{"id":2109,"date":"2016-04-15T14:48:44","date_gmt":"2016-04-15T14:48:44","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2109"},"modified":"2016-04-15T14:48:44","modified_gmt":"2016-04-15T14:48:44","slug":"acostumados-com-sucrilhos-no-prato","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/acostumados-com-sucrilhos-no-prato\/","title":{"rendered":"Acostumados com sucrilhos no prato."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O aproveitamento dos garotos formados na base rubro-negra \u00e9 assunto que costuma despertar paix\u00f5es polarizadas e posi\u00e7\u00f5es radicalmente antag\u00f4nicas. Algo, diga-se, que virou padr\u00e3o no jeito brasileiro de pensar, desde que desaprendemos a debater sem nos agredir e passamos a acreditar que quem discorda de n\u00f3s \u00e9 um imbecil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Mas como em quase todas as discuss\u00f5es, essa \u00e9 mais uma em que h\u00e1 coisas boas e m\u00e1s nos dois lados do campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Por uma quest\u00e3o de temperamento, costumo manter dist\u00e2ncia tanto do \u201ctem que ser todo mundo da base\u201d quanto do \u201cn\u00e3o d\u00e1 mesmo para aproveitar ningu\u00e9m\u201d. Gosto de d\u00favidas e busco o equil\u00edbrio. Outro dia assisti a um document\u00e1rio de Jorge Furtado sobre jornalismo, <em>O Mercado de Not\u00edcias<\/em>, em que \u00e9 citado um mantra que circula nas boas reda\u00e7\u00f5es do pa\u00eds: \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 em d\u00favida, \u00e9 porque voc\u00ea est\u00e1 mal-informado\u201d. Genial. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Assumidamente mal-informado sobre a base rubro-negra, j\u00e1 que nunca tive paci\u00eancia com torneios subdezessete ou subquinze, reafirmo aqui minhas d\u00favidas sobre o tema. Vamos a elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Creio que o fervor que manifestamos pela utiliza\u00e7\u00e3o da nossa base remete a tempos que se foram para n\u00e3o mais voltar. H\u00e1 quinze ou vinte anos, o sonho da molecada era jogar no Flamengo ou no Vasco, ouvir a torcida gritar seu nome no Maracan\u00e3, vestir a camisa que foi do Zico ou do Roberto Dinamite. Acabou. N\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o o quanto isso \u00e9 lament\u00e1vel: simplesmente, assim \u00e9 que \u00e9. O sonho dos nossos talentosos meninos de onze ou doze anos \u00e9 ter o nome gritado no Camp Nou ou em Stamford Bridge, vestir a camisa que foi do Messi ou do Drogba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Acabou esse papo de que os caras formados na base t\u00eam mais identifica\u00e7\u00e3o com o clube e amor \u00e0 camisa. No in\u00edcio desse ano pudemos testemunhar o desmedido amor \u00e0 camisa manifestado por Robinho, ao preterir o Santos que o revelou e se atirar nos bra\u00e7os do Atl\u00e9tico Mineiro. E olha que estamos falando de um jogador que passou a maior parte da carreira em clubes de ponta da Europa e, portanto, certamente rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Uma vez ouvi Casagrande fazer um coment\u00e1ro que me deixou com algumas pulgas atr\u00e1s das orelhas. F\u00e3 incondicional \u2013 igual a qualquer pessoa que goste de futebol e tenha o m\u00ednimo de bom senso \u2013 daquele nosso time com Zico, J\u00fanior, Ad\u00edlio etc., Casagrande defendia uma tese controversa: apesar do saldo extraordinariamente positivo, aquela gera\u00e7\u00e3o deixara para o clube algo semelhante a uma heran\u00e7a maldita: a falsa ideia de que bastava vestir a camisa rubro-negra para qualquer garoto achar que era um fora de s\u00e9rie. H\u00e1 v\u00e1rios exemplos para atestar que a tese de Casagrande n\u00e3o deve ser desprezada. Ali\u00e1s, cad\u00ea Jaj\u00e1, que muitos j\u00e1 tinham na conta de craque?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ciente de que a globaliza\u00e7\u00e3o e o estupidilhante volume de dinheiro que passou a girar junto com a roda do futebol mudaram radicalmente expectativas e sonhos dos meninos brasileiros bons de bola, cultivei um certo ceticismo quanto \u00e0s vantagens autom\u00e1ticas de se usar a base. Para refor\u00e7ar isto, h\u00e1 o hist\u00f3rico recente: dos catorze caras que entraram em campo no Maracan\u00e3 em 6 de dezembro de 2009, para vencer o Gr\u00eamio por dois a um e conquistar nosso \u00faltimo t\u00edtulo verdadeiramente importante, apenas um frequentou a base. Adriano. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> (Antes que me apedrejem, vamos combinar: ganhar a Copa do Brasil \u00e9 bacana pra caramba, sobretudo pela emo\u00e7\u00e3o dos mata-matas, mas n\u00e3o d\u00e1 para comparar. Ganhamos a Copa do Brasil de 2013 enfrentando apenas dois dos outros onze grandes do futebol brasileiro. De qualquer modo, se quisermos for\u00e7ar a barra e incluir a Copa do Brasil na categoria dos t\u00edtulos importantes, o argumento permanece v\u00e1lido: dos catorze jogadores que entraram em campo em 27 de novembro de 2013, para vencer o Atl\u00e9tico Paranaense por dois a zero e garantir o caneco, apenas um veio da base. Luiz Ant\u00f4nio.) <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Tamb\u00e9m h\u00e1 exemplos al\u00e9m da G\u00e1vea, como o Corinthians campe\u00e3o da Libertadores 2012 e o Atl\u00e9tico Mineiro campe\u00e3o da Libertadores 2013. Resumo dessa \u00f3pera contempor\u00e2nea: n\u00e3o faz sentido ligar empenho, comprometimento, vit\u00f3rias e t\u00edtulos ao fato de ter pertencido \u00e0 base. J\u00e1 foi o tempo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Entretanto, conv\u00e9m olhar com cuidado para o outro lado da moeda, ainda mais se batermos uma foto deste momento do futebol rubro-negro. Assim, passemos a um longo par\u00e1grafo que reproduz o antigo passatempo de unir os pontos. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ponto 1: logo ap\u00f3s a conquista da Copinha, L\u00e9o Duarte, Ronaldo e Felipe Vizeu foram incorporados ao elenco principal. Ponto 2: o Flamengo passou boa parte de 2015 amea\u00e7ando disputar o campeonato estadual de 2016 com um time reserva, numa demonstra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que o torneio n\u00e3o era prioridade. Ponto 3: temos um volante \u2013 posi\u00e7\u00e3o de Ronaldo \u2013 unanimemente contestado pela torcida. Ponto 4: idem para dois dos nossos zagueiros, posi\u00e7\u00e3o de L\u00e9o Duarte. Ponto 5: fizemos o nosso centroavante \u2013 posi\u00e7\u00e3o de Felipe Vizeu \u2013 entrar em campo para enfrentar o Vasco menos de 24 horas depois de ter defendido a sele\u00e7\u00e3o peruana na partida contra o Uruguai, ap\u00f3s uma viagem que come\u00e7ou em Montevid\u00e9u, fez escala no Rio e terminou em Bras\u00edlia. Ponto 6: em r\u00e1pida entrevista antes do cl\u00e1ssico, Muricy afirmou que Guerrero provavelmente jogaria 45 minutos, quem sabe 60. Permaneceu em campo o tempo inteiro. Ponto 7: depois que Felipe Vizeu fez duas m\u00e1s partidas, contra Atl\u00e9tico Paranaense e Volta Redonda, Muricy disse que \u201cse voc\u00ea tira o moleque, voc\u00ea queima o moleque\u201d. Pode ser. Mas a miniepop\u00e9ia de Guerrero para enfrentar o Vasco e sua manuten\u00e7\u00e3o em campo durante os 90 minutos foram queima\u00e7\u00e3o muito maior. Menos confian\u00e7a no moleque, imposs\u00edvel. Ponto 8: se o campeonato \u00e9 t\u00e3o pouco importante a ponto de cogitarmos disput\u00e1-lo sem os titulares, por que n\u00e3o aproveitar para lan\u00e7ar os garotos? E se n\u00e3o foi agora, quando os lan\u00e7aremos, no Brasileir\u00e3o? Ponto 9: salvo engano meu, no jogo de s\u00e1bado com o Boavista nosso treinador levou para o banco Alex Muralha, Par\u00e1, C\u00e9sar Martins, M\u00e1rcio Ara\u00fajo, Ederson, Gabriel e Emerson. Ningu\u00e9m da base. Vizeu ainda tinha a desculpa da apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 sele\u00e7\u00e3o subvinte no dia seguinte, mas o que dizer dos outros dois? Ponto 10: G\u00e9rson e Douglas vivem participando dos jogos do Fluminense, Caio Monteiro tem entrado constantemente no Vasco, Ribamar no Botafogo, Gabriel Jesus no Palmeiras. Todos eles nasceram em 1997, v\u00eam tendo oportunidades, enfrentando advers\u00e1rios fortes e sendo testados. Todos, menos os nossos, que parecem o John Travolta de <em>O Garoto na Bolha de Pl\u00e1stico<\/em>, requerem cuidados especiais, s\u00e3o mantidos numa redoma, n\u00e3o podem substituir nem ser substitu\u00eddos, n\u00e3o devem apanhar nem bater, n\u00e3o encaram o Vasco nem o Boavista. Ao contr\u00e1rio dos past\u00e9is que a av\u00f3 de Adriano fritava para o futuro Imperador levar aos treinos, ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de que os nossos atuais meninos s\u00e3o acostumados com sucrilhos no prato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Bom: e o que foi que apareceu com a uni\u00e3o desses dez pontos? Simples: como canta Criolo, que aparece na foto que ilustra este post homenageando o RP&amp;A com o gesto-s\u00edmbolo do blog, saltou no papel a frase \u201csaber a hora de parar \u00e9 pra homem s\u00e1bio\u201d. J\u00e1 passou da hora de saber que \u00e9 preciso parar com alguns dos nossos caras t\u00e3o testados e pouco aprovados, e jogar a molecada no fogo. Os que forem bons de verdade v\u00e3o sobreviver.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aproveitamento dos garotos formados na base rubro-negra \u00e9 assunto que costuma despertar paix\u00f5es polarizadas e posi\u00e7\u00f5es radicalmente antag\u00f4nicas. Algo, diga-se, que virou padr\u00e3o no jeito brasileiro de pensar, desde que desaprendemos a debater sem nos agredir e passamos a acreditar que quem discorda de n\u00f3s \u00e9 um imbecil. 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