{"id":3277,"date":"2017-03-18T07:04:33","date_gmt":"2017-03-18T07:04:33","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=3277"},"modified":"2017-03-18T07:27:43","modified_gmt":"2017-03-18T07:27:43","slug":"a-noite-que-fiz-amor-com-o-flamengo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/a-noite-que-fiz-amor-com-o-flamengo\/","title":{"rendered":"A noite que fiz amor com o Flamengo."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Amar o Flamengo ultrapassa qualquer entendimento. Como o viver. E quando voc\u00ea acha que ao longo da sua hist\u00f3ria com ele tudo j\u00e1 foi experimentado, at\u00e9 a \u00faltima ponta, \u00e9 exatamente nesse momento que acontecem as coisas mais sublimes. Uma viagem. Um jogo. Uma vit\u00f3ria \u00e9pica. Um gol antol\u00f3gico. Um novo amor. Tudo isso naquele exato tempo em que voc\u00ea determinou que nada mais de especial, \u00fanico, inacredit\u00e1vel ou interessante poderia acontecer no seu existir e sentir Flamengo. A n\u00e3o ser um novo t\u00edtulo mundial, claro. Ou ainda, o pr\u00f3ximo e obrigat\u00f3rio resultado positivo no jogo da Libertadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Escrevo no intervalo de tempo entre uma vit\u00f3ria arrebatadora e uma derrota injusta. Escrevo para falar sobre a minha primeira noite de amor com o Flamengo. Daquelas que voc\u00ea volta para casa de manh\u00e3, toma caf\u00e9 na padaria, fala pouco e suspira muito. Eu sofro de Flafilia. Fla [Flamengo] \u201cpaix\u00e3o\u201d, \u201cvida\u201d, e \u03c6\u03b9\u03bb\u03af\u03b1 [fil\u00eda], &#8220;amor&#8221;. Eu, meus 11 leitores e a torcida do Flamengo. Escrevo para contar que o templo dessa noite de amor gostoso com o Mais Querido do Brasil foi o lugar mais prop\u00edcio para os seus amantes, o Maracan\u00e3. Escrevo pra narrar o tempo que passei colaborando na montagem de mais um mosaico, e que precisei virar a noite sendo volunt\u00e1ria na organiza\u00e7\u00e3o da festa. Afinal, Isso aqui \u00e9 Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Cheguei no Maraca por volta das 21h30. Aos poucos, foram surgindo dezenas de torcedores que seriam testemunhas daquela noite. Disposta a dedicar apenas &#8220;algumas horinhas&#8221; para ajudar o Flamengo. Nessa rela\u00e7\u00e3o s\u00f3 o amor basta. Queremos mais e mais e mais dele, por ele, com ele. S\u00f3 quem ama entende. A montagem exige uma dedica\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o que s\u00f3 os deuses e magos do mosaico explicam. E n\u00f3s, mortais, executamos. E eu estava ali para amar o Flamengo incondicionalmente. De corpo e alma. No Amor e no Flamengo, vale tudo? E ent\u00e3o, assumi logo minha posi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o teve varia\u00e7\u00e3o. Passei a noite toda colando as placas brancas, com as letras que formam a frase do mosaico, nos bancos. Nada podia dar errado. Nem o vento, nem a chuva, nem o cansa\u00e7o, nem o des\u00e2nimo. Eu estava cercada de rubro-negros por todos os lados, mas, nessa fun\u00e7\u00e3o, passava horas sozinha, colando, colando, colando e suspirando, colando e gemendo, colando e tendo prazer com o Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Da hora que cheguei at\u00e9, exausta, prender a \u00faltima plaquinha, revisitei minha rela\u00e7\u00e3o com o Flamengo. Logo, a minha vida. Passei pelo lugar que assisti os jogos durante toda a minha hist\u00f3ria no Maracan\u00e3. Me vi menina, brincando de tobog\u00e3 na arquibancada. Me vi procurando o primeiro amor plat\u00f4nico ali na sa\u00edda do t\u00fanel. <em>\u201cPresta aten\u00e7\u00e3o no jogo, VI VI A NE. T\u00e1 procurando quem?\u201d<\/em> <em>\u201cT\u00f4 &#8216;prestano&#8217; pai, t\u00f4 &#8216;prestano&#8217; \u201d<\/em>. Me vi mulher. Ciente dos meus direitos. Do meu espa\u00e7o. Empoderada do meu lugar na arquibancada tantas vezes machista e preconceituosa. Me vi de p\u00e9. Cabe\u00e7a erguida. Torcedora do Flamengo. Refiz as jogadas que me marcaram. Lembrei de derrotas que me destru\u00edram. E das vit\u00f3rias que me fizeram nascer de novo. Durante toda a noite, um turbilh\u00e3o de sentimentos rubro-negros. De hist\u00f3rias. De pessoas. De amigos. De AMOR. Uma hora eu chorei sozinha enquanto prendia as placas. Chorei de amor pelo Flamengo. E a chuva apertou. E as l\u00e1grimas se misturaram. Como naqueles jogos que assistimos debaixo do temporal. Sem sair do lugar. Em outros momentos, eu ria de prazer. E por um instante, ao colar uma placa, gritei&#8230;\u00c9 gol! Gol! Gol porra! E voltei a chorar. Conversei com meu pai no c\u00e9u rubro-negro. Expliquei que estava ali por amor. Um amor dele. Que era meu. E de todos que estavam ali. E de milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Avan\u00e7amos na madrugada. De repente, tr\u00eas da manh\u00e3. Fazer amor com o Flamengo faz a gente esquecer do tempo. Mas, nessa hora, eu j\u00e1 estava entregando os pontos. E comecei a me achar ultrapassada demais para aquilo. Prendia uma placa e repetia:\u00a0<em>\u201co que estou fazendo aqui?\u201d<\/em>. Era nesse momento que a for\u00e7a da arquibancada me refazia,como em todas outras vezes, tantos jogos. Prendia mais uma placa, e dizia, <em>\u201cnossa, estou muito bem\u201d, \u201cestou em forma\u201d, \u201cs\u00e3o tr\u00eas da manh\u00e3 e estou aqui, de p\u00e9, firme, cantando o hino do Flamengo\u201d, \u201csou uma garota\u201d<\/em>, quando de repente, ou\u00e7o o grito ecoando do anel superior: <em>\u201cTia, tia, me arruma mais fita?\u201d<\/em> PUTAQUEPARIU. Tenho vontade de jogar aquela merda de rolo na cabe\u00e7a dele. Sexo animal com o Flamengo. Quero dar na cara dele. E l\u00e1 vou eu de novo,<em>\u00a0\u201co que estou fazendo aqui?\u201d<\/em>, at\u00e9 olhar para o lado e ver aquele povo lutando contra o sono, o cansa\u00e7o, gente que deixou fam\u00edlia em casa, filhos, esposas, maridos, a cama quentinha, o ar-condicionado, uma boa noite de sono, para fazer amor com o Flamengo. Em grupo. Eu sabia o que estava fazendo ali. E por quem e com quem eu estava. E isso me bastava. Me preenchia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">De repente, encaro o placar e n\u00e3o vejo o resultado. Nem a escala\u00e7\u00e3o. Mas o SOL nascendo. Eu estava entregue. Recebo um olhar de cumplicidade. O amor chegou e eu n\u00e3o resisti. E a madrugada acalentaria a nossa paz. Fica \u00f3 brisa. Fica. O inesperado me fez uma surpresa. Volto pra casa sozinha. O tr\u00e2nsito intenso aquela hora da manh\u00e3 me faz sair da rota. Exausta me deparo com um menino de rua com um caco de vidro na m\u00e3o vindo na minha dire\u00e7\u00e3o. Corro. Corro. Corro. Mais que a bola. Mais que os jogadores. Enfrento meus drag\u00f5es. Escapo. Horas depois estou de volta ao meu ninho de amor. Quero mais. E ele n\u00e3o me decepciona. Convicta que o gol \u00e9 o orgasmo do Futebol, agrade\u00e7o ao Flamengo por meter quatro naquela noite. Come\u00e7aria tudo outra vez, se preciso fosse meu amor. <strong>Foi muito bom pra mim<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Pra voc\u00eas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">Paz, Amor e Orgasmos Rubro-Negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\">PS: Te dedico, Bb.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amar o Flamengo ultrapassa qualquer entendimento. Como o viver. E quando voc\u00ea acha que ao longo da sua hist\u00f3ria com ele tudo j\u00e1 foi experimentado, at\u00e9 a \u00faltima ponta, \u00e9 exatamente nesse momento que acontecem as coisas mais sublimes. Uma viagem. Um jogo. Uma vit\u00f3ria \u00e9pica. Um gol antol\u00f3gico. Um novo amor. 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