{"id":2812,"date":"2016-10-12T05:36:54","date_gmt":"2016-10-12T05:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2812"},"modified":"2016-10-12T06:03:31","modified_gmt":"2016-10-12T06:03:31","slug":"vem-viver-outra-vez-ao-meu-lado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/vem-viver-outra-vez-ao-meu-lado\/","title":{"rendered":"Vem viver outra vez ao meu lado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><span style=\"font-weight: 400\">Ele vai voltar. Meu corpo todo agradece de amor, de prazer, de \u00eaxtase com o an\u00fancio do jogo do Flamengo no Maracan\u00e3. A volta do Pacaembu na madrugada chuvosa do \u00faltimo domingo pela Dutra potencializou minha saudade. O Maracan\u00e3 faz de n\u00f3s torcedores e torcedoras melhores. \u00c9 como se apenas ali, naquele templo de hist\u00f3rias infinitas, de paix\u00e3o sem limite, de for\u00e7a sobrenatural, parece que s\u00f3 ali, somos ainda mais Flamengo. Lembro das hist\u00f3rias que escutei quando as organizadas ainda tinham salas no est\u00e1dio. Dos torcedores que DORMIAM por l\u00e1\u00a0para preparar a festa no dia seguinte. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><span style=\"font-weight: 400\">Penso naqueles torcedores-magos-m\u00e1gicos que viram o amanhecer do Maracan\u00e3\u00a0para montar os maiores mosaicos do mundo.\u00a0Me arrepio de ter visto, vivido, aplaudido e chorado de alegria com aquilo. Lamento por aqueles que n\u00e3o brincaram de tobog\u00e3 nas arquibancadas antes do jogo come\u00e7ar, por aqueles\u00a0que n\u00e3o viram o \u201cmar se abrir\u201d por conta de uma incompatibilidade na escala\u00e7\u00e3o e prefer\u00eancias dos torcedores. Tempos que a treta era \u00e0 vera, olho no olho. Tenho vontade de abra\u00e7ar os que n\u00e3o atravessaram aquele corredor escuro, empurrados por centenas de pessoas, e como numa vis\u00e3o celestial, se depararam com 90&#8230;100 mil torcedores em estado de gra\u00e7a. O c\u00e9u era ali. Coisas que a gente s\u00f3 pode explicar quando ama. Tipo o dia que cismei de ir para esta\u00e7\u00e3o de trem, para ficar l\u00e1 de cima vendo a galera chegar. Quase fui massacrada.\u00a0Mas vi. Senti. SobreVIVI.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><span style=\"font-weight: 400\">Lembro de uma carta que um jovem poeta enviou para o Rilke, em 1903. Ele queria saber se os versos que escrevia eram bons. Assim como eu sempre me pergunto se essas coisas que fa\u00e7o pelo Flamengo s\u00e3o da mesma maneira&#8230;boas. O poeta respondeu: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas ra\u00edzes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: <strong>morreria se lhe fosse vedado escrever? Isso acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: SOU MESMO FOR\u00c7ADO A ESCREVER?<\/strong> Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar \u00e0quela pergunta severa por um forte e simples: SOU. Ent\u00e3o construa a sua vida de acordo com esta necessidade.\u201d \u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Foi essa pergunta que me fiz na estrada: SOU MESMO FOR\u00c7ADA A VER OS JOGOS DO FLAMENGO? Morreria se me fosse vedado estar perto do Flamengo? Morreria se me fosse vedado frequentar o Maracan\u00e3? Morreria se n\u00e3o pudesse ver o Flamengo jogar no Rio, em Volta Redonda, no Morumbi infiltrada, no Pacaembu, em Cariacica, em Curitiba? <span style=\"color: #ff0000\">SIM, morreria<\/span>. <strong>Sou mesmo for\u00e7ada a ver o Flamengo. Logo, constru\u00ed minha vida de acordo com essa necessidade<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><span style=\"font-weight: 400\">O calor das cobertas, n\u00e3o me aquece direito. J\u00e1 come\u00e7o a sentir. Isso mesmo, SENTIR. Pessoas caminhando ao redor do Maracan\u00e3. Aquele mar de rubro-negros de todas as ra\u00e7as se esbarrando, se reconhecendo, se amando em sil\u00eancio, em festa, em can\u00e7\u00f5es. O churrasquinho, a cerveja gelada, as bandeiras, as buzinas, os gritos, a sintonia, a adrenalina, a chegada do trem. Voltar ao Maracan\u00e3 \u00e9 experi\u00eancia filos\u00f3fica. \u00c9 puro Her\u00e1clito: <span style=\"color: #ff0000\"><strong>\u00c9 imposs\u00edvel entrar no mesmo Maracan\u00e3 duas vezes. As \u00e1guas j\u00e1 s\u00e3o outras e n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o somos os mesmos, ou as mesmas.<\/strong><\/span>\u00a0Estou preparada pra entrar nesse rio de novo. N\u00e3o sou mais a mesma. Sou outra, ainda mais apaixonada pelo Flamengo. Ainda mais certa do hepta. As coisas, diria o Rilke ao jovem poeta e a mim, sobre a minha paix\u00e3o e a dos meus 11 leitores: <em><strong>as coisas est\u00e3o longe de ser todas t\u00e3o tang\u00edveis e diz\u00edveis quanto se nos pretenderia fazer crer<\/strong><\/em>. Volta Maracan\u00e3. Vem viver outra vez ao meu lado, pois meu corpo est\u00e1 acostumado.<\/span><\/p>\n<p>Pra voc\u00eas,<br \/>\nPaz, Amor e\u00a0F\u00c9 NO HEPTA.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele vai voltar. Meu corpo todo agradece de amor, de prazer, de \u00eaxtase com o an\u00fancio do jogo do Flamengo no Maracan\u00e3. A volta do Pacaembu na madrugada chuvosa do \u00faltimo domingo pela Dutra potencializou minha saudade. 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