{"id":6137,"date":"2019-06-17T20:46:47","date_gmt":"2019-06-17T20:46:47","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=6137"},"modified":"2019-06-17T20:46:47","modified_gmt":"2019-06-17T20:46:47","slug":"a-frieza-dos-senhores-gestores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/a-frieza-dos-senhores-gestores\/","title":{"rendered":"A frieza dos senhores gestores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><em><strong>[ Por Carlos Fialho * ]<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">N\u00e3o faz muito tempo que o Flamengo era fonte de constrangimento para sua torcida. O clube ostentava um hist\u00f3rico de gl\u00f3rias e um repert\u00f3rio de conquistas que muito nos orgulhavam, mas paradoxalmente nos fazia corar ao n\u00e3o honrar seus compromissos financeiros mais b\u00e1sicos. O time que deveria brigar por t\u00edtulos era o mesmo que atrasava os sal\u00e1rios de seus jogadores, exatamente os respons\u00e1veis por lutar pelas vit\u00f3rias no campo de jogo. Quando ganh\u00e1vamos um cl\u00e1ssico ou jogo importante, pergunt\u00e1vamos a n\u00f3s mesmos at\u00e9 quando aquilo aconteceria, considerando que os atletas s\u00e3o seres humanos que t\u00eam fam\u00edlias e compromissos a cumprir, podendo ter o \u00e2nimo e a motiva\u00e7\u00e3o vencida pelos boletos a vencer. Se tent\u00e1vamos argumentar nossa suposta superioridade hier\u00e1rquica no hist\u00f3rico l\u00fadico-desportivo futebol\u00edstico, logo um torcedor advers\u00e1rio nos jogava na cara o \u00f3bvio. Um clube que n\u00e3o paga o que deve n\u00e3o tem envergadura moral pra querer ser superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">O Flamengo inadimplente n\u00e3o era apenas uma institui\u00e7\u00e3o insolvente. Num universo de apaixonados, em que o esporte mais popular de um pa\u00eds converte seus torcedores em devotos, a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento a algo maior, o senso de comunidade e a ideia de que formamos todos uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixavam d\u00favidas: \u00e9ramos n\u00f3s os indignos. Quando o Flamengo devia dinheiro, dava calote em fornecedores, n\u00e3o pagava sal\u00e1rios em dia nem recolhia seus impostos, os dedos acusadores se voltavam contra n\u00f3s. Porque sempre tivemos o clube como parte integrante de nossa identidade. \u00c9ramos n\u00f3s no Serasa, \u00e9ramos n\u00f3s os devedores, era o nosso nome sujo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">A simbiose clube e torcida, o v\u00ednculo inquebrant\u00e1vel que nos faz vibrar com as vit\u00f3rias como se fossem nossas era um lado da moeda, mas havia outra face, trazendo derrotas improv\u00e1veis, campanhas vexat\u00f3rias e gest\u00f5es temer\u00e1rias. Estava tudo na nossa conta, o b\u00f4nus, mas tamb\u00e9m o \u00f4nus. Como o escritor Ruy Castro declarou ao escrever o livro \u201cO vermelho e o negro\u201d, aquela n\u00e3o era uma biografia de outras pessoas, mas a sua pr\u00f3pria, pois a vida do Flamengo era a sua vida. Nossa rela\u00e7\u00e3o com o Flamengo muito se assemelha com o decreto de um celebrante de matrim\u00f4nio: \u201cNa riqueza e na pobreza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Evidentemente, o desastre administrativo refletiu-se em campo. Logo, os t\u00edtulos rarearam, as vit\u00f3rias importantes dependiam de lampejos ou dias afortunados e o caos de seguidas gest\u00f5es nos conduziram ao errante caminho do meio da tabela. Nossa autoestima n\u00e3o passava inc\u00f3lume. Incr\u00e9dulos, pens\u00e1vamos se n\u00e3o haveria num contingente de milh\u00f5es de adeptos, uma pessoa boa de administra\u00e7\u00e3o que pudesse assumir o leme e reverter a situa\u00e7\u00e3o. Resignados, j\u00e1 imagin\u00e1vamos ser coisa do destino, um fardo que dever\u00edamos carregar para sempre: o da incompet\u00eancia gerencial. \u00c9ramos todos incapazes de fazer contas, de gerir um clube de futebol, de converter em receita uma massa de algumas dezenas de milh\u00f5es de torcedores. \u201cAceita que d\u00f3i menos\u201d, diz\u00edamos a n\u00f3s mesmos como um mantra repetido ao encostarmos a cabe\u00e7a no travesseiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">At\u00e9 que, em 2012, veio a turma do mercado. \u201cS\u00e3o todos executivos bem sucedidos\u201d, diziam uns. \u201cAlguns trabalharam em bancos\u201d, afirmavam outros. \u201cUm dos caras simplesmente negociou a d\u00edvida externa do Brasil\u201d, dizia uma mat\u00e9ria num portal insuspeito. Tinha ex-diretor da Petrobras, presidente da Sky e v\u00e1rios nomes ligados ao ent\u00e3o queridinho dos liberais brasileiros, o Eike Batista. Lembram dele? O grupo formou a chamada \u201cChapa Azul\u201d que era a cor que almej\u00e1vamos ver nos relat\u00f3rios e balan\u00e7os. Para coroar, ainda ganharam o apoio de Zico, \u00eddolo maior do clube que havia sido humilhado pela ent\u00e3o presidente Patr\u00edcia Amorim. Ou seja, era o enredo perfeito, quase um roteiro hollywoodiano. Al\u00e9m da reden\u00e7\u00e3o, o troco, a vingan\u00e7a precisa, estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Deu certo. O grupo tomou posse em 2013 e em seis anos, o novo perfil da diretoria elevou o patamar financeiro do Flamengo, al\u00e7ando-o a um dos mais ricos da Am\u00e9rica do Sul. Logo, o clube que sempre foi raz\u00e3o de orgulho pelos feitos dentro das quatro linhas, passou a nos dar alegrias fora delas. Surgiram categorias como os \u201ctorcedores de planilha\u201d ou \u201ctorcedores de dirigentes\u201d, apontados pelo jornalista Mauro C\u00e9zar Pereira. N\u00e3o obstante o comentarista tenha raz\u00e3o, \u00e9 preciso dar um desconto em fun\u00e7\u00e3o dos anos de autoestima reduzida devido \u00e0 insolv\u00eancia aparentemente incontorn\u00e1vel. A defesa intransigente das a\u00e7\u00f5es realizadas pelos novos diretores continham um misto de gratid\u00e3o pela nova condi\u00e7\u00e3o e medo de retornar aos dias de dificuldades. O Flamengo Rico \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o terceirizada de todos n\u00f3s. Ainda que continuemos fudidos, projetamos nossas realiza\u00e7\u00f5es no clube objeto de nosso amor. Claro que isso leva a situa\u00e7\u00f5es um tanto quanto esdr\u00faxulas como celebrar com alegria genu\u00edna a emiss\u00e3o de uma Certid\u00e3o Negativa de D\u00e9bitos. Ou ainda se emocionar quando o ent\u00e3o mandat\u00e1rio dizia em entrevistas que \u201co Flamengo tem o dever moral de pagar seus impostos para dar exemplo de corre\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa torcida.\u201d OK, confesso, \u00e9 incomum comportar-se assim, mas se analisarmos o contexto dos anos que passamos devendo na pra\u00e7a, \u00e9 compreens\u00edvel. Freud ri de nosso rid\u00edculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">O ano de 2019 come\u00e7ou com um novo presidente oriundo do mesmo grupo pol\u00edtico que toma conta do clube h\u00e1 seis anos. Al\u00e9m de vultosas contrata\u00e7\u00f5es que v\u00eam ocorrendo desde 2015, o incremento na infraestrutura \u00e9 de saltar aos olhos. Um Centro de Treinamento constru\u00eddo nos moldes europeus e um alto investimento nas categorias inferiores fizeram o time colecionar t\u00edtulos na base e conseguir vendas milion\u00e1rias de jogadores formados em casa. At\u00e9 nisso, melhoramos: antes, \u00e9ramos p\u00e9ssimos vendedores. A temporada prometia. Muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">At\u00e9 que aconteceu um inc\u00eandio num cont\u00eainer dentro do CT, matando dez adolescentes sob tutela do clube. Foi a maior trag\u00e9dia da hist\u00f3ria do Flamengo e exigiu que o clube tomasse provid\u00eancias imediatas, demonstrando que \u00e9 grande n\u00e3o apenas na hist\u00f3ria ou nas finan\u00e7as, mas tamb\u00e9m na humanidade. Um acontecimento terr\u00edvel do long\u00ednquo primeiro trimestre do ano, mas que nos obriga a revisit\u00e1-lo, pois relembrar uma trag\u00e9dia \u00e9 tentar encontrar uma forma de compreender suas causas e evitar repeti\u00e7\u00f5es. Por mais que tenha sido acidental, poderia sim ter sido previsto, caso o clube tivesse pensado nos enormes riscos envolvidos em deixar pessoas dormirem em cont\u00eaineres. Algo que, depois do ocorrido, parece b\u00e1sico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">A rea\u00e7\u00e3o imediata foi a como\u00e7\u00e3o generalizada e as primeiras medidas a serem tomadas seriam emergenciais: libera\u00e7\u00e3o dos corpos e sepultamentos dos meninos. Na m\u00eddia, v\u00edamos homenagens, tributos, hist\u00f3rias, mat\u00e9rias emocionantes e alguns questionamentos que come\u00e7avam a surgir. De repente, come\u00e7ou a surgir todo um subterr\u00e2neo de a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o chegavam ao conhecimento p\u00fablico: multas atrasadas, estruturas sem alvar\u00e1s, constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o autorizadas. O clube que se organizara mostrava que o tinha feito \u00e0 base de muito \u201cjeitinho\u201d. Por\u00e9m, com o passar dos dias, era preciso agir com justi\u00e7a e bom senso para tentar indenizar a perda irrepar\u00e1vel que sofreram as fam\u00edlias dos falecidos. E foi a\u00ed que os nossos homens do mercado derraparam, revelando uma face sombria e at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">O mercado, como se sabe, gosta de n\u00fameros, mas n\u00e3o \u00e9 muito afeito a pessoas. O Flamengo recebeu uma fatura do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria P\u00fablica que traria amparo financeiro para todas as dez fam\u00edlias pelo resto de suas vidas, atitude correta, pois junto com os jovens morreu a esperan\u00e7a de vidas melhores para todos. O valor era alto: R$ 57 milh\u00f5es, mas n\u00e3o seria pago de uma vez. Grande parte seria na forma de sal\u00e1rios parcelados pelos pr\u00f3ximos 30 anos. Al\u00e9m disso, sabe-se que o valor \u00e9 menos de dez vezes menor que a proje\u00e7\u00e3o de receita do clube para 2019. Os dirigentes n\u00e3o aceitaram e barganharam, apresentando contrapropostas ridiculamente menores. Tamb\u00e9m demonstraram insensibilidade e desd\u00e9m com os pais das v\u00edtimas e a sociedade ao abandonarem entrevistas e reuni\u00f5es antes do final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Atitudes que apequenam a institui\u00e7\u00e3o e d\u00e3o mostras de que a mesquinharia dos que comandam os destinos do nosso clube de cora\u00e7\u00e3o parece desconhecer fronteiras. Compreendemos o zelo que eles t\u00eam pelos limites prudenciais da responsabilidade, mas h\u00e1 uma linha muito t\u00eanue entre a ambi\u00e7\u00e3o e a gan\u00e2ncia que n\u00e3o deveria ser cruzada quando vidas perdidas entram na equa\u00e7\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es do presidente do Flamengo e de seus vice-presidentes neste caso espec\u00edfico envergonharam a todos n\u00f3s, pois \u00e9 na torcida que recair\u00e1 a pecha de irresponsabilidade e desleixo demonstrada, resultando diretamente na morte dos jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">A frieza com que trataram a quest\u00e3o deu a entender que os diretores simplesmente n\u00e3o entenderam a dimens\u00e3o do ocorrido. Parecem desprovidos de qualquer empatia, como se n\u00e3o tivessem eles mesmos entes queridos cujas perdas causariam sofrimento, como se os Garotos do Ninho, crias do clube, pudessem ser dispostos numa tabela de \u201crestos a pagar\u201d. O descaso e as atitudes calculistas desprovidas de solidariedade t\u00eam nos embara\u00e7ado muito mais do que qualquer tra\u00e7o da temeridade insolvente do nosso passado falido. D\u00f3i ver o clube que amamos agir assim, pois n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a e corre\u00e7\u00e3o em negligenciar a dor alheia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Com o passar dos meses, percebe-se nitidamente que a estrat\u00e9gia adotada era cozinhar em banho-maria, n\u00e3o s\u00f3 as fam\u00edlias dos meninos, mas todos n\u00f3s que nos importamos com a dor alheia e n\u00e3o nos calamos diante das injusti\u00e7as. Enquanto dentro de campo, n\u00e3o se via t\u00e1tica ou m\u00e9todo algum, fora dele, os dirigentes tinham tudo muito bem planejado: esperar que os resultados esportivos viessem e que o notici\u00e1rio futebol\u00edstico cotidiano nos conduzisse \u00e0 dorm\u00eancia indolente do esquecimento. Mas como n\u00e3o lembrar de algo t\u00e3o grave, triste e estarrecedor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">As atitudes mais recentes destes homens de ternos bem cortados me fazem concluir que eles n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o aprenderam absolutamente nada com a trag\u00e9dia, como tamb\u00e9m seguem entorpecidos pela pr\u00f3pria vaidade e autossufici\u00eancia, arrog\u00e2ncia t\u00edpica de quem reside em uma bolha social de exclusividade, concedendo-lhes a certeza absoluta de que n\u00e3o erram, n\u00e3o s\u00e3o fal\u00edveis. A completa despreocupa\u00e7\u00e3o em pelo menos parecerem mais respeitadores, decentes, solid\u00e1rios, democr\u00e1ticos, enfim, mais humanos, revela que o descaso demonstrado no epis\u00f3dio do inc\u00eandio no Ninho decorre n\u00e3o s\u00f3 do fato de que eles foram estrat\u00e9gicos, mas aponta que eles talvez nem se importem com as vidas daqueles garotos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Emitir uma nota oficial para renegar uma homenagem a Stuart Angel (ex-campe\u00e3o de remo pelo clube) alegando que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode tomar partido pol\u00edtico para logo em seguida associar a imagem do clube a um parlamentar que debochou do assassinato b\u00e1rbaro de uma vereadora rubro-negra e depois usar o perfil do clube nas redes sociais para divulgar a imagem de um pol\u00edtico ligado a mil\u00edcias e grupos de exterm\u00ednio (ainda que este seja presidente da Rep\u00fablica), ainda mais acompanhado de um membro do judici\u00e1rio comprometido por graves acusa\u00e7\u00f5es criminais, s\u00e3o evid\u00eancias mais do que claras de que os nossos dirigentes t\u00eam certeza de uma carta branca hipot\u00e9tica para fazerem o que quiserem. Do alto da sua prepot\u00eancia, eles acham que nada pode derrub\u00e1-los, macular suas imagens perfeitas, contestar suas certezas. Por\u00e9m, o grande mal de \u00cdcaro foi querer chegar perto demais do sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">No livro \u201cO estrangeiro\u201d de Albert Camus, o protagonista \u00e9 condenado \u00e0 morte por um crime que, de fato, cometeu. No entanto, o que leva o juiz a decretar a senten\u00e7a n\u00e3o foi o assassinato em si, mas os depoimentos de diversas testemunhas que apontaram o comportamento indiferente do homem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, aos sentimentos em geral e a forma como este tratava outras pessoas. O tribunal decidiu que ele era culpado n\u00e3o pelo que fez, mas por ter sempre projetado \u00e0 sociedade a imagem de exc\u00eantrico, antip\u00e1tico, antissocial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">A atual diretoria do Flamengo pode estar incorrendo no mesm\u00edssimo erro. Ao se mostrarem insens\u00edveis \u00e0 origem popular de sua torcida, \u00e0 hist\u00f3ria de luta e mem\u00f3ria de seus atletas e apoiarem figuras p\u00fablicas que v\u00e3o na contram\u00e3o de tudo isso, deixam transparecer a completa falta de conex\u00e3o com a realidade fora dos micro-ambientes elitizados que devem frequentar. Estas atitudes descabidas e sem sentido podem lev\u00e1-los a ser condenados publicamente por terem escrito um dos cap\u00edtulos mais tristes da hist\u00f3ria do Flamengo. Um cap\u00edtulo que vitimou dez meninos e que amea\u00e7a seriamente suas reputa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">O n\u00e3o cumprimento das demandas iniciais das autoridades e a maneira como conduziram as negocia\u00e7\u00f5es com as fam\u00edlias das v\u00edtimas podem ser vistos hoje sob uma perspectiva de quem v\u00ea seus diretores e vice-presidentes escolhendo um lado que despreza a humanidade e para quem vidas s\u00e3o descart\u00e1veis e pessoas s\u00e3o comodities. Esta constata\u00e7\u00e3o se torna ainda mais triste ao vermos que, por mais que os dirigentes devam ser responsabilizados pelos seus, a vergonha se abater\u00e1 sobre toda a torcida. Porque quando o Flamengo \u00e9 ferido por homens indignos como estes, somos n\u00f3s que sangramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><em><strong>* Carlos Fialho \u00e9 cronista e potiguar.\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/ladrilheiros\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Ladrilheiros\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ Por Carlos Fialho * ] N\u00e3o faz muito tempo que o Flamengo era fonte de constrangimento para sua torcida. 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