u00edtica, seus shorts adidas piratas e seus chinelos de dedo. Mas esse punhado de gentes \u00e9 suficiente para formar a Na\u00e7\u00e3o Tsohom Djap\u00e1. Percebem a diferen\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Para que uma na\u00e7\u00e3o exista n\u00e3o adianta aparecer no dicion\u00e1rio. \u00c9 preciso que o nacionalismo puro e incorrupto, livre do comprometedor sentido que o termo adquiriu nos \u00faltimos tempos de trevas, surja espontaneamente no cora\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. A Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Na\u00e7\u00e3o. Um construto mental e emocional que ultrapassou os limites do intelecto para come\u00e7ar a ser tamb\u00e9m mat\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra n\u00e3o vive apenas dentro das nossas cabe\u00e7as. A Na\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado da soma do clube com o time, multiplicada pela torcida, fatorada pela nossa rica simbologia, extrapolada pelos semideuses do nosso pante\u00e3o. E temida at\u00e9 a morte pela arcoirizada safada e mal vestida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra \u00e9 terra e mar, \u00e9 carne, e peixe tamb\u00e9m. \u00c9 Praia do Flamengo, Rua Paysandu, G\u00e1vea, Maracan\u00e3, Ilha do Urubu, Cariacica, Est\u00e1dio Centen\u00e1rio, Monumental de Lima, Aterro do Flamengo. A Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra ultrapassou qualquer limite, divisa ou fronteira geogr\u00e1fica e hoje se espalha homogeneamente por todo o planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">E a Na\u00e7\u00e3o, como o universo e a nossa Sala de Trof\u00e9us, segue em permanente expans\u00e3o. Onde quer que dois mulambos se re\u00fanam em nome do Flamengo, seja l\u00e1 onde for, aquela por\u00e7\u00e3o de terra ocupada pelos bem vestidos passa fazer parte do territ\u00f3rio da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra tamb\u00e9m \u00e9 grito, tens\u00e3o, perrengue, paci\u00eancia infinita e toler\u00e2ncia zero, al\u00edvio e explos\u00e3o. E claro, a Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra \u00e9, essencialmente, o nosso orgulho desmedido e justificado em eterno combate com a nossa humildade natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra \u00e9, em suma, tudo que est\u00e1, j\u00e1 foi ou ser\u00e1 um dia, envolvido pelos nossos sagrados panos vermelhos e pretos. Isto posto, \u00e9 dever de todo dirigente rubro-negro, do passado, do presente e do futuro, fazer o favor de respeitar essa Na\u00e7\u00e3o e seus nacionais. Todos eles. Os ricos e os aparentemente pobres. Os nus e os bem vestidos. Os vivos, os mortos e os que ainda v\u00e3o nascer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Feliz 2020 pra Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado Originalmente no Blog Unapitanga &#8211; Mundo Rubro Negro Espero que ningu\u00e9m tenha que passar por isso, mas se algum dia uma for\u00e7a maior te obrigar a abrir um dicion\u00e1rio pra saber o significado exato da palavra na\u00e7\u00e3o n\u00e3o fique puto se o pai dos burros n\u00e3o fizer sequer uma men\u00e7\u00e3o ao Flamengo. 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