{"id":5985,"date":"2019-05-27T11:27:16","date_gmt":"2019-05-27T11:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=5985"},"modified":"2019-05-27T18:35:04","modified_gmt":"2019-05-27T18:35:04","slug":"a-busca-da-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/a-busca-da-felicidade\/","title":{"rendered":"A Busca da Felicidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Se Tolstoi fosse brasileiro provavelmente teria morado na Tijuca e come\u00e7ado sua <em>magnum opus<\/em> com as frases Todos os flamenguistas felizes s\u00e3o iguais. Os infelizes o s\u00e3o cada um \u00e0 sua maneira. Os c\u00e1lculos ainda s\u00e3o meras estimativas, mas indicam que o ano m\u00e1gico de 2019 j\u00e1 despejou sobre as cabe\u00e7as rubro-negras, em menos de seis intermin\u00e1veis meses, a infelicidade prevista para os pr\u00f3ximos 50 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Vamos pular aquela parte em que listamos tudo que vem acontecendo de ruim com o Flamengo desde janeiro. Seria uma dor desnecess\u00e1ria e, ao menos no momento, facultativa. Bem diferente da dor provocada pelo futebol muquirana que o Flamengo tem apresentado semanalmente desde o pestilento ver\u00e3o de janeiro. Essa \u00e9 uma dor que n\u00e3o d\u00e1 pra escapar. E que \u00e9 a raz\u00e3o maior da infelicidade rubro-negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O futebol que o time do Flamengo joga \u00e9 triste. A crise t\u00e9cnica \u00e9 indisfar\u00e7\u00e1vel. Ainda que os seus resultados at\u00e9 proporcionem um discurso ufanista em coletivas, o que o Abel entregou na real sempre esteve muito abaixo do prometido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Como foi uma contrata\u00e7\u00e3o altamente controvertida, que dividiu a Na\u00e7\u00e3o, Abel vem sendo fritado pelas chamadas for\u00e7as ocultas (a sociedade civil organizada, vision\u00e1rios, profetas e os de boa mem\u00f3ria) desde antes de assinar o contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Pra reverter esse movimento, acabar com essa fritura, que faz parte do jogo, Abel s\u00f3 tinha um caminho: fazer o Flamengo jogar bola. N\u00e3o conseguiu. Obviamente, Crise na G\u00e1vea!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Flamengo vive uma crise. A crise nunca foi problema. O Flamengo come crise com manteiga no caf\u00e9-da-manh\u00e3 na G\u00e1vea. Ali\u00e1s, os dois \u00fanicos estados mentais conhecidos na Na\u00e7\u00e3o s\u00e3o a Crise e o Oba-Oba, em mai\u00fasculas. Os per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o entre um estado e outro s\u00e3o intervalos de tempo t\u00e3o \u00ednfimos que nem ganharam um nome pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Muitas das crises que assolam o Flamengo s\u00e3o abiog\u00eanicas, surgem do nada e desaparecem no \u00e9ter. Outras tem origem em fatores externos. Mas essa crise que estamos curtindo agora foi criada e tem sido adubada com not\u00e1vel dilig\u00eancia pela pr\u00f3pria Diretoria do Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Vamos conceder \u00e0 Diretoria, entidade ainda sem rosto definido e de organograma difuso, o beneficio de acreditarmos que ao escolherem Abel o fizeram com as mais nobres inten\u00e7\u00f5es. Beleza, tentaram e erraram, acontece toda hora com todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Mas, na moral, at\u00e9 os leigos perceberam, desde o Carioca, que o Abel tem um repert\u00f3rio t\u00e1tico paup\u00e9rrimo e que o time \u00e9 humano, rid\u00edculo, limitado e que s\u00f3 usa 10% da sua cabe\u00e7a animal. O pr\u00f3prio treinador afirma ter um elenco muito bom na palma da sua m\u00e3o. Mas \u00e9 s\u00f3 bl\u00e1, at\u00e9 agora n\u00e3o conseguiu fazer o time jogar um futebol eficiente. Fica dif\u00edcil at\u00e9 pros fan\u00e1ticos pelos processos baseados na continuidade administrativa livrarem a cara do Abel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A Diretoria em vez de encarar a realidade inc\u00f4moda e reagir ao que estava acontecendo preferiu assumir um compromisso com o erro e bancar o Abel. E agora todo jogo \u00e9 definido, acima de tudo, como um jogo que se o Flamengo perder o Abel cai. Ora, \u00e9 evidente que nesse astral n\u00e3o h\u00e1 como sair nada de positivo. \u00c9 desgastante pro clube, pro Abel, pros jogadores e pra torcida. Que j\u00e1 n\u00e3o consegue nem curtir direito uma vit\u00f3ria de virada tremendamente flamenga como o 3&#215;2 de ontem sobre o gen\u00e9rico paranaense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Torcer pro Flamengo hoje \u00e9 abandonar qualquer racionalidade, fechar os olhos para o que n\u00e3o \u00e9 belo, bom e justo e se abra\u00e7ar com a f\u00e9. Ontem o Flamengo fez tudo que estava ao seu alcance pra perder o jogo pros paranaenses. No finalzinho, sob vaias tonitruantes, achamos um gol no lusco fusco dos acr\u00e9scimos. Jogando com casa cheia contra os reservas do caras. A f\u00e9 se imp\u00f4s sobre a l\u00f3gica. Flamengo acima de tudo! Mas n\u00e3o d\u00e1 pra ser feliz assim. A esperan\u00e7a de ver o time jogando bem j\u00e1 foi quase totalmente esquecida, agora s\u00f3 desejamos manter a honra e a palha\u00e7adinha em n\u00edveis aceit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">N\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, j\u00e1 estivemos na mesma mis\u00e9ria aspiracional em v\u00e1rias ocasi\u00f5es. Mas a sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia era mitigada pela consci\u00eancia de que a falta de recursos era a grande respons\u00e1vel pela nossa infelicidade. Promovidos a ricos, na verdade novos-ricos, que exigem que as suas recompensas pelo simples fato de serem ricos sejam entregues de forma imediata, a consci\u00eancia da comovente pobreza dos nossos objetivos \u00e9 ainda mais angustiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Num mundo ideal ningu\u00e9m deveria ficar feliz quando algu\u00e9m perde seu trabalho. Mas se algu\u00e9m se torna um obst\u00e1culo no caminho em busca da felicidade, ele deve ser removido da maneira mais r\u00e1pida, humana e indolor poss\u00edvel. R\u00e1pida j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 mais, mas a Diretoria poderia abreviar a agonia de todos os envolvidos fazendo o seu trabalho em vez de ficar esperando que algum time advers\u00e1rio demita o Abel. Isso \u00e9 uma atitude desumana. Lembrem-se do Jayme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">As rela\u00e7\u00f5es entre o Flamengo e a felicidade s\u00e3o complexas e at\u00e9 merecem um estudo mais aprofundado por parte da ci\u00eancia. Acad\u00eamicos de Humanas, m\u00e3os \u00e0 obra. Mas at\u00e9 um leigo percebe que a maior li\u00e7\u00e3o que essa crise est\u00e1 proporcionando \u00e0 torcida do Flamengo \u00e9 a de que existe um limite para a satisfa\u00e7\u00e3o que os bens materiais trazem \u00e0s nossas vidas. A grandeza do Flamengo est\u00e1 nas for\u00e7as intang\u00edveis e nas coisas inquantific\u00e1veis. As coisas est\u00e3o no mundo. S\u00f3 que \u00e9 preciso aprender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se Tolstoi fosse brasileiro provavelmente teria morado na Tijuca e come\u00e7ado sua magnum opus com as frases Todos os flamenguistas felizes s\u00e3o iguais. Os infelizes o s\u00e3o cada um \u00e0 sua maneira. 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