{"id":4545,"date":"2018-04-05T14:40:36","date_gmt":"2018-04-05T14:40:36","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=4545"},"modified":"2018-04-05T14:40:36","modified_gmt":"2018-04-05T14:40:36","slug":"passaralho-rubro-negro-pro-time-ou-pra-plateia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/passaralho-rubro-negro-pro-time-ou-pra-plateia\/","title":{"rendered":"Passaralho rubro-negro: pro time ou pra plateia?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Sou velho. Sempre que velhos se encontram para falar de Flamengo, l\u00e1 vem a lenga-lenga da falta de sangue e de ra\u00e7a, al\u00e9m da evoca\u00e7\u00e3o de um tal DNA rubro-negro que ainda n\u00e3o entendi exatamente o que seria. E a\u00ed, \u00e9 batata: junto com o tema, surge o nome do Liminha. Para os mais novos, Liminha foi um meio-campista que defendeu o Flamengo de 1968 a 1975. Dono de pouca t\u00e9cnica, lutava os noventa minutos, marcava implacavelmente, s\u00f3 parava de correr quando descia para o vesti\u00e1rio. Virou um s\u00edmbolo de amor \u00e0 camisa e dedica\u00e7\u00e3o ao clube. Entretanto, no dia do maior desgosto que eu j\u00e1 tive em um est\u00e1dio de futebol \u2013 15 de novembro de 1972, quando levamos uma chapuletada de seis a zero do Botafogo, no Maracan\u00e3 \u2013, Liminha estava em campo. Correu, marcou, lutou como sempre, e tomou de seis. E a\u00ed? <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Jogadores de futebol preservam caracter\u00edsticas que v\u00eam desde as primeiras peladas na rua, e n\u00e3o \u00e9 simples mud\u00e1-las. Corrige-se uma coisinha ou outra, apura-se algo aqui ou ali, s\u00f3 que o jeito de jogar e de entender o jogo, o car\u00e1ter, a fibra ou a falta dela, isso \u00e9 que nem catapora: ou se pega quando crian\u00e7a, ou raramente se pega depois. N\u00e3o adianta montar um meio-campo com M\u00e1rcio Ara\u00fajo e Ganso, querendo que o M\u00e1rcio Ara\u00fajo tenha a vis\u00e3o de jogo do Ganso e que o Ganso corra o que corre o M\u00e1rcio Ara\u00fajo. N\u00e3o h\u00e1 t\u00e9cnico ou esporro no vesti\u00e1rio que consiga, da\u00ed a necessidade de sabedoria e equil\u00edbrio na montagem do elenco.  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Quase quebrei a tev\u00ea quando Eduardo da Silva deu o toque de calcanhar safado no segundo gol do Atl\u00e9tico Mineiro, em nossa elimina\u00e7\u00e3o na semifinal da Copa do Brasil de 2014. E, de novo, quando Everton Ribeiro deu a ordin\u00e1ria letra que permitiu o contra-ataque do gol de empate do Independiente, na primeira partida da final da Sul-Americana no ano passado. Apesar disso, insisto no que escrevi em meu \u00faltimo post: n\u00e3o se trata de falta de ra\u00e7a, e sim da inexist\u00eancia de uma atitude vencedora \u2013 que se traduz em concentra\u00e7\u00e3o e seriedade. N\u00e3o vejo o Toni Kroos dar carrinhos, cabecear chuteiras advers\u00e1rias ou vibrar por ter interceptado um cruzamento. Por\u00e9m, bastam cinco minutos de jogo pra gente perceber o quanto ser\u00e1 dureza ganhar dele. H\u00e1 muita t\u00e9cnica, \u00f3bvio, mas tamb\u00e9m h\u00e1 postura. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Depois de tentar uma cavadinha e p\u00f4r a bola nas m\u00e3os de Dida, na disputa de p\u00eanaltis que tirou o Corinthians das semifinais da Copa do Brasil de 2013, Alexandre Pato n\u00e3o teve mais ambiente para seguir no clube \u2013 sofrendo press\u00f5es, inclusive, do pr\u00f3prio grupo de jogadores. Ningu\u00e9m est\u00e1 a fim de se matar, para um atacante popstar de cabelinho hipster atrasar a bola displicentemente para o goleiro advers\u00e1rio. No Flamengo, Diego perdeu um p\u00eanalti que nos daria a important\u00edssima vit\u00f3ria sobre o Palmeiras, no Campeonato Brasileiro de 2017, voltou a perder na disputa de p\u00eanaltis que nos tirou o t\u00edtulo da Copa do Brasil, e aposto o valor da minha aposentadoria \u2013 n\u00e3o d\u00e1 para fazer muita coisa, mas \u00e9 o que tenho a propor \u2013 que ele continuaria sendo nosso batedor oficial se Henrique Dourado n\u00e3o tivesse chegado. \u00c9 uma desagrad\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de que passamos a conviver bem com o fracasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Apesar de ter pisado feio na bola, no argumento do preconceito contra jogador nordestino e tamb\u00e9m nas compara\u00e7\u00f5es entre M\u00e1rcio Ara\u00fajo e Cu\u00e9llar e entre Alex Muralha e Diego Alves, Juninho Pernambucano disse algumas verdades inconvenientes. A escala\u00e7\u00e3o de Everton na lateral, menos para barrar Ren\u00ea e mais para permitir que Vinicius J\u00fanior entrasse desde o come\u00e7o, era um dos sonhos de consumo de boa parte da torcida. Trata-se de um caso t\u00edpico de mem\u00f3ria seletiva: lembramos que Everton jogou ali na arrancada para o t\u00edtulo do Campeonato Brasileiro de 2009, e esquecemos que o Flamengo atuava com tr\u00eas cabe\u00e7as de \u00e1rea. Maldonado, Airton e Willians eram os titulares, e se um deles ficasse de fora, Andrade lan\u00e7ava m\u00e3o de Tor\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Juninho tamb\u00e9m acerta quando afirma que os rubro-negros \u2013 dirigentes e torcedores, juntinhos \u2013 superestimam o elenco que t\u00eam. Chega um momento em que a m\u00e1scara cai, e percebemos que os laterais n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis, o miolo de zaga \u00e9 lento e do meio para a frente somos pouco incisivos. Como o futebol brasileiro se encontra nivelado por baixo, nossas defici\u00eancias n\u00e3o nos impedem de brigar por t\u00edtulos significativos. Para isso precisamos estar bem-treinados e, durante os noventa minutos de cada partida, manter a concentra\u00e7\u00e3o e o esp\u00edrito coletivo. Tarefas para um treinador eficiente. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Do come\u00e7o de 2013 at\u00e9 hoje, a diretoria capitaneada por Eduardo Bandeira de Mello, inicialmente com sua forma\u00e7\u00e3o titular e depois, na reelei\u00e7\u00e3o, desfalcada de quadros importantes, obteve in\u00fameros acertos na parte financeira e cometeu incont\u00e1veis equ\u00edvocos no futebol. Desses, dois s\u00e3o imperdo\u00e1veis: na primeira gest\u00e3o \u2013 ainda com Bap, Wallin e todos os autodeclarados bambamb\u00e3s \u2013, a irrespons\u00e1vel, desnecess\u00e1ria e at\u00e9 hoje n\u00e3o explicada escala\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Santos contra o Cruzeiro, que quase nos atirou aos bra\u00e7os da segunda divis\u00e3o; no atual mandato, o maior de todos os erros foi a passividade com que se conduziu o epis\u00f3dio da deser\u00e7\u00e3o de Reinaldo Rueda, que est\u00e1 na origem do rebuceteio da semana passada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Em junho de 2016, nosso presidente garantiu que era um absurdo o que o jornalista PVC escrevera em seu blog no UOL: a ideia de trazer Mozer para a ger\u00eancia de Futebol tinha nascido em um grupo de whats app de torcedores, administrado por Lucas M\u00e1rio, tamb\u00e9m conhecido por Orelha. Torcedor costuma misturar as bolas. O que o cara fazia dentro de campo \u00e9 diferente do que ele precisa fazer fora dele, seja como t\u00e9cnico, gerente ou o que for. R\u00e1pido exemplo: lateral med\u00edocre, Vanderlei Luxemburgo foi muito mais treinador do que J\u00fanior, o melhor lateral-esquerdo que vi jogar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ainda no UOL, gosto dos textos do Andr\u00e9 Rocha e de suas abordagens bastante t\u00e9cnicas. Uma de suas mais recentes postagens trouxe o seguinte t\u00edtulo: \u201cFlamengo \u00e9 administrado pelas redes sociais e n\u00e3o pode ser levado a s\u00e9rio.\u201d D\u00e1 para discordar? Reconhe\u00e7a ou n\u00e3o o presidente, a largada para a vinda de Mozer aconteceu nas redes sociais (de onde PVC iria inventar o Orelha?). Para que Everton Ribeiro pousasse no Ninho do Urubu, os torcedores o bombardearam de mensagens no instagram e no twitter. Diego Alves, idem. Rueda. Independentemente da qualidade dos nomes, h\u00e1 que se admitir que esse \u00e9 um modo estranho e pouco profissa de tocar os destinos rubro-negros.  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O Flamengo adquiriu o p\u00e9ssimo h\u00e1bito da procrastina\u00e7\u00e3o. Foi assim na demora para dispensar Wallace, que acabou abandonando o clube \u00e0s v\u00e9speras da estreia no Campeonato Brasileiro de 2016. Foi assim, tamb\u00e9m, na insist\u00eancia em renovar os contratos de M\u00e1rcio Ara\u00fajo e Gabriel. Na infinita paci\u00eancia com Rafael Vaz. Na teimosia com Z\u00e9 Ricardo \u2013 que embora tenha feito um bom trabalho por um certo per\u00edodo, viu se esgotar seu prazo de validade no comando do time. Ou seja: em vez de tomar as medidas a tempo e hora, espera-se que a bomba estoure. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Foi justo o siricutico de Ricardo Lomba? Pelo conjunto da obra, sim. Pela derrota para o Botafogo, n\u00e3o. Essa \u00e9 outra quest\u00e3o interessante: precisamos definir o que queremos cobrar. Quando o Campeonato Carioca come\u00e7a, esbravejamos que a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma bosta e reclamamos do presidente por n\u00e3o bancar escala\u00e7\u00f5es somente com os garotos da base. (Pouco importa o fato de termos contratos assinados com patrocinadores e com a Globo, isso aqui \u00e9 Flamengo, porra.) A\u00ed perdemos e o mundo acaba. N\u00e3o me parece dif\u00edcil sacar a ardilosidade euriqueana por tr\u00e1s das antiesportivas f\u00f3rmulas dos \u00faltimos estaduais: elas representam a \u00fanica possibilidade que o atual Vasco tem de ganhar um t\u00edtulo na temporada. Claro, com os pequenos cariocas cada vez mais \u00e0 m\u00edngua, a tend\u00eancia \u00e9 de que os quatro grandes cheguem \u00e0s fases decisivas, e a\u00ed as rivalidades hist\u00f3ricas se encarregam de reduzir os desequil\u00edbrios. Ca\u00edmos feito patinhos e alimentamos crises que legitimam a esperteza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Mudan\u00e7as eram necess\u00e1rias. O jeito como as coisas t\u00eam sido feitas \u00e9 que nos deixa com um ex\u00e9rcito de pulgas atr\u00e1s das orelhas: jogaram para o time ou para a plateia?<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou velho. 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