{"id":2398,"date":"2016-07-14T10:00:22","date_gmt":"2016-07-14T10:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2398"},"modified":"2016-07-14T10:00:22","modified_gmt":"2016-07-14T10:00:22","slug":"se-o-estadio-chegasse-eu-nao-resistiria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/se-o-estadio-chegasse-eu-nao-resistiria\/","title":{"rendered":"Se o est\u00e1dio chegasse eu n\u00e3o resistiria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Tomei um caf\u00e9 no Lamas. Em seguida atravessei a Payssandu. Uma das ruas mais encantadoras do Rio. Uma rua de alma rubro-negra. Ela ligava a resid\u00eancia da princesa Isabel, logo ali no Pal\u00e1cio Guanabara (meu destino naquela manh\u00e3), \u00e0 Praia do Flamengo. Um caminho de palmeiras imperiais plantadas a pedido do imperador Pedro II para criar aquele ar monumental, para casa que tinha dado pra sua filha como presente de casamento. Com meu esp\u00edrito fl\u00e2neur, no melhor que h\u00e1 em mim do Baudelaire, sendo eu uma pessoa que anda pela cidade a fim de experiment\u00e1-la, pensava no Flamengo enquanto caminhava. Crise. Contas. Sonhos. Decep\u00e7\u00f5es. Desejos. Amores. Sexo. Textos para ler. Pautas para trabalhar. Nada disso. Eu sempre me rendo ao Flamengo quando estou flanando por a\u00ed. E naquela manh\u00e3 eu lembrava dos 450 km que atravessei \u201cs\u00f3\u201d para ver o Flamengo jogar em Itaquera. Uma daquelas viagens cheia de\u00a0amores. Pelo Flamengo. Com o Flamengo. Acima de tudo Flamengo. Pensava de forma seletiva por motivos \u00f3bvios. Mas, pensava. E a voz infernal da mestre de cerim\u00f4nias do est\u00e1dio que anunciava os feitos dos donos da casa n\u00e3o sa\u00eda da minha cabe\u00e7a. Aquilo era coisa de quem tinha est\u00e1dio. E aquela maldita lembran\u00e7a foi meu basta. Meu chega. Eu quero entrar para a hist\u00f3ria como uma torcedora que lutou por um est\u00e1dio do Flamengo. E meu tempo \u00e9 hoje. N\u00e3o existe amanh\u00e3 para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">N\u00f3s, rubro-negros, <em>\u201csomos ainda hoje uns desterrados em nossa terra\u201d<\/em> como bem analisou &#8211; por outros t\u00e3o intensos motivos, claro &#8211; S\u00e9rgio Buarque de Hollanda, o pai do meu marido Chico (casamento-licen\u00e7a-po\u00e9tica), em Ra\u00edzes do Brasil. O Flamengo \u00e9 ainda hoje um clube desterrado dentro da sua pr\u00f3pria terra. N\u00c3O temos est\u00e1dio. Uma vergonha. Uma afronta. Um descaso comigo, com meus 11 leitores, com uma Na\u00e7\u00e3o. Uma aus\u00eancia que carregamos por conta de uma hist\u00f3ria de dirigentes incompetentes, de pol\u00edticos mal intencionados e de uma torcida que se apropriou de um templo e criou nele seu maior espa\u00e7o de devo\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos est\u00e1dio. A voz da locutora do Itaquera parece repetir isso, invadindo meus pensamentos e tornando minha travessia um calv\u00e1rio rubro-negro: N\u00c3O TEMOS EST\u00c1DIO, senhoras e senhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Um morador de rua passa por mim vestido com um manto sagrado desbotado, rasgado, surrado com as marcas da hist\u00f3ria daquela camisa que atravessou o tempo. Esperei ele passar para ver o n\u00famero nas costas. DEZ. Deus existe. E estava ali, me tirando do transe-recalque e me transportando para 1920. O <span style=\"font-weight: 400\">Flamengo tinha sido campe\u00e3o carioca com duas rodadas de anteced\u00eancia. A \u00fanica vez que isso aconteceu na hist\u00f3ria do clube. O t\u00edtulo foi conquistado de forma invicta; sendo 13 vit\u00f3rias e 5 empates, em 18 jogos. A partida decisiva foi disputada no est\u00e1dio da Rua Payssandu, no dia 28 de novembro daquele ano. O Flamengo venceu o Andarahy por 2 x 1, com gols de Junqueira e Sydney Pullen. No primeiro turno, derrotou Fluminense e Botafogo, bem ali, pelo mesmo placar, 2 x 1. E eu l\u00e1. Na rua do \u201cnosso est\u00e1dio\u201d, sofrendo pela falta de um.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">Flamengo, <em>torna-te aquilo que \u00e9s<\/em>.<\/span><\/strong> Certeza que o velho <span style=\"font-weight: 400\">Friedrich (Nietzsche) seria rubro-negro. Eu n\u00e3o quero entrar para hist\u00f3ria de omiss\u00e3o (ou cumplicidade) de quem n\u00e3o lutou por um est\u00e1dio para chamar de NOSSO. Hoje \u201ctemos\u201d o Maracan\u00e3, a G\u00e1vea, e at\u00e9 um projeto de est\u00e1dio. E nenhuma certeza. Os dirigentes incompetentes insistem em nos rodear, os pol\u00edticos mal intencionados tamb\u00e9m. Mas o torcedor e a torcedora do Flamengo tem hist\u00f3ria de luta e resist\u00eancia. N\u00e3o somos os mesmos a entrar nesse \u201crio\u201d. As \u00e1guas s\u00e3o outras. Eu, voc\u00ea e a torcida do Flamengo N\u00c3O vamos mais nos calar em rela\u00e7\u00e3o a isso. Por vil metais peregrinamos por jogos em casa, fora de casa. Pelos milh\u00f5es das rendas aceitamos que a torcida advers\u00e1ria n\u00e3o tema mais as cores do pavilh\u00e3o do nosso amor. E aceitamos passivamente que invadam nosso territ\u00f3rio, em busca do dinheiro e do selfie da torcida mista. Homens que NUNCA pisaram numa arquibancada, nunca cruzaram 450 km (e muito mais) para ver o Flamengo jogar, nunca tomaram um Caf\u00e9 no Lamas, nem atravessaram a Payssandu a p\u00e9 s\u00f3 para sentir o esp\u00edrito do Flamengo nela. Esses <em>homens-ceo<\/em> ditam hoje o nosso destino. BASTA. Queremos o nosso est\u00e1dio e LUTAREMOS por ele. Nas redes, nas ruas, nas URNAS. 45 milh\u00f5es de torcedores, fora o baile. For\u00e7a necess\u00e1ria para combater a vaidade, o jogo de poder, a politicagem da G\u00e1vea, a m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o e o DESTINO. Vamos pras ruas em busca de um sonho em forma de desejo. Vamos em busca do nosso est\u00e1dio. Nossa arma \u00e9 a nossa voz. Nosso grito de <strong><span style=\"color: #000000\">VAI PRA CIMA DELES, MENGO<\/span><\/strong>. Nossa for\u00e7a que emana das arquibancadas da vida. <em>E depois que a tarde nos trouxesse a lua, se o amor (e o EST\u00c1DIO) chegasse eu n\u00e3o resistiria. E a madrugada acalentaria a nossa paz. Fica, \u00f3 brisa fica, pois talvez quem sabe o inesperado rubro-negro fa\u00e7a uma surpresa<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Pra voc\u00eas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 24px\">Paz, Amor e um Est\u00e1dio.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tomei um caf\u00e9 no Lamas. Em seguida atravessei a Payssandu. Uma das ruas mais encantadoras do Rio. Uma rua de alma rubro-negra. Ela ligava a resid\u00eancia da princesa Isabel, logo ali no Pal\u00e1cio Guanabara (meu destino naquela manh\u00e3), \u00e0 Praia do Flamengo. 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