{"id":6440,"date":"2019-08-27T17:58:02","date_gmt":"2019-08-27T17:58:02","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=6440"},"modified":"2022-03-29T17:38:01","modified_gmt":"2022-03-29T17:38:01","slug":"meus-amigos-flamengos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/meus-amigos-flamengos\/","title":{"rendered":"Meus amigos flamengos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu tenho um amigo muito flamengo, morador da Rocinha, que viu a final do Brasileiro de 1992 da geral. Mal adentrou o Maracan\u00e3, todo suado e corrido da cavalaria, j\u00e1 tomou um mata-cobra pelo meio dos dentes, de um desconhecido botafoguense. Fim de jogo, Flamengo campe\u00e3o. E meu amigo decidiu que, j\u00e1 que tomara um preju\u00edzo, merecia ao menos tomar parte da festa. Foi at\u00e9 o fosso do est\u00e1dio, pulou na coleira do c\u00e3o policial, deu um pux\u00e3o para dar impulso, e foi parar no gramado \u2013 enquanto o pobre pastor alem\u00e3o e seu colega pol\u00edcia tentavam escalar de volta para o campo. Meu amigo at\u00e9 hoje guarda dois trof\u00e9us daquela tarde: um v\u00eddeo onde aparece correndo ao lado do J\u00fanior e do trof\u00e9u das bolinhas; e o sorriso com o centroavante faltando, na parte de cima da arcada dent\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu tenho outro amigo que armou de ir de carro a Belo Horizonte, para pegar um Flamengo x Cruzeiro, mas na v\u00e9spera, sabadeira, n\u00e3o resistiu: partiu, junto com um dos loucos, at\u00e9 a quadra da Mangueira. Mangua\u00e7ados, os aventureiros s\u00f3 deixaram o morro de manh\u00e3, perto da hora de zarpar \u2013 com uma simp\u00e1tica foli\u00e3 junto com eles. Convidada, a baixinha n\u00e3o titubeou: tamb\u00e9m queria passear em Minas. Foram os cinco apertados no carro. L\u00e1, um acabou preso por porte de \u00e1lcool pela carinhosa pol\u00edcia mineira, os outros ficaram na maior ressaca, derrota total. Mas, arr\u00e1, terminaram salvos pela nova amiga, que assumiu o volante, e encarou seis horas de estrada, risonha, enquanto os quatro cochilavam. Para casar, diz a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu tenho um amigo que foi ao Maracan\u00e3, em noite de Libertadores, e voltava feliz da vida para casa. Ao parar num isopor para renovar a cerveja, um pedinte descal\u00e7o o abordou. Dica para cariocas: se o Flamengo ganhar, fique na sa\u00edda do est\u00e1dio e pe\u00e7a qualquer coisa para sua torcida humildona. Meu amigo n\u00e3o tinha tanto trocado, ent\u00e3o deu seu chinelo, um abra\u00e7o de estalar ossos e, dizem, uma mordida no cocuruto do fera. E saiu descal\u00e7o, sambando na lama e entre os cacos de vidro, at\u00e9 encontrar sua carona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu tenho um amigo que ligou a TV para ver um Guarani x Flamengo decisivo (bons tempos), at\u00e9 que a campainha desatou a apitar. \u201cN\u00e3o estou para ningu\u00e9m\u201d, berrou. \u201cDeixa tocar!\u201d. O visitante no port\u00e3o n\u00e3o desistia, e depois de mais um toque insistente, saiu gol do Guarani. Algu\u00e9m rapidamente acorreu e desfez o mist\u00e9rio: era um de seus cupinchas mais pr\u00f3ximos, \u00e1vido para lhe entregar seu convite de casamento, que foi recebido e\u00a090 minutos depois repassado ao agoniado torcedor. \u201cHein? E isso l\u00e1 \u00e9 motivo de interromper um jogo do Flamengo? Pois n\u00e3o vou nesse casamento\u201d. E n\u00e3o foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu tenho um amigo que estava no Clipper, vendo as garotas do Leblon a caminho do mar, quando um tricolor querido p\u00f4s pilha: vamos ao Maracan\u00e3? Hoje tem Fla-Flu! Eram os anos 1960. Banho r\u00e1pido, e foram os dois. Um combinado apenas: a gente salta onde o taxista nos deixar e entra \u00e0s cegas, sem escolher port\u00e3o ou torcida. Onde pararmos, a gente entra e v\u00ea a partida junto. Beleza. Tocaram para dentro e, ao sair do t\u00fanel, meu velho amigo teve a vis\u00e3o: em meio \u00e0 n\u00e9voa de p\u00f3 branco, l\u00e1 do outro lado do Maraca, a massa rubro-negra em seu esplendor. Riram nervoso e se aboletaram no degrau de cimento. Ele, moita. O Flamengo tratou de meter 4 a 1 no Flu aquele dia. A cada gol, o tricolor cutucava, levemente vingativo: \u201cMelhor tu n\u00e3o comemorar, hein\u2026\u201d Meu amigo se divertiu, mas n\u00e3o recomenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Tenho um amigo que viveu uma curiosa hist\u00f3ria rom\u00e2ntica num Flamengo x Vasco, quando foi com a esposa ao Maracan\u00e3. Final da Copa do Brasil de 2006. Fizeram uma pr\u00e9 daquelas com a rapeize e foram para o est\u00e1dio. No Bellini, beijinho de despedida: ela ia de camarote com amigos, ele de arquiba. Marcaram ali na volta. O jogo foi tenso, mas terminou perfeito: gol do tampinha Juan, Flamengo campe\u00e3o, tudo como mandava o figurino. Voltaram radiantes para a zona sul, e tome de cerveja no bar favorito, com direito \u00e0quela resenha sobre o jogo, todos comentando como viram cada lance, j\u00e1 pensando na Libertadores do ano que vem. Mas sempre tem um desmancha-prazeres, e um companheir\u00e3o do cacha\u00e7a levantou a lebre: \u201cA\u00ed, estava para te perguntar&#8230; Cad\u00ea sua esposa?\u201d. No celular do cabe\u00e7a de vento, 217 liga\u00e7\u00f5es n\u00e3o atendidas. Dormiu no sof\u00e1 at\u00e9 o Hexa do Angelim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu tenho um amigo que recebeu um telefonema do pai, grave, informando o inevit\u00e1vel: a av\u00f3, que vinha fraquinha, estava mesmo nas \u00faltimas. Fam\u00edlia no hospital, e o corpo de m\u00e9dicos tratou logo de desenganar a parentada. Seria em poucas horas, n\u00e3o passaria daquele domingo. Ficaram por ali algum tempo, emotivos e solenes, no aguardo do imponder\u00e1vel. At\u00e9 que o maluco chamou o velho: \u201cPai, e a\u00ed? Vov\u00f3 morre ou n\u00e3o morre? T\u00e1 quase na hora do jogo. Posso ir ao Maracan\u00e3?\u201d A av\u00f3 faleceu ali pelos 25 do primeiro tempo, ele soube depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Eu tenho outro amigo que viajou para a Nova Zel\u00e2ndia, num interc\u00e2mbio estudantil, e l\u00e1 ficou sabendo que Flamengo e Vasco fariam a final do Campeonato Estadual. O ano era 2001, e o amigo n\u00e3o queria ficar agoniado sem saber o resultado. Achou que telefonar para casa no fim da partida tamb\u00e9m seria pouco, e se preparou para \u201cver\u201d o segundo jogo da final do jeito que dava. Primeiro, p\u00f4s o despertador para sete da matina da segunda-feira, hor\u00e1rio de Wellington (a capital de l\u00e1, n\u00e3o o zagueiro). A seguir, esperou o alem\u00e3o do quarto ao lado, Jacob, acordar \u2013 ele era o \u00fanico que tinha internet, ou melhor, era o \u00fanico que parecia saber o que era internet. Cabo conectado (n\u00e3o existia wi-fi, crian\u00e7as), jogo rolando, o sinal da escola j\u00e1 batera e o valente site Pel\u00e9 ponto net narrou assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>&gt; 42 minutos: Ed\u00edlson recebe bola de Leandro \u00c1vila do meio-campo e chuta para dentro da \u00e1rea.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>&gt; 42 minutos: Falta para o Flamengo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>(Computador carrega por tr\u00eas minutos)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>&gt; 43 minutos: Goleiro Helton ajeita barreira. Petkovic na cobran\u00e7a da falta.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>(Computador demora mais tr\u00eas minutos, vai desgra\u00e7a)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>&gt; 43 minutos: Gol do Flamengo: Petkovic.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>(Computador carrega dez minutos, jovem alem\u00e3o quase fica sem o cabo, todo ro\u00eddo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>&gt; Fim de jogo: O Flamengo \u00e9 tricampe\u00e3o estadual.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Meu amigo entrou pulando na sala de aula abra\u00e7ando todo mundo, e at\u00e9 hoje tem fama de louco total, na Oceania e em mais tr\u00eas continentes \u00e0 sua escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">E voc\u00ea, tamb\u00e9m tem algum velho amigo flamengo? Fa\u00e7a sua homenagem a ele e conte sua hist\u00f3ria a\u00ed para a gente.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/marcelo\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Marcelo Dunlop\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tenho um amigo muito flamengo, morador da Rocinha, que viu a final do Brasileiro de 1992 da geral. Mal adentrou o Maracan\u00e3, todo suado e corrido da cavalaria, j\u00e1 tomou um mata-cobra pelo meio dos dentes, de um desconhecido botafoguense. Fim de jogo, Flamengo campe\u00e3o. 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