{"id":2976,"date":"2016-11-07T00:27:21","date_gmt":"2016-11-07T00:27:21","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2976"},"modified":"2016-11-07T00:27:21","modified_gmt":"2016-11-07T00:27:21","slug":"toda-vez-que-dou-um-passo-o-mundo-sai-do-lugar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/toda-vez-que-dou-um-passo-o-mundo-sai-do-lugar\/","title":{"rendered":"Toda vez que dou um passo, o mundo sai do lugar."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Que a paix\u00e3o provoca cegueira \u00e9 algo que sabemos desde os onze ou doze anos, quando come\u00e7amos a sofrer por causa da menina mais bonita da turma no col\u00e9gio ou da rua em que moramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A paix\u00e3o pelo Flamengo, com a inevit\u00e1vel e eterna cegueira que ela traz, quase sempre chega antes disso. O engra\u00e7ado \u00e9 que a gente se acostuma, mas n\u00e3o aprende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> J\u00e1 citei aqui no blog a reportagem publicada em 20 de maio de 2015, na edi\u00e7\u00e3o digital da revista Exame, sobre a in\u00e9dita reorganiza\u00e7\u00e3o financeira operada pelo clube e alguns resultados dentro de campo que os dirigentes projetam, por conta do equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio e da consequente disponibilidade para investir em bons jogadores. Escreve o jornalista Humberto Maia J\u00fanior: \u201cDe 2017 a 2021, o Flamengo espera ganhar quatro campeonatos estaduais, cinco t\u00edtulos nacionais e pelo menos uma Libertadores da Am\u00e9rica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Se me coubesse escolher, abriria m\u00e3o dos quatro estaduais por mais uma Libertadores, e nem pediria troco. De qualquer modo, e mesmo desconfiando que os tais cinco t\u00edtulos nacionais deixam a proje\u00e7\u00e3o um tanto exagerada, a expectativa \u00e9 de que o rodo rubro-negro comece a passar a partir do ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Assim, nossa campanha no Campeonato Brasileiro de 2016 \u2013 em que, independentemente da coloca\u00e7\u00e3o final, tudo indica que o Flamengo ir\u00e1 fazer mais pontos do que fez na conquista de 2009 \u2013 pode ser encarada como um ensaio aberto do grande espet\u00e1culo que nos aguarda. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A ideia de que no futebol s\u00f3 importa o resultado \u00e9 boa no atacado mas se perde no varejo, vale para o macro e fraqueja no micro, porque na maioria das vezes nos impede de perceber acertos nas derrotas e erros nas vit\u00f3rias. Rejeitado pela cegueira, apaixonados que somos, o h\u00e1bito da contextualiza\u00e7\u00e3o talvez seja necess\u00e1rio e v\u00e1lido. Embora, e que isto fique bem claro, contextualizar n\u00e3o tem a ver com garimpar desculpas ou tapar o sol com a peneira. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Em depoimento ao Museu do Futebol, instalado junto \u00e0 entrada principal do Est\u00e1dio do Pacaembu, o grand\u00edssimo rubro-negro Ruy Castro elege a santa cabe\u00e7ada de Rondinelli em 1978, e o t\u00edtulo estadual por ela sacramentada, como o momento mais importante na trajet\u00f3ria do mais extraordin\u00e1rio dos nossos times. A explica\u00e7\u00e3o: para Ruy Castro, n\u00e3o fosse aquele gol e vi\u00e9ssemos a perder o campeonato, muito provavelmente o Flamengo teria mandado embora alguns dos caras que nos deram as maiores gl\u00f3rias da nossa hist\u00f3ria. Seria o segundo estadual seguido perdido para o Vasco e n\u00e3o v\u00ednhamos fazendo grandes coisas nos campeonatos brasileiros. Da\u00ed, para chegar algu\u00e9m com o grito de \u201cbarca\u00e7a j\u00e1\u201d e a coisa pegar, era um pulo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Por outro lado, e esta parece ser a nossa tarefa primordial, agora que os quatro jogos consecutivos sem vit\u00f3ria abalaram convic\u00e7\u00f5es e emagreceram esperan\u00e7as, \u00e9 preciso come\u00e7ar, imediatamente, a pensar no ano que vem. E, sobretudo, definir o que podemos e o que queremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> J\u00e1 que Bandeira de Mello garante que a partir de 2017 o vento vai virar a nosso favor, \u00e9 obrigat\u00f3rio que o padr\u00e3o de exig\u00eancia seja muito mais alto do que o atual. \u00c9 inadmiss\u00edvel ter um ataque em que sempre achamos que o melhor \u00e9 quem est\u00e1 fora. Se joga Gabriel, devia ser Cirino. Se entra Cirino, melhor que fosse Fernandinho. Se vamos de Fernandinho, era pra ter sido Emerson. N\u00e3o costumo endossar as ditas barca\u00e7as, a n\u00e3o ser em casos de desastres absolutos, porque elas significam come\u00e7ar do zero e isso raramente \u00e9 bom. Por\u00e9m, se temos tamanho grau de insatisfa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos companheiros de frente do Guerrero, h\u00e1 que se troc\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Esse ano tivemos, ainda, provas concretas e cabais de como refor\u00e7os criteriosamente escolhidos fazem bem ao time, e o maior exemplo disso \u00e9 o Diego. Quem acompanha meu espa\u00e7o aqui no RP&amp;A sabe que sou uma anta nas coisas da matem\u00e1tica, mas uma calculadorazinha dessas bem vagabundas me ajudou a concluir que, sem Diego, o Flamengo ficou com 57% dos pontos que disputou. Com Diego, nosso aproveitamento salta para 69% \u2013 o que, nas treze edi\u00e7\u00f5es do Brasileiro sob o sistema dos pontos corridos, apenas quatro campe\u00f5es alcan\u00e7aram. Diego foi o principal respons\u00e1vel por tirar o Flamengo da inc\u00f4moda condi\u00e7\u00e3o de coadjuvante do campeonato para elev\u00e1-lo ao status de protagonista, e chega a dar d\u00f3 v\u00ea-lo dominar a bola com categoria, partir em velocidade para o ataque, olhar para um lado e enxergar o Gabriel, olhar para o outro e perceber o Fernandinho. Cansa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Se o que desejamos para 2017 \u00e9 ganhar do Sapucaia, do Miracema, do valoroso esquadr\u00e3o da terra da Nivinha e chegar \u00e0 semifinal do moribundo Carioca, o que est\u00e1 a\u00ed basta. No entanto, se nosso equil\u00edbrio financeiro nos permitir\u00e1 arregimentar um elenco de responsa, com catorze ou quinze caras capazes de ser titulares nos melhores times do continente, a\u00ed o sarrafo tem que subir. E muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Acho o fim da picada o Flamengo ter um jogador feito o Gabriel, que se livra da bola e torce para que d\u00ea certo, al\u00e9m de se atirar farsescamente ao ch\u00e3o na maioria dos lances que disputa. Por mais bolas que tenha roubado no jogo de ontem, M\u00e1rcio Ara\u00fajo \u00e9 o avesso do avesso do avesso do avesso do que entendemos como um moderno meio-campista. N\u00e3o suporto jogadores de futebol que se escondem das responsabilidades e ficam apontando pra l\u00e1 e pra c\u00e1; quem sabe jogar n\u00e3o indica o que \u00e9 pra fazer, pede a bola e faz. M\u00e1rcio Ara\u00fajo \u00e9 um profissional honrado, mas n\u00e3o tem como fazer parte de um time que pretende, em cinco anos, ganhar cinco t\u00edtulos nacionais. Fa\u00e7am as homenagens que julgarem justas pelo indiscut\u00edvel empenho, preparem uma love letter para ele e mandem-no para o CRB, o Figueirense ou o Sport, clubes \u00e0 altura da sua dedicada mediocridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> N\u00e3o posso encerrar o texto sem falar do Z\u00e9 Ricardo. \u00c9 ineg\u00e1vel que ele deu padr\u00e3o de jogo ao time \u2013 que at\u00e9 ent\u00e3o mais se assemelhava ao incr\u00edvel ex\u00e9rcito de Brancaleone \u2013, mas ser\u00e1 que esse padr\u00e3o n\u00e3o se transformou em amarras, em antolhos, em algo a que n\u00f3s mesmos nos aprisionamos e do qual n\u00e3o conseguimos fugir? Li, recentemente, uma entrevista em que o nosso t\u00e9cnico elogiava Mancuello, ao mesmo tempo em que avaliava estar o argentino abaixo de duas outras op\u00e7\u00f5es do elenco (\u00c9verton e Fernandinho, suponho) para executar as exaustivas fun\u00e7\u00f5es de sobe-e-desce pelo lado esquerdo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ora, pois, claro que sim, mas ao que eu saiba Mancuello n\u00e3o foi contratado para isso. E mais: ser\u00e1 que essa \u00e9 a \u00fanica maneira de jogar? N\u00e3o considero Mancuello nada do outro mundo, mas acredito que, num time que do meio pra frente conta com Gabriel e Fernandinho, ele tem vaga sim senhor. Como, n\u00e3o sei, mas que se treine, que se experimente, que se arrume um jeito. Para isso servem os treinadores de futebol, \u00e9 isso o que fazem os bons treinadores de futebol. Reconhe\u00e7o que a lembran\u00e7a \u00e9 uma covardia ret\u00f3rica, mas desde que vi, na sele\u00e7\u00e3o brasileira de 1970, Rivellino ser escalado na ponta-esquerda, Piazza na quarta-zaga e Tost\u00e3o de centroavante, aprendi que os grandes times come\u00e7am a ser montados a partir da decis\u00e3o de mandar a campo os melhores. E que o esquema t\u00e1tico deve ser desenhado de modo a aproveit\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O t\u00edtulo desse post \u00e9 tirado de uma can\u00e7\u00e3o de um cabra arretado de bom \u2013 o compositor, cantor, guitarrista e rabequeiro pernambucano Siba \u2013, e me pareceu adequado ao caminho que o Flamengo vem percorrendo com disciplina e compet\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Os avan\u00e7os e o dinamismo do mundo causam uma certa sensa\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia. Quanto mais evolu\u00edmos, mais fortes as cobran\u00e7as. N\u00f3s, flamenguistas, agimos assim, e \u00e9 muito bom que assim seja.  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> 2016 deixou claro que temos uma impressionante capacidade de incomodar, mesmo quando somos mais ou menos. A partir de 2017, quando seremos s\u00f3 mais, ningu\u00e9m vai segurar. Basta fazer direito. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Se duvidam, perguntem ao prefeito eleito em Belo Horizonte.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que a paix\u00e3o provoca cegueira \u00e9 algo que sabemos desde os onze ou doze anos, quando come\u00e7amos a sofrer por causa da menina mais bonita da turma no col\u00e9gio ou da rua em que moramos. A paix\u00e3o pelo Flamengo, com a inevit\u00e1vel e eterna cegueira que ela traz, quase sempre chega antes disso. 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