{"id":609,"date":"2015-01-30T00:20:44","date_gmt":"2015-01-30T00:20:44","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=609"},"modified":"2015-01-30T00:33:48","modified_gmt":"2015-01-30T00:33:48","slug":"agoniza-mas-nao-morre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/agoniza-mas-nao-morre\/","title":{"rendered":"Agoniza mas n\u00e3o morre."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Quando Nelson Sargento comp\u00f4s a obra-prima <em>Agoniza mas n\u00e3o morre<\/em>, no final da d\u00e9cada de setenta, o campeonato carioca era empolgante. E o Flamengo come\u00e7ava a p\u00f4r em campo o que viria a ser o melhor e mais vitorioso time da sua hist\u00f3ria \u2013 para infelicidade, ali\u00e1s, do grande Nelson, um sambista de primeira que que escolheu torcer por um time de segunda. Ningu\u00e9m \u00e9 perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00a0Trinta e poucos anos depois, d\u00e1 d\u00f3 e d\u00f3i demais ver o campeonato carioca trasformado em algo indigente e t\u00e3o esvaziado. Ao contr\u00e1rio do que aconteceu na Europa, nosso gosto pelo futebol foi alimentado pelas rivalidades entre vizinhos. L\u00e1, poucas cidades t\u00eam mais de um clube de peso. Mil\u00e3o, Londres, Manchester, Lisboa, mais uma ou duas. Aqui, tudo sempre foi de outro jeito. Igual a qualquer torcedor da minha gera\u00e7\u00e3o, comecei a gostar de futebol por causa da paix\u00e3o que o campeonato carioca provocava e de muitos dos seus momentos inesquec\u00edveis \u2013 tanto para o bem como para o mal. Entretanto, como diz um dos trechos de <em>Agoniza mas n\u00e3o morre<\/em>, \u201cMudaram toda a sua estrutura \/ Te impuseram outra cultura \/ E voc\u00ea n\u00e3o percebeu.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00a0H\u00e1 quem defenda o desligamento sum\u00e1rio dos aparelhos. Por conta de uma gigantesca e deliciosa mem\u00f3ria afetiva, tenho minhas d\u00favidas. \u00c9 for\u00e7oso admitir que as f\u00f3rmulas tentadas t\u00eam se revelado fr\u00e1geis, mas ser\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 nada a ser feito? O que sei \u00e9 que n\u00e3o podemos nos conformar com um campeonato carioca decidido no est\u00e1dio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, e com menos de 15 mil pessoas pagando ingresso. Aconteceu em 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00a0Fato \u00e9 que o carioquinha est\u00e1 a\u00ed batendo na porta, e n\u00e3o h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser ganh\u00e1-lo. Para n\u00f3s, rubro-negros, at\u00e9 pouco tempo ele ainda trazia o desafio de ser a \u00fanica competi\u00e7\u00e3o em que v\u00edamos um advers\u00e1rio carioca \u00e0 nossa frente. Mas o s\u00e9culo XXI se encarregou de acabar com a idiossincrasia. N\u00e3o precisamos mais virar o jogo, \u00e9 s\u00f3 administrar o resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00a0Apesar de nossa reconhecida humildade, n\u00e3o d\u00e1 pra n\u00e3o dizer que somos favoritos. A quest\u00e3o \u00e9 \u2013 e a\u00ed est\u00e1 a maior de todas as gra\u00e7as do futebol \u2013 que isso n\u00e3o representa grandes coisas. Por outro lado, cabe \u00e0 comiss\u00e3o t\u00e9cnica rubro-negra ser criteriosa o bastante para fazer exatamente o que deve ser feito nos momentos de escalar ou poupar, manter em campo ou substituir. Vale lembrar: ano passado, demos mole. Contundidos em uma partida do Brasileir\u00e3o que, \u00e0quela altura, pouco valia (contra a Chapecoense), L\u00e9o Moura e sua experi\u00eancia, Gabriel e sua porra-louquice fizeram falta na desastrosa elimina\u00e7\u00e3o para o Atl\u00e9tico Mineiro na semifinal da Copa do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00a0Sou p\u00e9ssimo para compreender e avaliar jogadas pol\u00edticas, mas tudo leva a crer que os estaduais t\u00eam resistido por conta dos interesses das federa\u00e7\u00f5es e da mentalidade tacanha de uns poucos grandes clubes \u2013 o que fica evidente na posi\u00e7\u00e3o adotada pelo Vasco na quest\u00e3o do tabelamento dos pre\u00e7os dos ingressos. Eurico Miranda pode carregar todos os defeitos do mundo, mas de bobo n\u00e3o tem nada. Ele sabe que o campeonato vai come\u00e7ar, seu fraqu\u00edssimo time vai ganhar da Cabofriense e do Madureira por quatro a zero, a torcida vai cantar que o campe\u00e3o voltou, a imprensa vai elogiar os 100% de aproveitamento obtidos na segunda rodada e todos fingir\u00e3o acreditar que tudo vai bem. A\u00ed chega a semifinal, acontece uma surpresa, \u00e9 lucro. Se perder, p\u00f5e a culpa no juiz e, como diz minha mulher, assim a vida vai fluindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00a0E assim segue, em estado terminal, o campeonato que j\u00e1 teve partidas com mais de 150 mil pessoas no est\u00e1dio e que contribuiu decisivamente para fazer do velho Maraca a pra\u00e7a futebol\u00edstica mais famosa do planeta. Pelo menos, ele segue embalado pelo belo samba de Nelson Sargento: \u201cAgoniza mas n\u00e3o morre \/ Algu\u00e9m sempre te socorre \/ Antes do suspiro derradeiro.\u201d<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Nelson Sargento comp\u00f4s a obra-prima Agoniza mas n\u00e3o morre, no final da d\u00e9cada de setenta, o campeonato carioca era empolgante. 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