{"id":5783,"date":"2019-05-01T06:39:40","date_gmt":"2019-05-01T06:39:40","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=5783"},"modified":"2019-11-16T04:48:08","modified_gmt":"2019-11-16T04:48:08","slug":"so-ha-paz-na-vitoria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/so-ha-paz-na-vitoria\/","title":{"rendered":"S\u00f3 H\u00e1 Paz na Vit\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Sempre achei injusto e contradit\u00f3rio que nos 1\u00ba de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores, houvesse quem precisasse trabalhar. As mentes bin\u00e1rias e os praticantes do <em>whataboutism<\/em> ter\u00e3o que concordar que ou \u00e9 feriado pra todos ou n\u00e3o \u00e9 feriado pra ningu\u00e9m. Na Europa comemoram esse feriado desde o s\u00e9culo retrasado, mas aqui no Brasil s\u00f3 come\u00e7amos em 1917. Aparentemente ainda n\u00e3o tivemos tempo suficiente de entender o conceito de feriado em todas as nuances da sua aplicabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Muitos brasileiros, principalmente os patr\u00f5es brasileiros, entendem o trabalho n\u00e3o como um fator de produ\u00e7\u00e3o, ou como definiram os seguidores do Tio Karl, um elemento definidor da pr\u00f3pria dimens\u00e3o ontol\u00f3gica do homem, mas sim como um castigo do Criador, que imp\u00f5e ao homem expulso do para\u00edso a obriga\u00e7\u00e3o de ganhar o p\u00e3o com o suor do pr\u00f3prio rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Penalidade que deve ser supervisionada, remunerada e ter os lucros que produz usufru\u00eddos por aqueles que, na maior parte da vezes, a meritocracia, o<em> ius divinum<\/em> ou a brodagem, designaram como os nossos patr\u00f5es. Enfim, voc\u00eas conhecem essa m\u00fasica, \u00e9 a doutrina b\u00e1sica do sistema criado para comer carne humana aos pouquinhos durante longos per\u00edodos. E h\u00e1 muito tempo h\u00e1 quem defenda essa divis\u00e3o de tarefas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A certa altura do Henrique IV, Falstaff, um dos ador\u00e1veis malandros vivendo na aba da monarquia muito encontradi\u00e7os nas pe\u00e7as de Shakespeare, comentava com o Pr\u00edncipe Hal que \u201cSe todo dia fosse feriado, se divertir seria t\u00e3o entediante quanto trabalhar\u201d. Uma afirma\u00e7\u00e3o bastante discut\u00edvel mesmo em 1597, ano de estreia da pe\u00e7a. E ainda mais discut\u00edvel no dia de hoje, quando os grandes prejudicados pelas incompreens\u00f5es do verdadeiro esp\u00edrito do 1\u00ba de Maio s\u00e3o os laboriosos jogadores do Flamengo, que \u00e0s 4 da tarde enfrentam o Colorado l\u00e1 na capital do Uruguay del Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Jogos internacionais sempre s\u00e3o complicados pro Flamengo, em especial naqueles em que o deslocamento do time implica em cruzar as \u00e1guas do Mampituba, que separam a ex Prov\u00edncia Cisplatina de Santa Catarina, nosso estado mais meridional. Quem acompanha as perip\u00e9cias do Flamengo pelos campeonatos nacionais do mundo j\u00e1 sabe que, salvo quando vamos at\u00e9 l\u00e1 pra ganhar Campeonatos Brasileiros ou classifica\u00e7\u00f5es em mata-matas na casa do Gr\u00eamio, n\u00e3o costumam ser viagens das mais memor\u00e1veis. Desde os anos 60 j\u00e1 jogamos em Puerto Alegre contra o Internacional 36 jogos e em apenas 6 m\u00edseras vezes trouxemos de l\u00e1 uma vit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Ganhamos em 1969 pelo Robert\u00e3o com gols de Dion\u00edsio e Bianchini. Em 1971 ganhamos um amistoso safado com gol de Caldeira. 11 anos depois conseguimos um \u00e9pico 3 x 2 com gols de Zico, Reinaldo e V\u00edtor. Custou mais 17 anos para voltarmos a vencer l\u00e1, um 2 x 1 sofrido com gols de Leonardo In\u00e1cio e Leandro Piu Piu em 1999. Em 2002, um novo espanto no 3 x 1 com gols de Li\u00e9dson e Felipe Melo. Mas nada t\u00e3o espantoso quanto o nosso extraordin\u00e1rio triunfo de 2015, com um gol de Guerrero, que hoje sabemos que gol nem \u00e9 muito a dele, mas que naquele ent\u00e3o julg\u00e1vamos ser um implac\u00e1vel matador. E \u00e9 s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Um retrospecto bastante sofr\u00edvel. Que n\u00e3o deixa de ser mais um duro advers\u00e1rio a ser enfrentado por esse Flamengo de Schr\u00f6dinger que est\u00e1 dentro da cabe\u00e7a de Abel. Quando a caixa \u00e9 aberta tanto podemos ter um time besta como o que docilmente entregou suas rapaduras, pa\u00e7ocas e cocadas para a LDU na quarta-feira em Quito, como podemos ter o bestial arrebentador de s\u00e9ries invictas e doutrinador definitivo do Maracan\u00e3 que passou com as 4 rodas por cima do financeiramente enrolado Cruzeiro no s\u00e1bado \u00e0 noite. Haver\u00e1 lugar nesse mundo em que vivemos, em que o trabalho se precariza cada vez mais, para que o nosso Flamengo mesti\u00e7o e celetista traga das coxilhas mais uma rar\u00edssima vit\u00f3ria loira e dolicoc\u00e9fala arrancada aos Sem Drenagem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Tudo pode acontecer, inclusive nada. Nosso dever de rubro-negro, mesmo sendo feriado, \u00e9 esperar o melhor, estar preparado para o pior e n\u00e3o se surpreender com nada entre os dois extremos. Para n\u00f3s que n\u00e3o nos privaremos do desfrute do feriado o jogo de logo mais pode at\u00e9 ser s\u00f3 divers\u00e3o, mas pros jogadores, mesmo aqueles sem muita consci\u00eancia de classe, o jogo \u00e9 trabalho.<span class=\"ILfuVd\"> E como numa sociedade capitalista o trabalhador n\u00e3o disp\u00f5e dos meios de produ\u00e7\u00e3o para produzir o que necessita para sobreviver,\u00a0 a \u00fanica mercadoria que o trabalhador tem para vender \u00e9 a sua for\u00e7a de trabalho. A utiliza\u00e7\u00e3o racional dessa for\u00e7a, bem inalien\u00e1vel do ser humano, \u00e9 o que pode fazer a diferen\u00e7a no Beira-Rio.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Encerremos com um surrado conselho do amigo Nietzsche, que esperemos ter alguma utilidade para o time e para todos os irm\u00e3os rubro-negros que passar\u00e3o o 1\u00ba de Maio ralando: \u201cN\u00e3o vos aconselho o trabalho, mas a luta. N\u00e3o vos aconselho a paz, mas a vit\u00f3ria. Seja vossa paz uma vit\u00f3ria!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre achei injusto e contradit\u00f3rio que nos 1\u00ba de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores, houvesse quem precisasse trabalhar. 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