{"id":3556,"date":"2017-06-30T21:54:29","date_gmt":"2017-06-30T21:54:29","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=3556"},"modified":"2017-06-30T21:55:31","modified_gmt":"2017-06-30T21:55:31","slug":"a-ilha-da-nostalgia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/a-ilha-da-nostalgia\/","title":{"rendered":"A Ilha da Nostalgia."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> <strong>TEXTO DE MARCELO DUNLOP<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Jo\u00e3o M\u00e1ximo foi quem melhor definiu o triste destino do maior est\u00e1dio do mundo (1950\u20132017): \u201cO Maracan\u00e3 j\u00e1 foi do povo, tentou ser da elite e hoje \u00e9 de ningu\u00e9m\u201d, resumiu o mestre, em cr\u00f4nica publicada outro dia na revista \u201cSocialismo e Liberdade\u201d, editada pelo rubro-negro Cid Benjamin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Mas e a Ilha do Urubu, de quem seria? Bem, de todos menos alguns, como toda casa rubro-negra \u2013 ainda que por ora esteja abrigando alguns e n\u00e3o todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A pergunta que mais escutei essa semana, tirando \u201cVai me pagar n\u00e3o?\u201d, foi: \u201cE o novo est\u00e1dio na Ilha, que tal?\u201d. Pergunta assim t\u00e3o sum\u00e1ria tem que ter a necess\u00e1ria resposta, e respondo ent\u00e3o: \u00e9 um campo perfeito para os nost\u00e1lgicos, um lugar para voltar no tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> H\u00e1 quantos anos voc\u00ea n\u00e3o via o Flamengo ali t\u00e3o perto, as fei\u00e7\u00f5es dos craques t\u00e3o humanas, os gritos entre os jogadores t\u00e3o aud\u00edveis, sem falar no cangote do bandeirinha t\u00e3o pr\u00f3ximo de um elogio? A Ilha do Urubu, antigo \u201cEst\u00e1dio dos Ventos Uivantes\u201d, \u00e9 um convite tamanho aos sentidos que voc\u00ea quase deixa escapar o principal: o olfato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ah, o cheiro da grama! Os antigos cronistas falavam dele como uma d\u00e1diva dos jogos pr\u00e9-Maracan\u00e3, uma sensa\u00e7\u00e3o extinta para sempre. Mas ele existe na Ilha. Desci os degraus do setor norte, disfarcei, fechei os olhos e puxei o ar. E eu ent\u00e3o senti, sim, eu senti, o aroma doce da relva em meio \u00e0 noite fria da Ilha do Governador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Minha viagem no tempo n\u00e3o parou por a\u00ed (\u00e9, a cerveja tava boa). Lembrei que foi num cen\u00e1rio com propor\u00e7\u00f5es compat\u00edveis que o saudoso Jaime de Carvalho inovou, ao trocar o palet\u00f3 pela camisa rubro-negra id\u00eantica \u00e0s dos jogadores, e ao formar a famosa charanga, em 1942. Papo antigo, de tempos t\u00e3o remotos que nem existia uma ponte entre o Rio e a Ilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Nessas priscas eras, por sinal, um p\u00fablico de 14 mil torcedores, como na estreia de Flamengo x Ponte Preta de 14 de junho de 2017, era um n\u00famero bastante aceit\u00e1vel. \u00c9 verdade, irm\u00e3os flamengos e irm\u00e3s flamengas, nossa torcida j\u00e1 foi bem menor, mas era divertido. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Eram tempos em que a est\u00e1tua do descobridor portugu\u00eas Pedro \u00c1lvares Cabral, na Gl\u00f3ria, amanhecia decorada por r\u00e9stias de cebolas a metro, quando o Vasco perdia. Ou que o nosso goleiro Amado Benigno pulava o alambrado para sair na m\u00e3o com os torcedores do popular S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, em 1926, como atesta saborosa cr\u00f4nica do s\u00f3cio Henrique Teixeira de Macedo. Tempos em que a sede do clube, pasme, tinha somente uma ducha \u2013 e de \u00e1gua fria. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> (Mario Filho conta na b\u00edblia \u201cHist\u00f3rias do Flamengo\u201d, p\u00e1gina 132, vers\u00edculo 5, que certa vez Anibal Varges tentou convencer os demais flamengos a investir num chuveiro de \u00e1gua quente. Os remadores ent\u00e3o esperaram a noite e depositaram seis pedras gigantes de gelo na caixa d\u2019\u00e1gua. O pobre Anibal, claro, chegou l\u00e9pido e fagueiro para tomar seu banho matinal. Dizem que deu um berro t\u00e3o pavoroso que acordou o presidente logo ali no Pal\u00e1cio do Catete. Que del\u00edcia eram as tretas do s\u00e9culo 20.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Enfim, trata-se de um campo aconchegante que lembra a inf\u00e2ncia do Flamengo, e talvez por isso a molecada se sinta t\u00e3o bem por l\u00e1. Basta ver o Vinicius Junior que, com um len\u00e7ol e uma assist\u00eancia, fez sua melhor partida pelos profissionais, ajudando o time a quebrar sequ\u00eancia de quatro jogos sem vit\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Contudo, por mais que o moleque Vinicius se mostre valioso para a na\u00e7\u00e3o rubro-negra, h\u00e1 outros jovens que podem render muito mais ao Flamengo, um montante incalcul\u00e1vel, muito al\u00e9m dos parcos 45 milh\u00f5es de euros. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> S\u00e3o os garotos que sentam no banco, mas do nosso lado, na arquibancada. Como um amigo me demonstrou outro dia, por mais rubro-negro que sejamos, nenhum torcedor tem o pulm\u00e3o e a energia sequer pr\u00f3ximos daquela fatia de torcedores dos 15 aos 35 anos, muitos dos quais estudantes ou jovens mal-assalariados sem grana para bater ponto no est\u00e1dio, ainda mais com os pre\u00e7os cobrados hoje em dia. (Na faixa et\u00e1ria de cima, o cara pode ter o gog\u00f3 de um bar\u00edtono ou batucar como um mangueirense, mas normalmente est\u00e1 ocupado com um copo cheio na m\u00e3o, o que atrapalha tudo.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Como torcedores, ficamos agora na torcida para que o Flamengo crie logo um setor para os rubro-negros menos abonados, estudantes, biscateiros, assim como anunciou agora o Internacional, que vai credenci\u00e1-los a partir de um simples comprovante de renda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> E a\u00ed sim, com o est\u00e1dio repleto e reverberando em cima dos rivais, sentiremos n\u00e3o mais saudade ou nostalgia, mas a alegria de fazermos parte da bonita hist\u00f3ria do clube, numa Ilha do Urubu do povo, da elite e de todo mundo, como o Flamengo sempre foi e sempre ser\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> <em>PS: Ta\u00ed no que deu essa hist\u00f3ria de empoderamento feminino. Nivinha e Vivi tomando conta do blog e jogando pelo time todo. Para n\u00e3o perder de zero, e honrar a classe, recorremos uma vez mais ao delicioso estilo de Marcelo Dunlop. O texto \u00e9 dele, meu nome s\u00f3 est\u00e1 l\u00e1 em cima de enxerido.<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO DE MARCELO DUNLOP Jo\u00e3o M\u00e1ximo foi quem melhor definiu o triste destino do maior est\u00e1dio do mundo (1950\u20132017): \u201cO Maracan\u00e3 j\u00e1 foi do povo, tentou ser da elite e hoje \u00e9 de ningu\u00e9m\u201d, resumiu o mestre, em cr\u00f4nica publicada outro dia na revista \u201cSocialismo e Liberdade\u201d, editada pelo rubro-negro Cid Benjamin. 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