{"id":5003,"date":"2018-08-23T18:48:20","date_gmt":"2018-08-23T18:48:20","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=5003"},"modified":"2018-08-23T18:55:56","modified_gmt":"2018-08-23T18:55:56","slug":"amores-impossiveis-sao-eternos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/amores-impossiveis-sao-eternos\/","title":{"rendered":"Amores imposs\u00edveis s\u00e3o eternos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> <em><strong><strong>Por Marcos Alvito *<\/strong><\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Diante dele, a imensid\u00e3o. Indefin\u00edvel. Seria inacredit\u00e1vel. N\u00e3o estivesse o menino pisando a grama daquele campo onde cabiam todos os seus sonhos. Cresceu a admira\u00e7\u00e3o pelos deuses de chuteiras, naquele tempo pretas, austeras, recobertas de uma dimens\u00e3o sagrada, couro a ro\u00e7ar no couro, escrevendo hist\u00f3rias que ele passaria uma vida toda a ouvir, a contar, a imaginar. Hist\u00f3rias herdadas de seu pai, que ali mesmo viu o primeiro tricampeonato do Flamengo sobre nosso mais querido vice quando era um garoto de dezoito anos. Os olhos brilhavam ao falar do gol do argentino Valido que d\u00f3i neles at\u00e9 hoje. Foi este gramado da G\u00e1vea que deu a ele a dimens\u00e3o do inexplic\u00e1vel, da alegria e da tristeza, novamente na voz paterna a contar, como se fosse uma par\u00e1bola b\u00edblica, o par tr\u00e1gico composto pela goleada sobre a Espanha, seguida da derrota das derrotas em 1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Depois, a sua primeira ida ao Maracan\u00e3 para sofrer na carne um 4 a 1, abandonando o est\u00e1dio e seu time sob protestos, arrastado. Ali, a promessa, para sempre cumprida, de nunca, jamais, deixar de apoiar o Clube de Regatas do Flamengo at\u00e9 o fim, at\u00e9 esse apito final que \u00e0s vezes \u00e9 a senha para o carnaval ou o in\u00edcio de um rito f\u00fanebre. No futebol de bot\u00e3o, buscava as emo\u00e7\u00f5es que s\u00f3 existiam de verdade nos est\u00e1dios, quando depois do calv\u00e1rio da bilheteria se podia emergir diante do ret\u00e2ngulo verde desenhado de linhas brancas e com seu eterno jeito de enigma: nele tudo pode acontecer. Nem ao dormir dava descanso \u00e0 bola. Sonhava com a camisa dez, o est\u00e1dio lotado e o gol decisivo. Noite ap\u00f3s noite. Mas logo descobriu que sua paix\u00e3o pela bola n\u00e3o era correspondida. Amores imposs\u00edveis s\u00e3o eternos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Houve tamb\u00e9m aquele 6 a 0, devidamente comemorado pelos colegas alvinegros com as brincadeiras habituais, diante das quais ele brandiu um dedo e uma promessa: pagaremos com juros. Como os deuses s\u00e3o bons, foi mais do que recompensado. Houve aqueles que presenciaram a cria\u00e7\u00e3o da democracia ateniense e do teatro tr\u00e1gico, ou da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa em sua promessa de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ele os invejaria, caso n\u00e3o tivesse podido vivenciar, em domingos inesquec\u00edveis, o Flamengo de Zico. Trinta anos depois do desastre, a alma do Maracan\u00e3 era lavada em alegria pela massa rubro-negra, que retribu\u00eda as vit\u00f3rias com o show da arquibancada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">E ele era um garoto de vinte e poucos anos, livre de preocupa\u00e7\u00f5es. Exceto uma: Zico joga hoje? Joga sim. At\u00e9 hoje ele joga nesse campo que nunca termina, o \u00fanico vasto o suficiente para caber o meu amor pelo Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"><em><br \/>\n* Marcos Alvito \u00e9 professor de Hist\u00f3ria e escritor. \u00c9 autor de &#8220;As cores de Acari: uma favela carioca&#8221; e &#8220;A rainha de chuteiras&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/ladrilheiros\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Ladrilheiros\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcos Alvito * Diante dele, a imensid\u00e3o. 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