{"id":2995,"date":"2016-11-15T06:22:42","date_gmt":"2016-11-15T06:22:42","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2995"},"modified":"2016-11-15T07:10:26","modified_gmt":"2016-11-15T07:10:26","slug":"todo-sentimento-ou-amor-de-tia-lea","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/todo-sentimento-ou-amor-de-tia-lea\/","title":{"rendered":"Todo Sentimento Ou Amor de Tia L\u00e9a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Eu j\u00e1 disse aqui. O Flamengo tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece. Eu, por exemplo, vivi todos os 121 anos de hist\u00f3ria do Clube que comemoramos nesse 15 de Novembro. E 17! De alguma maneira estava naquela embarca\u00e7\u00e3o com os outros seis. Eu sou a 7\u00aa remadora. S\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer. \u00a0N\u00f3s somos a hist\u00f3ria do Flamengo. O Flamengo \u00e9 a nossa hist\u00f3ria. Vestida com a papagaio de vint\u00e9m acompanhei os 16 x 2 em cima do time L\u00e1 de Mangueira. Meu cora\u00e7\u00e3o portelense exultou. O Est\u00e1dio da Campos Sales tremeu. Nessa partida fui jurada para morrer de amor pelo Flamengo. Com aquela boa e velha sensa\u00e7\u00e3o que o mundo pode acabar num\u00a0jogo, numa comemora\u00e7\u00e3o de gol nosso. Caminho pela Lagoa e lembro de cada bola que tive que ir buscar naquele Fla x Flu. <span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eu vi o Gilberto Cardoso falecer ali&#8230;na quadra&#8230;bem na minha frente. E chorei. Vibrei com cada Tri conquistado. Abracei o Dida no vesti\u00e1rio. Ovacionei um Urubu jogado em campo. Combinei cada detalhe com o Ladrilheiro. Ainda n\u00e3o me conformo com a morte do Geraldo. Gritei mais um, mais um, nos 6 x 0. Chorei abra\u00e7ada a um geraldino\u00a0sem dentes\u00a0e descal\u00e7o no gol do Andrade. O Bujica me dedicou aqueles gols. Vi\u00a0o jogo de despedida do REI Zico de costas para o gramado, me recusando a aceitar a realidade.\u00a0<\/span>Eu nasci h\u00e1 121 anos atr\u00e1s. E n\u00e3o tem nada, nem ningu\u00e9m, nesse mundo rubro-negro que eu n\u00e3o saiba&#8230;e n\u00e3o ame demais. Eu vi o amor nascer e ser assassinado. Como na hist\u00f3ria da Tia L\u00e9a\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Eu estava naquele jogo m\u00edstico em Edson Passos. Sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de 49\u00ba graus. \u00c9 um estado de <em>estar Flamengo<\/em> que faz voc\u00ea apagar o tempo todo. Com ou sem gol. \u00c9 daquelas coisas que sentimos na explos\u00e3o de um t\u00edtulo. Ou assistindo um jogo do Mais Querido no calor, e no amor da Baixada. SobreVIVI. Com o fim do estoque de \u00e1gua na torcida, a beira de uma ensola\u00e7\u00e3o, \u201cvi\u201d uma senhorinha de uns 80 anos, aproximadamente, se escondendo do calor e do sol escaldante na sombra dos instrumentos da bateria. Ela estava ali AMANDO o Flamengo incondicionalmente. De trem&#8230;de \u00f4nibus&#8230;de qualquer jeito ou lugar&#8230;<strong><span style=\"color: #ff0000\">SEGUINDO o Flamengo<\/span> A TODO LADO<\/strong>. Tia L\u00e9a, m\u00e3e de uns quatro ou cinco filhos, trocada e abandonada pelo marido, reuniu todos na sala e comunicou solenemente: <i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO pai de voc\u00eas me largou. De hoje em diante eu sou CASADA com o Flamengo.\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Que seja infinito enquanto dure. E o amor durou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Tantas vezes Tia L\u00e9a teve que explicar: <i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o quero mais saber de homem. O meu homem \u00e9 o Flamengo\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. [D\u00e1 pra ter os dois, Tia L\u00e9a?] Ela tinha sido tra\u00edda pelo marido com uma vizinha \u201cda rua de tr\u00e1s\u201d, e o infeliz ainda foi morar com a dita cuja bem ali, na cara dela. Aquele sentimento de M\u00e1rcio Ara\u00fajo titular. De Cirino aquecendo para entrar. De apenas tr\u00eas pontos conquistados nos \u00faltimos jogos. Somos todos Tia L\u00e9a. Mas, a vida de quem torce para o Flamengo \u00e9 tipo um..<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">.preciso n\u00e3o dormir at\u00e9 se consumar o tempo da gente<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Um dia, a uma certa altura do campeonato, a vizinha quis \u201cdevolver o marido da Tia L\u00e9a\u201d que j\u00e1 vivia em eterna lua de mel com o Flamengo, viajando com as torcidas, frequentando est\u00e1dios, fazendo amor e sexo animal com o Meng\u00e3o. N\u00f3s sabemos bem o que \u00e9 isso. Tia L\u00e9a reuniu os filhos, mais uma vez, e decretou: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEle \u00e9 o pai de voc\u00eas. N\u00e3o quero mais. Receber esse homem aqui \u00e9 trair em \u201calto grau\u201d o meu time. E isso eu n\u00e3o fa\u00e7o. Ele pode ficar, voc\u00eas que tomem conta, que eu vou continuar cuidando do MEU Flamengo.\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Que Mulher.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">L\u00e9a era o nome da minha v\u00f3 paterna. Coisa do destino em preto e vermelho. A m\u00e3e do meu pai gerou um filho que esperava o trem chegar numa esta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, levando o jornal com not\u00edcias velhas do Flamengo. O escudo. As bandeiras. As fotos do Flamengo estavam l\u00e1. Tia L\u00e9a tem nome de vozinha que ama neto e neta do Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Em casa, fora dos est\u00e1dios, Tia L\u00e9a via o jogo toda de Flamengo. Uma unha preta, outra vermelha. Com seu manto sagrado e um bandeir\u00e3o para se esquentar. De Flamengo. Naquele dia foi convocada para a um jogo em Volta Redonda. Negou. Cansada, j\u00e1 sem for\u00e7as, escolheu ver o jogo em casa. Amando o Flamengo devagar e urgentemente. Foi o \u00faltimo jogo dela. Envolta com as cores do Flamengo, aquecida pela bandeira rubro-negra, Tia L\u00e9a esperou o apito final do juiz e viu seu \u00faltimo jogo do Meng\u00e3o. Tombou para o lado. E morreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Nesses 121 anos de hist\u00f3ria sigo amando o Flamengo com amor de Tia L\u00e9a. Com amor de Alvarenga, que viveu e me contou essa hist\u00f3ria, e de todos aqueles da Urubuzada que acolheram e amaram essa torcedora TODO SENTIMENTO. Eu vivi os 121 anos da hist\u00f3ria e das hist\u00f3rias do Flamengo. Como a dessa mulher casada com o Clube de Regatas do Flamengo. Eu vivi esse tempo de delicadeza. De cheirinhos. De sensa\u00e7\u00f5es. De amor gal\u00e1tico. De amor universal. De amor de Tia L\u00e9a. De amor de 11 leitores. Ou de um pouquinho mais. Eu vivi os 121 anos de um amor do tamanho da Torcida do Flamengo. Com TODO SENTIMENTO. E nas pr\u00f3ximas rodadas, seja qual for o resultado, n\u00e3o diremos nada, nada aconteceu. Apenas seguiremos, <strong>Flamengo<\/strong>, como ENCANTADAS e ENCANTADOS&#8230;ao lado teu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Para voc\u00eas,<\/p>\n<p>Paz e Amor. De Tia L\u00e9a.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu j\u00e1 disse aqui. O Flamengo tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece. 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