{"id":2347,"date":"2016-06-27T21:57:51","date_gmt":"2016-06-27T21:57:51","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2347"},"modified":"2016-06-27T21:57:51","modified_gmt":"2016-06-27T21:57:51","slug":"duas-palavrinhas-fatais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/duas-palavrinhas-fatais\/","title":{"rendered":"Duas palavrinhas fatais."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A cena a seguir acontece no filme <em>Whiplash<\/em>, do diretor americano Damien Chazelle. Depois de protagonizarem uma conturbada rela\u00e7\u00e3o mestre-aluno, na melhor escola de m\u00fasica de Nova York, o regente Terence Fletcher (impressionante interpreta\u00e7\u00e3o de J.K. Simmons) e o baterista Andrew Neiman (vivido por Miles Teller) se encontram no pequeno club de jazz em que Fletcher d\u00e1 uma suave e inspirada canja ao piano. Os dois saem para tomar uns tragos, e Fletcher aproveita para repetir sua hist\u00f3ria predileta: aquela em que, ap\u00f3s uma apresenta\u00e7\u00e3o infeliz de Charlie Parker, ent\u00e3o no in\u00edcio da carreira, o baterista Jo Jones atira um prato na dire\u00e7\u00e3o de Parker, atitude que o magistral saxofonista transforma em insatisfa\u00e7\u00e3o consigo mesmo, partindo dali para virar o g\u00eanio que o mundo viria a reverenciar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Segundo o rigoroso regente, era enorme o risco de jamais conhecermos toda a extens\u00e3o do talento de Parker se Jo Jones, em vez de arremessar-lhe o prato, tivesse dito \u201cok, Charlie, tudo certo, voc\u00ea fez um bom trabalho\u201d. Fletcher fecha seu argumento garantindo que n\u00e3o existe, no dia a dia americano, express\u00e3o mais perigosa do que a que \u00e9 formada pelas palavras \u201cgood job\u201d. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Terence Fletcher \u00e9 um personagem destemperado e insuport\u00e1vel, mas sua contrariedade em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cgood job\u201d nos remete a um problema semelhante com o qual a torcida do Flamengo tem convivido quase que semanalmente, por causa de duas singelas palavrinhas: \u201cfaz parte\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Alan Patrick perde, nos acr\u00e9scimos, o p\u00eanalti que nos daria a vit\u00f3ria no sempre dif\u00edcil jogo com o S\u00e3o Paulo, mas tudo bem. Faz parte. Rafael Vaz \u2013 que vinha mostrando seriedade e efici\u00eancia desde sua entrada no time \u2013 d\u00e1 de presente o segundo gol ao Fluminense com um recuo frouxo e displicente, mas beleza. Faz parte. Massacramos o Flu no primeiro tempo, s\u00f3 que, surpreendentemente, o time massacrado volta do intervalo sem qualquer substitui\u00e7\u00e3o, enquanto o massacrante troca um jogador e altera a configura\u00e7\u00e3o t\u00e1tica. Futebol n\u00e3o tem l\u00f3gica, mas requer o m\u00ednimo de bom senso. (Quest\u00e3o de ordem: por mim, Z\u00e9 Ricardo fica at\u00e9 o fim da temporada, quando dever\u00edamos partir para um treinador com trabalho diferente do que temos por aqui. Eu tamb\u00e9m achava que o melhor nome seria o de Sampaoli, mas ele acaba de assinar com o Sevilla. O cavalo passou e n\u00e3o soubemos mont\u00e1-lo. Sigamos com Z\u00e9 Ricardo.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Podemos, ainda, sair do campo e partir para a gest\u00e3o do futebol. N\u00e3o \u00e9 errado dizer que Rodrigo Caetano fez um bom trabalho (ah, o good job) ao trazer Rodinei e Willian Ar\u00e3o \u2013 al\u00e9m de Cu\u00e9llar e Mancuello, que espero ver em breve novamente no time titular. Mas talvez dev\u00eassemos jogar um prato em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua cabe\u00e7a por ele n\u00e3o conseguir explicar onde estava e o que fazia enquanto o Palmeiras ia l\u00e1 no Audax e levava o certamente barato e moderno meio-campista Tch\u00ea-Tch\u00ea, ia ao Crici\u00fama e pegava o t\u00e3o barato quanto e perigoso atacante Roger Guedes. Ou onde ele estava e o que fazia enquanto o Atl\u00e9tico Mineiro importava Cazares e repatriava J\u00fanior Urso. Ou, ainda, onde estava e o que fazia em 2015, quando o Internacional foi buscar Vitinho no CSKA. T\u00e1 certo: Moscou \u00e9 longe pra chuchu, a maior friaca e tem o tresloucado Put\u00edn, que disputa com Donald Trump o ep\u00edteto de Terence Fletcher da pol\u00edtica internacional, melhor deixar quieto. Faz parte. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Para piorar, enquanto esse povo se refor\u00e7ava, brig\u00e1vamos com o Fluminese por Henrique, numa briga que, felizmente, perdemos. E agora nos metemos nessa robusta roubada chamada Donatti. Tomara que eu me engane e queime feio a l\u00edngua \u2013 caso isso aconte\u00e7a, darei o bra\u00e7o a torcer com satisfa\u00e7\u00e3o \u2013, mas vi Donatti jogar tr\u00eas vezes, na atual Libertadores, e o achei lento, caneludo, limitado. Entretanto, gastar energia e grana em jogadores que n\u00e3o resolvem tamb\u00e9m faz parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> N\u00e3o discordo daqueles que dizem \u2013 e isso volta e meia surge entre os comentaristas aqui do blog \u2013 que o time do Flamengo n\u00e3o \u00e9 pior do que nenhum outro do campeonato brasileiro. Como escrevi no post \u201cTempos modernos\u201d, publicado em 25 de janeiro de 2016, creio que Palmeiras e Atl\u00e9tico Mineiro esse ano largaram na frente, por\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 mesmo dist\u00e2ncias consider\u00e1veis. O segredo talvez esteja em compreender e aceitar o quanto o \u201cfaz parte\u201d tem nos atrapalhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Logo que Muricy chegou ao Flamengo, o programa <em>Esporte Espetacular<\/em>, da Globo, p\u00f4s no ar uma boa mat\u00e9ria sobre o t\u00e9cnico. Entre v\u00e1rios depoimentos, destacava-se a emocionada entrevista em que o falecido atacante Fernand\u00e3o afirmava que Muricy o tinha ensinado a ter indigna\u00e7\u00e3o pela derrota. Pois enquanto n\u00e3o voltarmos a ter indigna\u00e7\u00e3o pelo p\u00eanalti da vit\u00f3ria perdido nos acr\u00e9scimos, pela bola recuada com descuido e desd\u00e9m, pela falta de concentra\u00e7\u00e3o em partidas e momentos decisivos, pelo planejamento equivocado e pelas contrata\u00e7\u00f5es disparatadas, continuaremos a acumular decep\u00e7\u00f5es e fracassos. Como tem acontecido nos \u00faltimos quatro anos, em que a nossa melhor coloca\u00e7\u00e3o no Campeonato Brasileiro foi o d\u00e9cimo lugar em 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ris\u00edvel? Rid\u00edculo? Revoltante? Que nada: faz parte.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena a seguir acontece no filme Whiplash, do diretor americano Damien Chazelle. Depois de protagonizarem uma conturbada rela\u00e7\u00e3o mestre-aluno, na melhor escola de m\u00fasica de Nova York, o regente Terence Fletcher (impressionante interpreta\u00e7\u00e3o de J.K. 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