{"id":4169,"date":"2017-12-12T14:33:06","date_gmt":"2017-12-12T14:33:06","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=4169"},"modified":"2017-12-12T14:49:07","modified_gmt":"2017-12-12T14:49:07","slug":"bienvenidos-al-planeta-de-los-macacos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/bienvenidos-al-planeta-de-los-macacos\/","title":{"rendered":"Bienvenidos al Planeta de los Macacos."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Futebol \u00e9 muito bom, mas tamb\u00e9m \u00e9 um terreno maravilhoso pra quando algu\u00e9m quer ser idiota. Teve um pessoal que foi pra Buenos Aires torcer pro Flamengo e ficou muito puto com os torcedores do Independiente que os chamaram de macacos. A ofensa racista dos <em>boludos<\/em> nem \u00e9 in\u00e9dita, faz parte do pacote de quando jogamos com os times argentinos. Mas como neguim anda pilhada\u00e7o com a decis\u00e3o valendo ta\u00e7a e adora se aparecer, apertaram o bot\u00e3o da indigna\u00e7\u00e3o racial s\u00f3 um pouquinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">At\u00e9 que conferiu uma seriedade politicamente correta \u00e0 zoa\u00e7\u00e3o vulgar de sempre, o que n\u00e3o chega a ser uma vantagem. Principalmente porque \u00e9 uma hipocrisia do caralho a gente, que faz parte de uma das sociedades mais racistas do planeta, ficar dando xilique de pluralismo \u00e9tnico pra brigar com argentino e continuar a xingar os pretos locais de coisas bem piores que macaco. Tenho consci\u00eancia que branco falando sobre racismo \u00e9 como macho pontificando sobre dores de parto. Zero de empirismo e menos dez mil de relev\u00e2ncia. Mas vou me arriscar no tema por mais um paragrafo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Racismo \u00e9 basicamente ignor\u00e2ncia, uma variedade de discrimina\u00e7\u00e3o social baseada no conceito boc\u00f3 de que existem diferentes ra\u00e7as humanas e que uma \u00e9 superior \u00e0s outras. Neste assunto a \u00fanica diferen\u00e7a cientificamente confirmada entre os humanos \u00e9 que teve gente que foi educada pra ser racista, isto \u00e9 paradoxal, estudaram pra ser ignorantes, e gente que n\u00e3o. Discriminar racialmente n\u00e3o \u00e9 um instinto natural, n\u00e3o nasce com a pessoa, al\u00e9m de ser ignorante \u00e9 preciso tamb\u00e9m ser treinado pra isso. E nesse campo da ignor\u00e2ncia humana o argentino m\u00e9dio \u00e9 bem desenvolvido, sabe de nada. Mas n\u00e3o chega a ser um inocente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Mas n\u00e3o escorreguemos no piso molhado da hipocrisia, ignor\u00e2ncia extrema sobre os vizinhos \u00e9 uma duvidosa virtude que compartilhamos igualitariamente com os argentinos. N\u00f3s n\u00e3o temos a menor ideia de quem sejam esses caras que vem l\u00e1 de Avellaneda, arrabalde que tamb\u00e9m n\u00e3o temos a menor ideia de onde fique. Para n\u00f3s, brasileiros monoglotas, argentino \u00e9 tudo igual, falam com sotaque <em>porte\u00f1o<\/em>, n\u00e3o comem feij\u00e3o e s\u00e3o chatos pra caralho. Do Independiente ent\u00e3o, sabemos nada. Nem fazemos ideia que \u00e9 um time que nasceu da vontade de jogar de uns moleques que eram sempre barrados nos jogos do Maip\u00fa Banfield, um time amador dos fun\u00e7a da loja <em>A la ciudad de Londres<\/em>, no bairro Montserrat. Por que nos interessar\u00edamos por essa cultura in\u00fatil? Nos ufanamos da nossa ignor\u00e2ncia e a cultivamos como se fosse uma tulipa premiada. <em>Em esto tambi\u00e9m somos hermanos<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Assim como eles n\u00e3o fazem a m\u00ednima ideia de com quem eles est\u00e3o se metendo. O argentino olha pra gente como se n\u00f3s, brasileiros, flamenguistas, tocadores de repinique, fossemos um povo homog\u00eaneo composto por s\u00f3 um tipo de macaco. Desconhecem nossas nuances \u00e9tnicas e territoriais, s\u00e3o insens\u00edveis \u00e0 eufonia da nossa onom\u00e1stica e \u00e0 riqueza da nossa variedade dialetal. Os torcedores do Independiente olham pra Magn\u00e9tica e s\u00f3 conseguem ver o assustador monstro de 100 mil cabe\u00e7as que urra no Maracan\u00e3. N\u00e3o fazem ideia de que os seis jovens remadores que se enfiaram na baleeira Pheruza para enfrentar indomitamente a travessia da Baia da Guanabara no long\u00ednquo 1895 n\u00e3o estavam indo dar um rol\u00ea pra pegar as mina em Gragoat\u00e1. Eles estavam fundando uma Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Esses ot\u00e1rios que nos chamam de macacos nem desconfiam que logo abaixo da camada externa e unificadora de Flamengo, que aplaina as muitas diferen\u00e7as entre os brasileiros, sem, contudo, obliterar nossas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, est\u00e3o os mulambos, jagun\u00e7os que lutam at\u00e9 o final. V\u00e3o aprender a li\u00e7\u00e3o que ensina que o Flamengo \u00e9 apenas um etn\u00f4mino que designa um conjunto de povos organizados em m\u00faltiplas tribos pertencentes \u00e0 fam\u00edlia mulamba que se espalhou pela maior parte do Brasil a partir do fim do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Os ignorantes platinos n\u00e3o t\u00eam a menor no\u00e7\u00e3o de que o Flamengo \u00e9 a verdadeira na\u00e7\u00e3o dos mulambos, que a despeito da sua fluidez territorial possui caracter\u00edsticas de um Estado soberano, incluindo um hino e rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com embaixadas e consulados espalhados pelo mundo. Mas eles amanh\u00e3, l\u00e1 dentro do inferno rubro-negro, ouvindo aquele zumbido dentro da cabe\u00e7a, sentindo a casca do Maracan\u00e3 tremer, v\u00e3o entender porque o lema do Flamengo, que poderia perfeitamente ser <em>Non Ducor Duco<\/em> (N\u00e3o sou conduzido, conduzo), <em>Tuitio Fidei et Obsequium Pauperum<\/em>\u00a0(Defesa da f\u00e9 e assist\u00eancia aos pobres) ou <em>In Varietate Concordia<\/em> (Unidos na diversidade) \u00e9 o esclarecedor <em>Porra, Caralho, Vai Tomar no Cu! Quem Manda Nessa Porra \u00e9 a Torcida do Urubu,<\/em>\u00a0 que nos traduz muito melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Os alien\u00edgenas que chegaram antes ao Rio j\u00e1 est\u00e3o vivendo a atmosfera sufocante que a nossa virtual onipresen\u00e7a na cidade provoca. N\u00e3o tem pra onde o <em>hermano<\/em> correr. N\u00e3o d\u00e1 nem tempo pra se sentir amea\u00e7ado, quando perceberem j\u00e1 foram engolidos pelo monstro vermelho e preto e s\u00f3 lhes resta a esperan\u00e7a de serem mastigados com alguma miseric\u00f3rdia. Um sentimento nobre do advers\u00e1rio que duelistas experientes n\u00e3o devem, jamais, considerar como garantido. Ainda mais depois do inteligente investimento que eles fizeram neste relacionamento quando o Flamengo foi seu h\u00f3spede. Chegou a hora de resgatar as aplica\u00e7\u00f5es de curto prazo, <em>pelotudos<\/em>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Que esta visita ao Planeta dos Macacos seja leve, breve e desgra\u00e7ada para os argentinos. Porque no bonde da torcida do Flamengo \u00e9 certo que o ritmo vai ser pesad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Futebol \u00e9 muito bom, mas tamb\u00e9m \u00e9 um terreno maravilhoso pra quando algu\u00e9m quer ser idiota. 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