{"id":2001,"date":"2016-03-13T03:54:30","date_gmt":"2016-03-13T03:54:30","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=2001"},"modified":"2016-03-13T05:59:42","modified_gmt":"2016-03-13T05:59:42","slug":"daqui-a-300-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/daqui-a-300-anos\/","title":{"rendered":"Daqui a 300 Anos."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Uma coisa que eu aprendi durante os 8 anos que escrevi o Urublog l\u00e1 no globoesporte.com \u00e9 que a \u00fanica possibilidade que eu tinha para fazer uma resenha imparcial e objetiva sobre uma partida do Flamengo ocorria nas raras ocasi\u00f5es em que n\u00e3o assistia ao jogo. Voc\u00eas j\u00e1 devem ter ouvido falar, mesmo que de segunda m\u00e3o, nas ideias do f\u00edsico Niels Bohr. Para a comunidade cient\u00edfica do inicio do s\u00e9culo passado, que ainda tinha muita gente encostada no confort\u00e1vel barranco aprior\u00edstico, Niels Bohr causou transtorno semelhante \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o, em 1992, do recuo da bola com os p\u00e9s para o goleiro. O dinamarqu\u00eas foi taxativo ao afirmar que as caracter\u00edsticas do objeto que analisa o fen\u00f4meno alteram o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">E os prezados h\u00e3o de concordar que n\u00e3o h\u00e1 no mundo nada que seja mais capaz de alterar e, consequentemente, deturpar a interpreta\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos do tipo jogo do Flamengo do que um resenhista fiel aos c\u00e2nones e \u00e0 valida\u00e7\u00e3o dos dogmas que sustentam o edif\u00edcio da doutrina rubro-negra que efetivamente assiste ao jogo que pretende resenhar. \u00c9 um perigo. Recomendo fortemente que n\u00e3o tentem fazer isso em casa sem a supervis\u00e3o de um adulto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">S\u00f3 por divers\u00e3o, e apenas por um breve tempo, vamos fingir que somos pessoas equilibradas e nos ater \u00e0 l\u00f3gica. O que de bom se pode depreender ap\u00f3s 90 minutos de Flamengo x Madureira no Raulino, debaixo de um temporal digno do 5\u00ba ato do Rigoletto? Muito pouco, quase nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">A competi\u00e7\u00e3o \u00e9 demi-bouche, a tabela \u00e9 um despaut\u00e9rio e todo mundo mais ou menos j\u00e1 sabe quem \u00e9 quem nessa trama nada original. O mocinho \u00e9 o Flamengo, a mocinha o Fluminense e os vil\u00f5es Vasco da Gama e Botafogo fecham com a Spectre, digo, fecham com a FERJ. No final da hist\u00f3ria, salvo a ocorr\u00eancia de algum evento de impacto global que altere profundamente as estruturas sociopol\u00edticas no Brasil o campe\u00e3o vai ser um dos quatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Se ganhar o Vasco diremos que o Carioca perdeu o \u00faltimo resqu\u00edcio de credibilidade que lhe restava, se ganha o Botafogo, que n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m, o felicitaremos e recomendaremos aten\u00e7\u00e3o redobrada na luta contra o rebaixamento no Brasileiro que se avizinha. Se ganha o Fluminense se louvar\u00e1 suas boas rela\u00e7\u00f5es com as altas cortes e se levanta uma discreta suspei\u00e7\u00e3o sobre a lisura do campeonato. Mas se o Flamengo ganha o que acontece?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">N\u00e3o acontece nada. Nada de novo, pelo menos. Diremos que o Flamengo n\u00e3o fez mais que a sua obriga\u00e7\u00e3o e que se n\u00e3o trouxer os refor\u00e7os certos (que s\u00e3o exatamente os nomes que cada um de n\u00f3s carrega no bolso do colete para momentos de contrata\u00e7\u00f5es urgentes) sofreremos o diabo no Brasileiro. Porque o time ainda n\u00e3o foi devidamente testado dada \u00e0 fragilidade intr\u00ednseca aos nossos rivais no campeonato praiano. Fica realmente puxado pro Flamengo, porque jogando esse campeonato mixo, e at\u00e9 mesmo vencendo o campeonato mixo, n\u00e3o d\u00e1 pra ser feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Detesto ser o estraga-prazeres da galera, por isso fiz quest\u00e3o de n\u00e3o vir at\u00e9 aqui apenas com m\u00e1s not\u00edcias. Como n\u00e3o pude prestigiar a estreia do Meng\u00e3o na disputad\u00edssima Ta\u00e7a Guanabara (t\u00e3o mixuruca que esse ano \u00e9 a rede de supermercados hom\u00f4nima quem a patrocina), teoricamente estou habilitado a resenhar a partida com o distanciamento e a despaix\u00e3o que se exigem do observador criterioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Mas n\u00e3o o farei, podem ficar tranquilos. Sou b\u00easta? Ganhar do Madureira no sufoquinho com gol de p\u00eanalti n\u00e3o chega a ser exatamente um momento glorioso da hist\u00f3ria rubro-negra. E se a vit\u00f3ria magra e protocolar n\u00e3o gera real interesse nem para os seus contempor\u00e2neos, para que empreender o esfor\u00e7o de preservar esse tipo de mem\u00f3ria para os p\u00f3steros? Com o tempo essa pelada de s\u00e1bado chuvoso cair\u00e1 no esquecimento, assim como cada um dos seus protagonistas e assistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Daqui a 100, 200, 300 anos, o Campeonato Carioca ser\u00e1 visto como mais uma bizarrice dos pr\u00e9-hist\u00f3ricos da Era das Comunica\u00e7\u00f5es, aqueles seres proto-sensitivos que necessitavam de equipamentos eletr\u00f4nicos para se conectar \u00e0 noosfera de conhecimento que envolve o planeta desde o Crep\u00fasculo das M\u00e1quinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\">Dessa nossa \u00e9poca de pioneiros e descobridores, dos saltos do conhecimento e da continuada barb\u00e1rie da desigualdade, o \u00fanico a ser lembrado, e apenas porque ter\u00e1 conseguido sobreviver no s\u00e9culo XXV, ser\u00e1 o Flamengo. Porque tem coisas que nem mesmo a for\u00e7a do tempo ir\u00e1 destruir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><strong>Meng\u00e3o Sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom: 24px;\"><div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/arthur-muhlenberg\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Arthur Muhlenberg\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma coisa que eu aprendi durante os 8 anos que escrevi o Urublog l\u00e1 no globoesporte.com \u00e9 que a \u00fanica possibilidade que eu tinha para fazer uma resenha imparcial e objetiva sobre uma partida do Flamengo ocorria nas raras ocasi\u00f5es em que n\u00e3o assistia ao jogo. 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