{"id":2593,"date":"2016-08-26T19:26:17","date_gmt":"2016-08-26T19:26:17","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2593"},"modified":"2016-08-28T21:56:48","modified_gmt":"2016-08-28T21:56:48","slug":"o-dia-em-que-joguei-ao-lado-de-geraldo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/o-dia-em-que-joguei-ao-lado-de-geraldo\/","title":{"rendered":"O dia em que joguei ao lado de Geraldo."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Eu morava na rua Lauro Muller, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. T\u00ednhamos um time de pelada bastante bom, que primeiro se chamou <em>Aperta e Bate<\/em> e depois, pressionado pela for\u00e7a da grana, adotou o nome de <em>Lauro Muller FC<\/em>. Explico. Seu H\u00e9lio, nosso vizinho um pouco mais endinheirado, era dono de um posto de gasolina na Pra\u00e7a Saens Pe\u00f1a e decidiu bancar uniforme e bolas. S\u00f3 que ele n\u00e3o se conformava com a sutil refer\u00eancia \u00e0 ganja escondida no nome <em>Aperta e Bate<\/em>, e n\u00e3o sossegou at\u00e9 conseguir a caret\u00e9sima mudan\u00e7a. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Fizemos algumas campanhas memor\u00e1veis no Campeonato de Pelada do Aterro do Flamengo, mas os treinos eram meio esculhambados. Houve um per\u00edodo em que nosso time ganhou o refor\u00e7o de Dudu, atacante que tentava iniciar a carreira no rubro-negro e era irm\u00e3o do Fio Maravilha. Dudu, que se aproximou da rapaziada porque seu irm\u00e3o mais famoso \u2013 o outro era o Michila \u2013 tinha uma namorada l\u00e1 na rua, morava no local conhecido por Sede Velha, junto com outros jogadores das divis\u00f5es de base. Entre eles, Geraldo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Certa vez algu\u00e9m marcou um jogo noturno do <em>Aperta e Bate<\/em> sem avisar devidamente a rapaziada, muitos n\u00e3o puderam ir e nos vimos com um a menos. Atacante veloz, apesar do shape mais puxado para o rechonchudo, Dudu rapidamente atravessou as tr\u00eas pistas entre os campos do Aterro e a Sede Velha, e convocou o amigo Geraldo para completar nosso time.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Foi a mais impressionante experi\u00eancia est\u00e9tica que eu pude apreciar num campo de pelada. Geraldo deslizava pela cacarecada terra batida (grama sint\u00e9tica \u00e9 para os fracos, modinha recente), a bola grudada no p\u00e9 direito, cabe\u00e7a erguida. Era tanto controle e vis\u00e3o de jogo que ele parecia enxergar n\u00e3o apenas o que acontecia naquele campo, mas em todos os outros sete que compunham o complexo peladeiro. Mais de quinze anos depois, quando vi Marty McFly com seu skate voador em <em>De Volta para o Futuro 2<\/em>, imediatamente me veio \u00e0 cabe\u00e7a a imagem de Geraldo flutuando por aquele maltratado campinho da Zona Sul carioca. Era como se ele jogasse futebol de patins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Eu estava no Maracan\u00e3, no zero a zero com o Vasco que deu a Geraldo sua primeira conquista como titular absoluto no time de cima do Flamengo \u2013 o campeonato estadual de 1974. E me marcou, tamb\u00e9m, uma partida entre cariocas e paulistas disputada em 1975. Nos \u00faltimos minutos do amistoso, os treinadores M\u00e1rio Travaglini e Oswaldo Brand\u00e3o se sentaram \u00e0 beira do gramado para um relaxado bate-papo, enquanto os trepidantes Denis Menezes e Washington Rodrigues informavam que o tema da conversa dos t\u00e9cnicos era Geraldo. O meia encantara Brand\u00e3o pela eleg\u00e2ncia e a qualidade. (Segundo o maestro J\u00fanior, \u201cGeraldo era o cara que fazia as coisas mais dif\u00edceis com a maior simplicidade\u201d.) <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Em 6 de outubro de 1976, o Flamengo organizou um jogo com renda revertida para a fam\u00edlia de Geraldo. O advers\u00e1rio era a sele\u00e7\u00e3o brasileira, o Maracan\u00e3 recebeu 142 mil pessoas e Pel\u00e9 fez quest\u00e3o de vir dos Estados Unidos para participar da homenagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Mesmo tendo falecido com apenas 22 anos, Geraldo foi um dos maiores que eu vi jogar e, n\u00e3o tivesse morrido t\u00e3o cedo, hoje certamente seria reconhecido e admirado como um dos mais espetaculares armadores de toda a hist\u00f3ria do futebol brasileiro. E um pouco antes de sua morte completar vinte anos, participei com orgulho da produ\u00e7\u00e3o da fita de v\u00eddeo <em>Os Mais Belos Gols de Zico<\/em>. Em um dos dias de trabalho no CFZ, Deus se referiu emocionado \u00e0 data que se aproximava, e que ele sabia de cor: \u201c26 de agosto de 1976. Daqui a pouco vai fazer vinte anos.\u201d <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A morte de Geraldo, t\u00e3o precoce e besta, foi mais do que fatalidade. Foi maldade inaceit\u00e1vel com a fam\u00edlia e os amigos, com todos os rubro-negros e o futebol.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu morava na rua Lauro Muller, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. T\u00ednhamos um time de pelada bastante bom, que primeiro se chamou Aperta e Bate e depois, pressionado pela for\u00e7a da grana, adotou o nome de Lauro Muller FC. Explico. 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