{"id":3118,"date":"2017-01-18T21:11:53","date_gmt":"2017-01-18T21:11:53","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=3118"},"modified":"2017-01-18T21:11:53","modified_gmt":"2017-01-18T21:11:53","slug":"pra-que-tanta-brabeza-moco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/pra-que-tanta-brabeza-moco\/","title":{"rendered":"Pra que tanta brabeza, mo\u00e7o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Mineirinho tinha uma tremenda fama de comil\u00e3o. Feia, bonita, magra, gorda, branca, negra, baixinha, altona. Bobeou, ele tra\u00e7ava. Diz que, em certa noite de viagem longa, Mineirinho chegou exausto a uma pousada de beira de estrada, mas o rapaz da recep\u00e7\u00e3o avisou que n\u00e3o havia quarto vago. Quer dizer: em um dos dormit\u00f3rios com duas camas de solteiro, uma delas estava vazia, mas o outro ocupante era um cara grandalh\u00e3o e brabo toda vida, desses bem machos. Mineirinho respondeu que por ele tudo bem. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Para o Mineirinho n\u00e3o correr riscos quando chegasse l\u00e1 em cima, o rapaz da recep\u00e7\u00e3o interfonou para o mach\u00e3o, que chiou, xingou, mas aceitou os argumentos do cansa\u00e7o, da humanidade, do sujeito pacato e tal. Mineirinho subiu. Assim que abriu a porta do quarto, o espet\u00e1culo come\u00e7ou. Deixando claro quem mandava naquela espelunca, o mach\u00e3o socou o arm\u00e1rio, virou a mesa de pernas pro ar, tacou abajur no ch\u00e3o. E Mineirinho parado na porta, tranquilo, cofiando os tr\u00eas fiapos de barba que trazia no queixo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Quando acabou de tocar o zaralho, o mach\u00e3o amea\u00e7ou, voz grave: \u2013 E a\u00ed, t\u00e1 olhando o qu\u00ea? E o Mineirinho: \u2013 Nada n\u00e3o. T\u00f4 s\u00f3 esperano oc\u00ea termin\u00e1 esse frege todo, pra eu pod\u00ea enrab\u00e1 oc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A inocente piada faz parte de um dos livros da s\u00e9rie <em>As Anedotas do Pasquim<\/em>, que o rubro-negro Ziraldo editava e eram publicados na d\u00e9cada de setenta pela <em>Codecri<\/em> \u2013 acr\u00f4nimo de <em>Comit\u00ea de Defesa do Crioul\u00e9u<\/em>, nome incorret\u00edssimo para os dias atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ontem, enquanto lia o post do PVC no <em>UOL<\/em> sobre a entrevista coletiva de apresenta\u00e7\u00e3o de Felipe Melo no Palmeiras, me lembrei da hist\u00f3ria do Mineirinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Quest\u00e3o de ordem. Gosto do Felipe Melo, e o que critico nele \u00e9 o que todos criticam: o destempero. No futebol a trezentos por hora que se pratica hoje, com marca\u00e7\u00e3o o tempo inteiro e em cada cent\u00edmetro do gramado, ficar com um a menos em partidas equilibradas \u00e9 quase sempre mortal. E n\u00e3o me venham com esse papo de que Felipe Melo amadureceu. Certas caracter\u00edsticas n\u00e3o mudam, como prova a entrevista coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Outro papo que n\u00e3o engulo \u00e9 esse de que Libertadores se disputa com cascudos. Vanderlei Luxemburgo encheu o time do Gr\u00eamio de cascudos na Liberta de 2013 (Dida, Cris, Andr\u00e9 Santos, Z\u00e9 Roberto, Elano, Barcos, Kleber Gladiador), passou raspando pela fase de grupos e foi eliminado nas oitavas pelo colombiano Santa F\u00e9. Ano passado o S\u00e3o Paulo trouxe Maicon e o treinador Edgardo Bauza quase que exclusivamente para a Libertadores, e dan\u00e7ou por erros infantis dos dois. Maicon \u2013 que n\u00e3o \u00e9 mau zagueiro, mas tamb\u00e9m gosta de fazer o g\u00eanero mais macho que os outros \u2013 foi expulso por um tapinha de pr\u00e9-prim\u00e1rio no atacante Borja, quando a primeira partida da semifinal contra o Atl\u00e9tico Nacional, no Morumbi, estava zero a zero. E Bauza \u2013 macaco velho, copeiro esperto, ganhador de duas Libertadores com times meia-boca \u2013, em vez de recompor a zaga, segurar o empate e transferir a decis\u00e3o para Medell\u00edn, mandou o time pra cima, tomou dois gols e viajou eliminado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Felipe Melo \u00e9 bom jogador e eu gostaria que ele tivesse vindo para o Flamengo. Mesmo porque, vamos combinar: para jogar no lugar do nosso volante titular, eu gostaria que viesse qualquer coisa que respire e olhe pra frente. Como veio o R\u00f4mulo, que fez \u00f3tima temporada naquele Vasco de 2011, tudo certo. Creio que o Flamengo teria boas chances de brigar pela Libertadores se tivesse trazido Felipe Melo, como tem boas chances de brigar pela Libertadores sem ele. O mesmo racioc\u00ednio vale para o Palmeiras. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Um pouco depois da morte de Carlos Alberto Torres, no ano passado, Arthur Dapieve escreveu uma bela cr\u00f4nica em <em>O Globo<\/em> sobre a import\u00e2ncia de uma cacetada do capit\u00e3o no atacante ingl\u00eas Lee, ainda na fase de grupos da Copa de 70. A entrada fora uma resposta a um lance ocorrido poucos minutos antes, em que Lee atingiu o goleiro F\u00e9lix com um chute. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Dapieve est\u00e1 cheio de raz\u00e3o, o que n\u00e3o torna meu post contradit\u00f3rio. Todo mundo sabe que, no futebol, apanhou tem que bater, para n\u00e3o apanhar o jogo inteiro. Quem n\u00e3o concorda \u00e9 locutor coxinha, comentarista de linha de passe. S\u00f3 que \u00e9 fundamental usar de mal\u00edcia e sagacidade. Um cara que sempre seguiu \u00e0 risca a m\u00e1xima do \u201cbateu, levou\u201d foi, apenas e simplesmente, o senhor Edson Arantes do Nascimento. Apanhava, batia. E como apanhava muito, batia feito gente grande. No entanto, da mesma forma que Carlos Alberto, Pel\u00e9 n\u00e3o avisava. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Felipe Melo foi juvenil, falastr\u00e3o, deixou a bola quicando para advers\u00e1rios que de bobos n\u00e3o t\u00eam nada e abriu os olhos dos ju\u00edzes, bem capazes de ir cumpriment\u00e1-lo antes dos jogos j\u00e1 com o cart\u00e3o amarelo na m\u00e3o. Como se dizia na \u00e9poca do <em>Pasquim<\/em>: malandro que \u00e9 malandro demais se atrapalha.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mineirinho tinha uma tremenda fama de comil\u00e3o. Feia, bonita, magra, gorda, branca, negra, baixinha, altona. Bobeou, ele tra\u00e7ava. Diz que, em certa noite de viagem longa, Mineirinho chegou exausto a uma pousada de beira de estrada, mas o rapaz da recep\u00e7\u00e3o avisou que n\u00e3o havia quarto vago. 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