{"id":6928,"date":"2019-10-31T18:57:54","date_gmt":"2019-10-31T18:57:54","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=6928"},"modified":"2019-11-16T04:20:57","modified_gmt":"2019-11-16T04:20:57","slug":"jumpin-jack-fla","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jumpin-jack-fla\/","title":{"rendered":"Jumpin\u2019 Jack Fla"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O indestrut\u00edvel sobrevivente Keith Richard disse uma vez que Jumpin\u2019 Jack Flash tinha o riff que mais gostava de tocar na vida, o Cadillac dos Riffs. O modesto Richards, que leva a fama mas n\u00e3o criou o riff, uma autoria n\u00e3o creditada do baixista Bill Wyman, aparentemente entende alguma coisa de riffs. Mas o que sempre me chamou a aten\u00e7\u00e3o na can\u00e7\u00e3o dos Stones de 1968 foram os versos iniciais de Jagger sobre a g\u00eanese de Jumpin\u2019 Jack (uma homenagem galhofeira a Jack Dyer, o jardineiro de Redlands, a mans\u00e3o elizabetana de Keith Richard em West Sussex).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><em>I was born in a crossfire hurricane<\/em><br \/>\n<em> And I howled at my ma in the driving rain<\/em><br \/>\n<em> But it&#8217;s all right, now, in fact it&#8217;s a gas<\/em><br \/>\n<em> But it&#8217;s all right, I&#8217;m Jumpin&#8217; Jack Flash<\/em><br \/>\n<em> It&#8217;s a gas, gas, gas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu nasci em um furac\u00e3o sinistro<br \/>\nE uivei pra minha m\u00e3e debaixo de um tor\u00f3<br \/>\nMas agora t\u00e1 tudo bem, na verdade, t\u00e1 demais<br \/>\nMas t\u00e1 tudo bem, eu sou o Jumpin&#8217; Jack Flash<br \/>\nIsso \u00e9 demais, demais, demais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O jeito suave com que Jumpin\u2019 Jack veio ao mundo \u00e9 uma das coisas mais flamengas que existem pra se ouvir no volume 10. Nascer no meio do esporro, sob chuvas torrenciais, desafiar a pr\u00f3pria genitora e ainda assim achar que t\u00e1 tudo bem. Mais do que achar tudo bem, se comprazer plenamente com suas origens e explanar a plena satisfa\u00e7\u00e3o em ser o que \u00e9. Isso \u00e9 Flamengo demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Pra quem nasce sob o signo do perrengue a felicidade muitas vezes n\u00e3o est\u00e1 na paz e na quietude. As tribula\u00e7\u00f5es, as dificuldades, os pequenos desafios cotidianos que se magnificam diante de um momento capital, tudo que poderia abater aos fracos, para o torcedor do Flamengo se torna um fortificante. O flamenguista se dopa, se chapa, se escorna no perrengue. E gosta disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Parece brincadeira, mas \u00e9 a s\u00f3 vida real. Depois de 38 anos mofando na fila da carne da Libertadores o Flamengo finalmente chega numa final da maior competi\u00e7\u00e3o do continente. E justamente na primeira experi\u00eancia de fazer essa final em um jogo \u00fanico a Conmebol escolhe Santiago, que todos julgavam ser uma ilha de tranquilidade e prosperidade na Am\u00e9rica do Sul. Julgaram errado, ot\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Santiago arde, o povo chileno sangra, o kisuco ferveu pra sempre. E a Conmebol, que h\u00e1 pelo menos sete dias assiste \u00e0 convuls\u00e3o social que j\u00e1 adiou tr\u00eas rodadas consecutivas do Campeonato Chileno, numa demonstra\u00e7\u00e3o alucinada de porralouquice mant\u00e9m o discurso de que a sede da final n\u00e3o mudar\u00e1. Ah t\u00e1, senta l\u00e1, Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00c9 evidente que a decis\u00e3o ser\u00e1 jogada alhures, at\u00e9 as crian\u00e7as de colo corredoras j\u00e1 sabem disso. Enquanto a Conmebol faz seu teatrinho corporativo os felizes torcedores que tem bala para ir ao jogo se desesperam vendo suas reservas de transporte e hospedagem ca\u00edrem, tendo que renegociar folgas, f\u00e9rias e luas de mel e ao mesmo tempo correr atr\u00e1s de ingressos para um jogo que n\u00e3o se sabe onde ser\u00e1 jogado. Um cen\u00e1rio de caos, uma verdadeira zona (no mau sentido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Mas quem na maior torcida do mundo se surpreendeu com tal configura\u00e7\u00e3o dos acontecimentos? Essa monumental cagada envolvendo esporte, pol\u00edtica e justi\u00e7a social tinha que rolar justamente no ano que o Flamengo t\u00e1 na final, claro. Parece at\u00e9 que, de uma maneira meio inconsciente, a torcida do Flamengo estava pedindo por isso. Os torcedores do Flamengo, quase todos eles, sentem uma irrefre\u00e1vel <em>nostalgie de la boue<\/em> (saudade da lama), uma necessidade louca de passar por perrengues desnecess\u00e1rios e sem fim para que a experi\u00eancia flamenga se valorize ainda mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Para a maioria dos times do mundo a excel\u00eancia da performance, a efetividade nas conquistas, a voltinha ol\u00edmpica segurando a ta\u00e7a s\u00e3o o bastante. Louvam seus esquadr\u00f5es, comemoram seus triunfos, penduram a foto do time vencedor na parede e vida que segue. Para o torcedor do Flamengo isso \u00e9 pouco. \u00c9 preciso que o Flamengo, al\u00e9m da performance e da conquista, seja heroico. Que enfrente n\u00e3o somente o time advers\u00e1rio e as quadrilhas de arbitragem. \u00c9 preciso que o Flamengo enfrente o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Para desfrutar da plenitude do ser flamengo time e torcida tem que vencer juntos a advers\u00e1rios de for\u00e7a descomunal, sejam eles reais ou imagin\u00e1rios. As vit\u00f3rias imposs\u00edveis e as inexplic\u00e1veis ressurrei\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a expedi\u00e7\u00e3o apressada de atestados de \u00f3bito forjados pelos nossos magoados rivais s\u00e3o obrigat\u00f3rias durante a nossa caminhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O torcedor do Flamengo tende a acreditar que s\u00f3 quando tudo parece perdido e s\u00f3 a o darwinismo banca a aposta em nossa sobreviv\u00eancia \u00e9 que se faz o milagre flamengo. \u00c9 nesse preciso momento, com a chapa bem quente e escassas chances de \u00eaxito, a <em>finest hour<\/em> de qualquer rubro-negro. \u00c9 quando o torcedor, investido mediunicamente dos poderes divinos do Manto Sagrado e da longa sequ\u00eancia de Pais da Na\u00e7\u00e3o que remonta a 1895, se percebe indispens\u00e1vel, necess\u00e1rio e decisivo. Essa \u00e9 a doutrina dominante na Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Nessa Libertadores 2019 o Flamengo j\u00e1 conheceu os dois lados da linha do trem. J\u00e1 fomos o patinho feio da fase de grupos e nos transmutamos em um cisne exterminador dos mata-matas. Na sua reencarna\u00e7\u00e3o sob a dupla \u00e9gide de Jorge e de Jesus o time do Flamengo parece n\u00e3o ser afetado por nenhum tipo de perrengue. Em campo tudo funciona sob germ\u00e2nica precis\u00e3o. Os jogadores rubro-negros desfilam olimpicamente rumo ao topo. V\u00ea-los em campo \u00e9 a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o do perrengue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Ainda bem que do lado de fora o mundo continua alucinadamente louco e imprevis\u00edvel. N\u00e3o sabemos onde vai ser o jogo, n\u00e3o sabemos como chegar a um lugar que ainda n\u00e3o sabemos qual vai ser. N\u00e3o sabemos se vamos arrumar ingressos, passagens, comida, bebida, dinheiro enfim. S\u00f3 sabemos que <em>Onde estiver, estarei! Oh, meu Meng\u00e3o!<\/em> A torcida do Flamengo respira. E \u00e9 desse jeito que ela quer vencer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Pra encerrar mais um versinho de Jumpin\u2019 Jack Flash que \u00e9 a nossa cara nessa Liberta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">I was drowned, I was washed up and left for dead<br \/>\n<em> I fell down to my feet and I saw they bled , yeah yeah<\/em><br \/>\n<em> I frowned at the crumbs of a crust of bread<\/em><br \/>\n<em> Yeah, yeah, yeah<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Me afoguei, fui chacoalhado e deixado para morrer<br \/>\nCa\u00ed de p\u00e9 e vi que eles sangraram, sim, sim<br \/>\nFiz careta para as migalhas de uma casca de p\u00e3o<br \/>\nSim, Sim, Sim<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XCMrXC8D05Q\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O indestrut\u00edvel sobrevivente Keith Richard disse uma vez que Jumpin\u2019 Jack Flash tinha o riff que mais gostava de tocar na vida, o Cadillac dos Riffs. 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