{"id":5883,"date":"2019-05-15T18:41:07","date_gmt":"2019-05-15T18:41:07","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=5883"},"modified":"2020-06-11T22:46:34","modified_gmt":"2020-06-11T22:46:34","slug":"o-ultimo-grande-heroi-do-flamengo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/o-ultimo-grande-heroi-do-flamengo\/","title":{"rendered":"O \u00faltimo grande her\u00f3i do Flamengo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Acordem, benfeitores do universo rubro-negro, que vou (tum tum tum) render tributo aos meus her\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O verso de samba-enredo anterior me ocorreu outro dia no port\u00e3o E, a dois passos do para\u00edso, enquanto eu era prensado junto a centenas de irm\u00e3os flamengos que, inocentemente, procuravam entrar sem perrengue no Maracan\u00e3 para ver um jogo da Libertadores da Am\u00e9rica. <strong>\u201cU\u00e9, quer conforto?\u201d, bradou um alucinado, \u201cVira Botafogo, porra!\u201d<\/strong>. Eu at\u00e9 quis rir, meu maxilar \u00e9 que n\u00e3o encontrou espa\u00e7o. Ser flamengo \u00e9 ser her\u00f3i, aprende-se na primeira roleta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Foi na segunda catraca, no entanto, que se deu a magia, e pude presenciar um espet\u00e1culo memor\u00e1vel. Tudo porque o cart\u00e3o-ingresso do Biel n\u00e3o passou, algum problema magn\u00e9tico, e me pus de lado a esperar, observando os menos pontuais dos 60 mil torcedores presentes sendo lan\u00e7ados para dentro do Mario Filho. E que deleite, que deleite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A torcida rubro-negra \u00e9 um espet\u00e1culo sem pre\u00e7o, talvez a maior atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica carioca, ainda mais agora que fecharam o show da Plataforma no Leblon. E l\u00e1 fiquei eu a admir\u00e1-la \u2013 os jovens casais, a excurs\u00e3o de suecos, algu\u00e9m com um beb\u00ea de colo, velhos malandros como, olha ele ali, o seu Almyr, 70 anos de arquibancada, 200 opera\u00e7\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o, joelho, quadris, praticamente um Robocop a encarar, quase sempre sozinho, a rampa do Mario Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Busquei me posicionar melhor para admirar a prociss\u00e3o e, enquanto tr\u00eas zelosos policiais baixavam o cacete num rubro-negro (mais negro que rubro), notei um senhor que vinha, c\u00e9lere, impulsionando a pr\u00f3pria cadeira de rodas, Manto Sagrado orgulhoso no peito, ingresso na boca para mostrar na roleta. (Olha a\u00ed Adidas, n\u00e3o cabe lan\u00e7ar uma camisa do Flamengo com bolso?)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Logo atr\u00e1s dele, preocupados mais com a hora do jogo do que com o furdun\u00e7o e os roj\u00f5es l\u00e1 fora, surgiram no pique tr\u00eas adolescentes esbaforidos. Ela, ajeitando a cal\u00e7a; ele, conferindo o ingresso; e um terceiro, fazendo tudo isso ao mesmo tempo e ainda por cima empurrando o ch\u00e3o para mover seu skate, j\u00e1 que tinha algum tipo de paralisia nas pernas. Venceram a roleta, berraram um \u201cMeng\u00f4o\u201d e, mostrando entrosamento, come\u00e7aram a subir a ladeira juntos, com um dos amigos de motor de popa do skate, acelerad\u00edssimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Era tamanho o meu encanto pela nossa torcida, pelos jovens e velhos cora\u00e7\u00f5es desconhecidos que passavam, que tive dois estalos cruciais ali na hora: 1) A maior for\u00e7a de um clube de futebol segue em seus torcedores an\u00f4nimos; e 2) Cad\u00ea o Biel, caceta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Subi, sozinho e atrasado, rumo ao setor norte, e inspirado pela firmeza e f\u00e9 da magn\u00e9tica, comecei a listar mentalmente meus her\u00f3is prediletos da epopeia rubro-negra at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>\u201cAh, moleza: \u00e9 Zico e mais dez\u201d<\/strong>, disse eu para mim mesmo, provocando uma treta. N\u00e3o, primeiro \u00e9 preciso definir bonitinho o que \u00e9 ser her\u00f3i. \u201cHer\u00f3i\u201d, ensinou Luis Fernando Verissimo, \u201c\u00e9 o deus democr\u00e1tico, eleito pelos seus semelhantes, ao contr\u00e1rio do deus cl\u00e1ssico que j\u00e1 nasceu deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Meus her\u00f3is a seguir, portanto, s\u00e3o aquela &#8220;gente simples que ficou famosa e voltou a ser simples&#8221; (copyright Sidney Garambone); personagens que n\u00e3o chegaram ao olimpo flamengo habitado por deuses e semideuses como Adriano, Petkovic, Rondinelli e o ungido esquadr\u00e3o de 1981. Mas que tamb\u00e9m nos emocionam at\u00e9 hoje.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Valido, o febril<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00c9 talvez meu her\u00f3i preferido. Ex-Boca Juniors, Agust\u00edn Valido nasceu em 31 de janeiro de 1914 e terminou seus dias recebendo tapinhas nas costas e chopes de gra\u00e7a nos botecos do Leblon. \u201cO senhor sabe que subiu no ombro do Argemiro para cabecear, n\u00e9?\u201d, ouvia dos vasca\u00ednos. E ria, o gaiato. O gol consagrador foi o do tri estadual de 1944, aos 41 do segundo tempo, mas ele retornara de aposentadoria um jogo antes: no \u00e9pico Flamengo 6\u00a0a 1 Fluminense que mexeu at\u00e9 com nossos soldados na It\u00e1lia, pelo r\u00e1dio. O artilheiro parara de jogar em 1943 a pedido da mulher rec\u00e9m esposada, mas acatou o chamado, jogou a final com 39 de febre e marcou seu maior gol, festejado h\u00e1\u00a075 anos. Em 1995, em homenagem na G\u00e1vea, Zico n\u00e3o titubeou ao v\u00ea-lo, e ajoelhou-se aos p\u00e9s do velho \u00eddolo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Gustavo, o pioneiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Craca\u00e7o com nome de bar\u00e3o ou de cachorro basset, Gustavo Adolfo \u00e9 o her\u00f3i inaugural \u2013 o autor do primeiro gol flamengo, a 3 de maio de 1912. \u201cAinda est\u00e1 vivo na minha retina o momento em que marquei esse tento. Nunca me esqueci que, mal entrou a bola, uma multid\u00e3o, das varandas e janelas das casas de onde se via o campo do Am\u00e9rica, prorrompeu em vivas\u201d, disse Gustavinho a Jo\u00e3o Antero de Carvalho, no livro \u201cTorcedores de ontem e de hoje\u201d. O pioneiro, que no futuro seria banqueiro e presidente do clube (foi quem vendeu Le\u00f4nidas ao S\u00e3o Paulo, tendo recebido amea\u00e7as de morte e o escambau pela negocia\u00e7\u00e3o) dizia que nada em sua vida o emocionara mais que aquele gol. <strong>\u201cSenti-me como um her\u00f3i lend\u00e1rio. Para mim, vencera sangrenta batalha e j\u00e1 me via desfilando com uma coroa de louros, montando belo corcel, tal qual Napole\u00e3o nos seus melhores tempos!<\/strong> Jogando pelo Fluminense, marquei, \u00e9 verdade, muitos tentos; nenhum, por\u00e9m, teve o sabor daquele que foi escrito em letras de ouro na hist\u00f3ria de um clube de mundial renome\u2026\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Gilberto Cardoso, o sentimental<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O escritor Pongetti definiu: \u201cGilberto Cardoso foi v\u00edtima de um acidente sentimental. Os cardiologistas podem dar um nome complicado ao acidente reduzindo-o a um mero caso fisiol\u00f3gico. Eu acho que foi amor ao rubro-negro num cora\u00e7\u00e3o insuficiente, cora\u00e7\u00e3o de qualquer outro ser humano. Doen\u00e7a n\u00e3o havia: havia falta de espa\u00e7o\u201d. N\u00e3o foi numa final de basquete, mas aquele Flamengo e S\u00edrio em 25 de novembro de 1955 foi de fato eletrizante. Restando tr\u00eas segundos, Guguta arremessou quase do meio da quadra e virou para 45 a 44. O presidente, jovem aos 49 anos, disfar\u00e7ou, deu entrevista e saiu do Maracan\u00e3zinho dirigindo seu rabo de peixe. Morreu a caminho do Souza Aguiar. Seu vel\u00f3rio juntou 50 mil pessoas em caminhada, e ap\u00f3s o tri estadual, com direito a 4 a 1 no Am\u00e9rica (quatro gols do Dida), uma multid\u00e3o pulou o muro do S\u00e3o Jo\u00e3o Batista para botar a faixa no t\u00famulo do amado dirigente. Se n\u00e3o for para morrer assim, nem me chama, Z\u00e9 Maria.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Baiano, o remador<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u00c9 um marinheiro o primeiro her\u00f3i flamengo. <strong>Como atesta o nov\u00edssimo livro de Roberto Assaf, \u201cSeja no mar, seja na terra\u201d, os \u201cseis jovens remadores\u201d na realidade eram sete<\/strong> \u2013 o \u00faltimo era justamente o bravo Baiano, ou Joaquim Leovigildo dos Santos Bahia para os n\u00e3o \u00edntimos. Era domingo, 6 de outubro de 1895 \u2013\u00a0antes portanto da funda\u00e7\u00e3o do clube \u2013\u00a0e a embarca\u00e7\u00e3o Pherusa virou com seus sete c\u00e9lebres tripulantes, quando ia de Ramos \u00e0 praia do Flamengo. Baiano, bom nadador, deixou os companheiros agarrados ao casco e foi\u00a0buscar socorro, singrando mais de\u00a0dois quil\u00f4metros no bra\u00e7o at\u00e9 S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Como Assaf conta, variados barcos passaram pelos ilustres n\u00e1ufragos sem socorr\u00ea-los, o que mostra que desde o s\u00e9culo XIX o Rio j\u00e1 era cheio de patifes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-5887\" src=\"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Juan-e-Jonatha-Ventura.jpg\" alt=\"Juan e Jonatha Ventura\" width=\"955\" height=\"636\" srcset=\"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Juan-e-Jonatha-Ventura.jpg 955w, http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Juan-e-Jonatha-Ventura-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 955px) 100vw, 955px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong><br \/>\n* Jonatha, o menino do Ninho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Chamai-me de sentimental, mas ao ver a figura do zagueirinho Jonatha Cruz Ventura, 15 anos, correndo pelo Maracan\u00e3 no \u00faltimo t\u00edtulo estadual, com os longos bracinhos finos ainda chamuscados da trag\u00e9dia do Ninho do Urubu, vi ali um pequeno grande her\u00f3i, pronto para figurar no pante\u00e3o rubro-negro. N\u00e3o sei se, com seus dois metros de altura e seu cora\u00e7\u00e3o marcado pela perda dos dez amigos, ele ser\u00e1 um grande\u00a0jogador, nem estou ligando para isso. Sei que, quando o calor insuport\u00e1vel e a fuma\u00e7a escura tomaram conta do dormit\u00f3rio, e nosso heroico seguran\u00e7a arrombou a janela para resgat\u00e1-lo, Jonatha n\u00e3o foi em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, mas voltou-se para a cama onde seus amigos estavam, ato de bravura insuspeitada que quase lhe custou a vida. Foi puxado para fora, dos bra\u00e7os da morte, quando j\u00e1 desmaiava. Her\u00f3i pra caralho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Anselmo, o vingador<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Quem melhor exaltou Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Cardoso Anselmo Pereira, nascido em 20 de mar\u00e7o de 1959, foi Luiz Antonio Simas, em cr\u00f4nica sobre a Libertadores de 1981. No jogo de volta no Chile, como conta Simas, \u201cem um campo cercado por carabineiros da ditadura chilena, um zagueiro do Cobreloa, Mario Soto, distribuiu pancadas de fazer corar at\u00e9 o general Pinochet\u201d. Houve o terceiro jogo, no Uruguai, no est\u00e1dio Centen\u00e1rio. Zico meteu dois e o camisa 25, que completou 60 anos outro dia, saiu do banco para entrar para a hist\u00f3ria. Conta, Simas: \u201cO t\u00e9cnico Paulo Cesar Carpegiani chamou Anselmo, o centroavante reserva, e deu a ele a instru\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida da hist\u00f3ria do esporte bret\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">\u2013 Nem aquece. Entra l\u00e1 e d\u00e1 uma porrada no cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Com impressionante disciplina t\u00e1tica, Anselmo fez exatamente isso 30 segundos ap\u00f3s entrar em campo. O vingador rubro-negro deu um cruzado de direita em Mario Soto e levou o chileno a nocaute. (\u2026) Tenho sobre essa porrada uma tese irrefut\u00e1vel \u2013 ali, gra\u00e7as a Anselmo, as ditaduras latino-americanas que assombraram o continente durante a Guerra Fria come\u00e7aram a desabar\u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* L\u00ea, o tranquilo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Um her\u00f3i de tintas divinas nasce nas brigas desiguais, e aquele Flamengo x Palmeiras de 20 anos atr\u00e1s era uma batalha desse tipo. Sob comando do general\u00edssimo Felip\u00e3o, eles tinham Marcos no gol, Arce, Galeano, J\u00fanior, C\u00e9sar Sampaio, Alex, Zinho, Paulo Nunes, Euller e Edmilson, e pouparei voc\u00ea do nosso time. No primeiro jogo da final da Mercosul 1999, 4 a 3 para o Flamengo. No segundo, 3 a 3 em S\u00e3o Paulo e enfim um grande t\u00edtulo continental depois de 1981. M\u00e9ritos do imenso Carlinhos, que em sua \u00faltima substitui\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou o camisa 22 Leandro Coelho, que substitu\u00eda Rom\u00e1rio. \u201cL\u00ea\u201d, 20 anos, esbanjou frieza e aos 38 da etapa final, levou a bola, tabelou com Reinaldo, tocou magistralmente na sa\u00edda de Marcos e parou em campo, atarantado, achando que tinha matado no Rio o pai de cora\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil. \u201cChorei copiosamente, foi o gol da minha vida\u201d, recorda o ex-meia, que cultiva novo sonho: ver o filh\u00e3o Jo\u00e3o Gabriel, da base do Flamengo, ganhar um dia a Libertadores \u2013 com um gol heroico, quem sabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Angelim, o humilde<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Como uma na\u00e7\u00e3o que teve xerifes do naipe de Domingos da Guia, Reyes, Mozer e Aldair tem tempo para reverenciar o esfor\u00e7ado zagueir\u00e3o Angelim, nascido em 26 de novembro de 1975? Primeiro, por suas frases: \u201cProfessor, quero treinar mais\u201d, dizia sempre, ou o mantra \u201cA minha vaidade \u00e9 ver o Flamengo ganhar\u201d. Angelim \u00e9 o her\u00f3i dos gestos simples e cabe\u00e7adas eternas, como a do Hexa em 2009. Um Magro de A\u00e7o e chinelos de dedos, a eterna estampa da humildade rubro-negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><a href=\"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/DL78P2TX0AABmKv.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5890\" src=\"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/DL78P2TX0AABmKv.jpg\" alt=\"Jaime de Carvalho e a Charanga no Maracan\u00e3\" width=\"720\" height=\"562\" srcset=\"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/DL78P2TX0AABmKv.jpg 720w, http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/DL78P2TX0AABmKv-300x234.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Jaime e Laura de Carvalho, os chefes da alegria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Para dar uma ideia do gigantismo desse casal, basta dizer que n\u00e3o existiria a Ra\u00e7a Rubro-Negra, n\u00e3o existiria um Claudio Cruz nem um Moraes sem Jaime de Carvalho e Laura. Jaime foi o fundador da primeira torcida organizada do Brasil, qui\u00e7\u00e1 do planeta, quando em 1942 pegou uns instrumentos, vestiu a camisa listrada e saiu por a\u00ed. Dona Laura era quem organizava a bagun\u00e7a, que come\u00e7ou com 20 integrantes, e fazia as camisas, faixas e bandeiras da Charanga Rubro-Negra, como a turba foi apelidada por Ary Barroso. Antes de Jaime, torcedores se vestiam de ternos nos jogos, e s\u00f3 faziam barulho quando o time atacava \u2013 silenciavam quando vinham os oponentes. E os espectadores chegavam tranquilamente de bondes aos jogos. Jaime e Laura mudaram a hist\u00f3ria: lideravam a torcida em grandes caminhadas ao est\u00e1dio, o que certamente ajudou a aumentar a popularidade do Flamengo na cidade. Detalhe: na Charanga, era proibido gritar ofensas e palavr\u00f5es contra os jogadores \u2013 s\u00f3 valia torcer a favor. Grandes tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>* Vitinho, o abnegado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Poucos perceberam, mas Vitinho protagonizou, no Uruguai, um dos gestos de hero\u00edsmo mais sublimes da hist\u00f3ria do futebol rubro-negro. Um ato de profundo desprendimento e abnega\u00e7\u00e3o. O Flamengo precisava do empate contra o Pe\u00f1arol para se classificar, e cumpria seu papel com a defesa s\u00f3lida e uma dezena de chances criadas no ataque. Com um a menos em campo, o time se doava por inteiro no segundo tempo, num jogo coletivo de rara frieza e qualidade do Flamengo fora de casa \u2013 uma partida capaz de mudar o patamar do time na Libertadores. Foi quando Cu\u00e9llar quase p\u00f4s tudo a perder: aos 47, deixou Vitinho livre, sozinho para marcar, em lance f\u00e1cil para o atacante, como ele provou contra a Chapecoense. Enquanto corria o campo todo, Vitinho pensou quatro coisas: \u201c1) Se eu meto esse gol, o lance ser\u00e1 repetido em tudo que \u00e9 canto e v\u00e3o vender o Cu\u00e9llar, estamos lascados; 2) Se a bola entra, ningu\u00e9m vai falar da nossa zaga, da luta coletiva do escrete, e serei eleito her\u00f3i num jogo que n\u00e3o mere\u00e7o \u2013\u00a0e pior, algu\u00e9m vai acabar fazendo mais uma cr\u00f4nica mal escrita sobre os salvadores da p\u00e1tria rubro-negra; 3) Tem muito velhinho na nossa torcida, gol aos 47 n\u00e3o costuma terminar bem\u2026 4) Olha o goleiro saindo, coitado. Vou marcar, que se dane\u2026 Mas imagina se d\u00e1 briga com os uruguaios, aqui no campo e l\u00e1 na arquibancada. Isso pode ser um problema para nossa torcida aqui presente.\u201d E brilhou, tocando a bola magnificamente para escanteio, l\u00e1 quase na bandeirinha, levando o \u00e1rbitro a encerrar a partida e todos os flamengos comemorarem, juntos, unidos, sem falso individualismo e parcos brilhos solit\u00e1rios. Vitinho, o \u00faltimo grande her\u00f3i individual da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">E para voc\u00ea, leitor humild\u00e3o? Quem foi o seu maior her\u00f3i?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/marcelo\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Marcelo Dunlop\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acordem, benfeitores do universo rubro-negro, que vou (tum tum tum) render tributo aos meus her\u00f3is. O verso de samba-enredo anterior me ocorreu outro dia no port\u00e3o E, a dois passos do para\u00edso, enquanto eu era prensado junto a centenas de irm\u00e3os flamengos que, inocentemente, procuravam entrar sem perrengue no Maracan\u00e3 para ver um jogo da &#8230; <a class=\"read-more-link\" href=\"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/o-ultimo-grande-heroi-do-flamengo\/\">Read More <i class=\"ico-946\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":5886,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[99],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5883"}],"collection":[{"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5883"}],"version-history":[{"count":29,"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5972,"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5883\/revisions\/5972"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5886"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}