{"id":3619,"date":"2017-07-18T02:06:33","date_gmt":"2017-07-18T02:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=3619"},"modified":"2017-07-18T02:06:33","modified_gmt":"2017-07-18T02:06:33","slug":"falta-pouco-falta-so-o-messi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/falta-pouco-falta-so-o-messi\/","title":{"rendered":"Falta pouco. Falta s\u00f3 o Messi."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Flavio Loureiro \u00e9 um sujeito espetacular. Paulistano, casado com uma sobrinha de minha av\u00f3 por parte de m\u00e3e, pai de quatro primos muito queridos, Flavio \u00e9 gente boa toda vida e corintiano roxo. H\u00e1 mais de trinta anos ele me contou sobre a bela maneira como se deu seu batismo no incompar\u00e1vel mundo dos est\u00e1dios de futebol, e eu lembro com clareza da hist\u00f3ria e de toda a emo\u00e7\u00e3o dele ao narr\u00e1-la. Seu pai era portugu\u00eas, torcia para a Portuguesa de Desportos \u2013 um tima\u00e7o \u00e0 \u00e9poca \u2013 e escolheu um cl\u00e1ssico contra o Corinthians para levar o filho pela primeira vez ao campo. Com jogadores inexperientes e de qualidade t\u00e9cnica inferior, o Corinthians correu o tempo inteiro, lutou em cada pedacinho do gramado, n\u00e3o se intimidou, saiu para o jogo, construiu lances de perigo, fez o goleiro da lusa trabalhar, mandou bola na trave. Perdeu, mas o empenho e a garra fascinaram de tal maneira o ent\u00e3o menino Flavio, que naquele dia ele escolheu o clube para o qual torce apaixonadamente at\u00e9 hoje, aos oitenta e um anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Por ter acompanhado, no Maracan\u00e3, vit\u00f3rias empolgantes e t\u00edtulos memor\u00e1veis do Flamengo, jamais vou fazer a apologia da derrota. Entretanto, eu tamb\u00e9m presenciei algumas partidas e decis\u00f5es das quais sa\u00ed do est\u00e1dio triste com o resultado, por\u00e9m orgulhoso do que o time fizera. Perder ou ganhar \u00e9 do jogo, o importante \u00e9 que se lute o bom combate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> No comecinho da noite de s\u00e1bado eu estava em um bar, aqui em S\u00e3o Caetano, e a tev\u00ea mostrava a partida entre Corinthians e Atl\u00e9tico Paranaense. Embora sem acompanhar atentamente, foi poss\u00edvel perceber que o l\u00edder do campeonato n\u00e3o se encontrava num bom dia. Apesar disso, houve pelo menos duas \u00f3timas defesas de Weverton, teve bola que passou entre as pernas do goleiro e n\u00e3o entrou sabe-se l\u00e1 por qu\u00ea, bola que cruzou toda a extens\u00e3o da linha do gol, a um palmo dela, J\u00f4 e F\u00e1gner perdendo chances cara a cara, etc. Quer dizer: mesmo jogando mal, o time tenta, vibra, insiste, cai pra dentro, vai pra cima. As \u00faltimas apresenta\u00e7\u00f5es que vi do Palmeiras foram p\u00e9ssimas, mas em todas elas aconteceu mais ou menos a mesma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Corte r\u00e1pido para Cruzeiro e Flamengo se enfrentando no Mineir\u00e3o, ambos ocupando a parte superior da tabela. Cl\u00e1ssico do futebol nacional, reunindo dois dos quatro grandes clubes que jamais desceram \u00e0 segunda divis\u00e3o e somam nove t\u00edtulos do Campeonato Brasileiro, sete da Copa do Brasil e tr\u00eas da Libertadores. Havia, ainda, o inesperado est\u00edmulo trazido pelo empate do Corinthians no dia anterior. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Vamos ao jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Rafael Vaz domina livre na entrada da nossa \u00e1rea e se move com eleg\u00e2ncia, numa ginga que, caso Mestre Pastinha n\u00e3o estivesse morto h\u00e1 mais de trinta e cinco anos, agora o mataria de inveja. O movimento, lento, leva alguns preciosos segundos, que decerto ajudar\u00e3o a engordar nossa estat\u00edstica de posse de bola. Corpo aprumado, Vaz toca lateralmente at\u00e9 Ren\u00ea, a menos de quatro metros de dist\u00e2ncia. Ren\u00ea ergue a cabe\u00e7a, o que nos enche de \u00e2nimo, s\u00f3 que desiste de avan\u00e7ar e rola para M\u00e1rcio Ara\u00fajo. Como a bola sempre lhe queima os p\u00e9s e o assusta, nosso dedicado volante rapidamente a devolve a Rafael Vaz. N\u00e3o sa\u00edmos do lugar. Vaz repete o movimento, agora girando o corpo para o lado direito, e com uma pose danada empurra para seu companheiro R\u00e9ver. A\u00ed vem a emo\u00e7\u00e3o. Um atacante advers\u00e1rio se aproxima, e nosso capit\u00e3o recua a bola para o goleiro Thiago, que d\u00e1 um chut\u00e3o ao l\u00e9u \u2013 e ao l\u00e9u, no caso, \u00e9 sin\u00f4nimo de ao L\u00e9o, nome do zagueiro central cruzeirense. Bocejos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Todas as partidas de futebol, mesmo as mais emocionantes, t\u00eam lances como esse. O problema \u00e9 que o time vem abusando do direito de repeti-los, confrontando a nossa paci\u00eancia. Contra o Cruzeiro, jogadas semelhantes devem ter ocorrido, sei l\u00e1, quatro, cinco, seis vezes. Se o sujeito toma um gor\u00f3 a mais no almo\u00e7o, s\u00f3 mesmo o amor incondicional ao Flamengo o impede de adormecer no sof\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Tenho um amigo que implicava com o estilo do Barcelona na melhor fase recente do clube. Dizia ele: <em>\u201cQue tiqui-taca o cacete! \u00c9 tiqui pra c\u00e1, taca pra l\u00e1, taca pra c\u00e1, tiqui pra l\u00e1 e nada acontece, at\u00e9 que a bola chega no Messi. A\u00ed ele domina, n\u00e3o passa pra ningu\u00e9m, dribla tr\u00eas ou quatro, faz o gol e resolve.\u201d<\/em> N\u00e3o concordo com o argumento simplista, mesmo porque naquele time jogavam outros dois dos grandes que vi nesta d\u00e9cada \u2013 Xavi e Iniesta \u2013, mas a entrelinha do desabafo radical de Ram\u00f3n (esse \u00e9 o nome do meu amigo) traz algo que merece reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A posse de bola do Flamengo, in\u00fatil por n\u00e3o nos proporcionar boas chances em quantidade e n\u00e3o impedir que o advers\u00e1rio as crie \u2013 como vimos contra Gr\u00eamio e Cruzeiro \u2013, \u00e0s vezes se transforma em um cachorro girando em torno de si mesmo para tentar morder o pr\u00f3prio rabo. Tocamos, tocamos, tocamos, n\u00e3o chegamos a lugar nenhum e terminamos sem os tr\u00eas pontos, essenciais a quem pretende brigar pelo t\u00edtulo. J\u00e1 que n\u00e3o temos o Messi para resolver, cad\u00ea a vibra\u00e7\u00e3o, o destemor e a intensidade que, da mesma forma que influenciaram meu primo Flavio em sua op\u00e7\u00e3o pelo Corinthians, j\u00e1 fizeram com que milh\u00f5es de meninos e meninas escolhessem o rubro-negro para torcer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> N\u00e3o existe divers\u00e3o maior do que ver o Flamengo em campo. E como a expectativa \u00e9 sempre enorme, n\u00e3o h\u00e1 nada t\u00e3o decepcionante quanto ver o Flamengo jogar de um jeito mon\u00f3tono e improdutivo. Minto. H\u00e1 sim: ouvir Z\u00e9 Ricardo explicar, de forma racional e com argumentos quase cient\u00edficos, por que, mais uma vez, n\u00e3o jogamos bosta nenhuma.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Flavio Loureiro \u00e9 um sujeito espetacular. Paulistano, casado com uma sobrinha de minha av\u00f3 por parte de m\u00e3e, pai de quatro primos muito queridos, Flavio \u00e9 gente boa toda vida e corintiano roxo. 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