{"id":5741,"date":"2019-04-25T20:50:18","date_gmt":"2019-04-25T20:50:18","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=5741"},"modified":"2019-04-26T07:21:07","modified_gmt":"2019-04-26T07:21:07","slug":"mata-hari-tinha-um-peito-so","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/mata-hari-tinha-um-peito-so\/","title":{"rendered":"Mata-Hari Tinha Um Peito S\u00f3."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Todo flamenguista alfabetizado j\u00e1 deitou os olhos sobre a imortal cr\u00f4nica rodrigueana <strong>Flamengo Sessent\u00e3o<\/strong> pelo menos uma vez na vida. \u00c9 aquela da inesquec\u00edvel imagem da camisa do Flamengo aberta no arco como uma Bastilha inexpugn\u00e1vel. Na mesma monumental cr\u00f4nica o vate tricolor fala das paix\u00f5es e suic\u00eddios provocadas em 1911 por uma Mata-Hari com um seio s\u00f3 e da nostalgia dos quadris imensos de adolescentes de catorze anos pondo-se de perfil para atravessarem uma porta. Em refer\u00eancia \u00e0 nossa g\u00eanese nas regatas, Nelson menciona <em>en passant<\/em> uma camoniana tradi\u00e7\u00e3o n\u00e1utica rubro-negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Veja bem que n\u00e3o estou fugindo do assunto que realmente importa, a derrota na Libertadores. Mas n\u00e3o pretendo contribuir com o meu quinh\u00e3o de gasolina \u00e0 fogueira das certezas, vaidades e ignor\u00e2ncias que hoje arde na Na\u00e7\u00e3o. Estou vivendo aquele momento foda, de profundo questionamento sobre os meus pr\u00f3prios valores. Ser\u00e1 que dei mole de n\u00e3o ter comemorado o Campeonato Carioca? Terei oportunidade de erguer a ta\u00e7a da vit\u00f3ria ainda em 2019? Compartilho uma \u00fanica certeza, o Flamengo nasceu para nos fuder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A maior das minhas vontades era me aprofundar nos temas busto unilateral da Mata-Hari ou quadris gigantes das novinhas de outrora. Lamentavelmente, depois da noite macabra em Quito, o que temos pra hoje \u00e9 tentar entender que porra de tradi\u00e7\u00e3o camoniana \u00e9 essa que s\u00f3 o Nelson enxergou. Do alto da minha proverbial ignor\u00e2ncia para as sutilezas da literatura comentada s\u00f3 consigo perceber que o Flamengo, indiscutivelmente nascido sob o s\u00edmbolo da vit\u00f3ria, tem sua exist\u00eancia de gl\u00f3rias pontilhada por in\u00fameros naufr\u00e1gios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Que marcam nossa hist\u00f3ria desde o emblem\u00e1tico so\u00e7obro da baleeira Pheruza, o primeiro barco da flotilha rubro-negra, o afundamento da g\u00f4ndola veneziana emprestada \u00e0 revelia por Lucci Colas aos arruaceiros da Rep\u00fablica Paz &amp; Amor, ou outras trag\u00e9dias mais contempor\u00e2neas, como a derrota para o Santo Andr\u00e9 na Copa do Brasil, o funesto 3 x 0 do Am\u00e9rica do M\u00e9xico ou o previs\u00edvel sinistro com a nau da nossa insensatez regional na amaldi\u00e7oada noite de ontem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Nelson, que tamb\u00e9m possu\u00eda o dom da profecia, provavelmente nos atribuiu tra\u00e7os camonianos n\u00e3o pelas valentias pr\u00e9vias dos seis jovens remadores Pais da Na\u00e7\u00e3o <em>cortando os mares nunca doutrem navegados.<\/em> Mas por prever as fat\u00eddicas interven\u00e7\u00f5es do terr\u00edvel Adamastor, sempre a fustigar nossa <em>passagem pelas ondas insufridas, Eu farei d\u00c2\u2019improviso tal castigo, Que seja mor o dano que o perigo!<\/em>, com irritante regularidade. Convenhamos: \u2014 grande profeta! grande profeta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">S\u00f3 para que todos estejamos na mesma p\u00e1gina cabe o registro de que no Canto 5 d\u2019<strong>Os Lus\u00edadas<\/strong> o cicl\u00f3pico Cam\u00f5es nos conta do gigante Adamastor, um filho da deusa Gaia que se rebelou contra Zeus e foi jogado ao fundo dos mares. Tornando-se terr\u00edvel e vingativo guardi\u00e3o do Cabo das Tormentas, respons\u00e1vel pelas trag\u00e9dias que trouxeram duradoura m\u00e1 fama \u00e0 quebrada onde o Atl\u00e2ntico se encontra com o \u00cdndico. Onde o gigante exilado, segundo a mitologia, desfazia-se em l\u00e1grimas, as \u00e1guas salgadas que banhavam a conflu\u00eancia oce\u00e2nica, e revoltava-se sob a forma de uma tempestade que afundava as naus daqueles que ousavam cruzar seus dom\u00ednios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Creio que a perspic\u00e1cia natural do rubro-negro m\u00e9dio dispense a necessidade de tra\u00e7ar paralelos entre as figuras do nosso treinador Abel e do mitol\u00f3gico malfeitor das Tormentas, mas \u00e9 t\u00e3o precisa a descri\u00e7\u00e3o que Cam\u00f5es faz do gigante que n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de n\u00e3o glos\u00e1-lo: <em>T\u00e3o grande era de membros, que bem posso\/ Certificar-te que este era o segundo \/ De Rodes estranh\u00edssimo Colosso,\/ Que um dos sete milagres foi do mundo.\/ Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,\/ Que pareceu sair do mar profundo.\/ Arrepiam-se as carnes e o cabelo,\/A mi e a todos, s\u00f3 de ouvi-lo e v\u00ea-lo!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Arrepios das carnes e dos cabelos \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o vulgar, comum a todos que estavam vivos em 30 de junho de 2004, desde que se confirmou a contrata\u00e7\u00e3o de Abel. Sensa\u00e7\u00e3o que se repete a cada atua\u00e7\u00e3o do time, incapaz de alicer\u00e7ar suas vit\u00f3rias em algo al\u00e9m do talento individual de seus jogadores mais caros. Ap\u00f3s meses de treinamentos secretos e outras presepadas o time de Abel ainda luta para alcan\u00e7ar a mediocridade, demonstrada episodicamente apenas contra equipes ainda menos virtuosas que a nossa. Em tr\u00eas partidas decisivas o Flamengo fracassou, uma no Carioca e duas na Libertadores. As alega\u00e7\u00f5es que o time s\u00f3 perdeu tr\u00eas jogos s\u00e3o ofensivas \u00e0 nossa intelig\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">O que nem eu mesmo digo porque n\u00e3o gosto de ver escrito \u00e9 que o time do Flamengo \u00e9 uma merda. Mal treinado, previs\u00edvel e sem nenhuma capacidade de oferecer resist\u00eancia \u00e0s equipes providas de um m\u00ednimo de organiza\u00e7\u00e3o dentro de campo. <span class=\"css-76zvg2 css-16my406 r-1qd0xha r-ad9z0x r-bcqeeo r-qvutc0\" dir=\"auto\">O Santo Andr\u00e9 n\u00e3o ganhou a Copa do Brasil por acaso.<\/span> Nem \u00e9 o acaso o respons\u00e1vel pelo Flamengo ser um eterno caba\u00e7o na Liberta. O que eu n\u00e3o tenho mais saco pra dizer \u00e9 que o Abel n\u00e3o tem culpa alguma de ser quem ele \u00e9. Se culpa existe \u00e9 de quem o contratou desprezando seu hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">J\u00e1 n\u00e3o tenho mais nenhuma duvida de que Abel encarna o Adamastor do Flamengo. Afundando nossas naves e destruindo nossas ilus\u00f5es de refazer em triunfo o Caminho das \u00cdndias com suas pol\u00edticas de vesti\u00e1rio rasteiras, sua predile\u00e7\u00e3o anacr\u00f4nica pela disputa paroquial do carioqueta, sua voca\u00e7\u00e3o retranqueira, seus protegidos e sua injustificada autossufici\u00eancia. Caracter\u00edsticas j\u00e1 demonstradas no comando de outros times, mas que refletem fielmente a mentalidade da nossa elite dirigente. Que ainda est\u00e1 encalhada nos bancos de areia do s\u00e9culo passado, acreditando piamente na fal\u00e1cia da cobran\u00e7a com voz grossa e na infalibilidade de seus palpites leigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A \u00fanica vantagem em se ter raz\u00e3o \u00e9 ser um fudido consciente. N\u00e3o tem nenhuma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica na vida. Preciso outra vez chamar Cam\u00f5es, um f\u00e3 ardoroso do Vice Almirante Vasco da Gama, para me ajudar a fechar esse texto vazado em extremo emputecimento, sob o risco de amontoar improp\u00e9rios e choramingos que nenhum beneficio nos trar\u00e3o. Tirem suas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Aqui espero tomar, se n\u00e3o me engano,<br \/>\n<em> De quem me descobriu suma vingan\u00e7a.<\/em><br \/>\n<em> E n\u00e3o se acabar\u00e1 s\u00f3 nisto o dano<\/em><br \/>\n<em> De vossa pertinace confian\u00e7a:<\/em><br \/>\n<em> Antes, em vossas naus verei, cada ano,<\/em><br \/>\n<em> Se \u00e9 verdade o que meu ju\u00edzo alcan\u00e7a,<\/em><br \/>\n<em> Naufr\u00e1gios, perdi\u00e7\u00f5es de toda sorte,<\/em><br \/>\n<em> Que o menor mal de todos seja a morte!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo flamenguista alfabetizado j\u00e1 deitou os olhos sobre a imortal cr\u00f4nica rodrigueana Flamengo Sessent\u00e3o pelo menos uma vez na vida. \u00c9 aquela da inesquec\u00edvel imagem da camisa do Flamengo aberta no arco como uma Bastilha inexpugn\u00e1vel. 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