{"id":1951,"date":"2016-02-23T01:51:12","date_gmt":"2016-02-23T01:51:12","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=1951"},"modified":"2016-02-23T01:51:12","modified_gmt":"2016-02-23T01:51:12","slug":"futebol-e-pra-quem-sabe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/futebol-e-pra-quem-sabe\/","title":{"rendered":"Futebol \u00e9 pra quem sabe."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O povo fala demais, mas dizia-se que, tanto no Corinthians quanto no Fluminense, Rivellino costumava aterrorizar os garotos que subiam para treinar no time principal, ordenando que lhe passassem a bola com a senten\u00e7a humilhante: \u201cD\u00e1 pra quem sabe. D\u00e1 pra quem sabe.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Talvez nem fosse arrog\u00e2ncia, e sim um modo de testar quem j\u00e1 estava ou n\u00e3o pronto para suportar a press\u00e3o. Mas \u00e9 indiscut\u00edvel que, ao contr\u00e1rio do que os treinadores do futebol brasileiro v\u00eam h\u00e1 tempos tentando nos convencer \u2013 benditos sejam os sete a um \u2013, futebol precisa ser jogado por quem sabe. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O primeiro tempo do Fla-Flu deu uma pista do que pode vir a ser o nosso time. Se vai dar certo quando a temporada come\u00e7ar de verdade \u00e9 outro papo, mas o aperitivo serviu para agu\u00e7ar o apetite. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Contrastando com a v\u00e3 valentia do jogo do primeiro turno entre Flamengo e Sport no Brasileir\u00e3o do ano passado, quando saiu amea\u00e7ando (\u201co Flamengo t\u00e1 de parab\u00e9ns aqui, mas eles v\u00e3o jogar l\u00e1\u201d), a humildade de Diego Souza na ida para o intervalo, dando gra\u00e7as a Deus por ter acabado o primeiro tempo, \u00e9 a mais completa tradu\u00e7\u00e3o do que foram aqueles 45 minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Surpreendendo a todos n\u00f3s, que j\u00e1 esbravej\u00e1vamos diante da suspeita de que Cu\u00e9llar poderia entrar sem que M\u00e1rcio Ara\u00fajo sa\u00edsse, Muricy escalou um meio-campo exclusivamente com gente que sabe jogar bola. Com tantos c\u00e1ceres e amarais na nossa vida, j\u00e1 t\u00ednhamos at\u00e9 esquecido o que era isso. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Pode ser que eu queime a l\u00edngua e todos n\u00f3s nos decepcionemos, mas dois jogos bastaram para escancarar a brutal diferen\u00e7a entre M\u00e1rcio Ara\u00fajo e Cu\u00e9llar. O primeiro recebe a bola, rodopia, p\u00f5e-se de costas para o campo advers\u00e1rio e rola de forma burocr\u00e1tica para um dos zagueiros, numa li\u00e7\u00e3o completa do que um meio-campista jamais deveria ser. O segundo domina e, como que por instinto, ergue a cabe\u00e7a, olha para a frente e empurra o time para o ataque. Quando isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, toca e desloca-se em velocidade para, j\u00e1 no momento seguinte, fazer o jogo fluir. Nada disso acontece por gosto ou temperamento, a quest\u00e3o \u00e9 de compet\u00eancia. Cu\u00e9llar sabe que sabe jogar, o que o deixa seguro para tocar r\u00e1pido e arriscar; M\u00e1rcio Ara\u00fajo tem consci\u00eancia de que n\u00e3o sabe, o que o obriga a atuar como um jogador de r\u00fagbi \u2013 estranho esporte em que s\u00f3 \u00e9 permitido passar a bola para tr\u00e1s ou para os lados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Tem-se discutido se Mancuello \u00e9 ou n\u00e3o um camisa dez. Tudo leva a crer que n\u00e3o, embora seja necess\u00e1rio entender que n\u00e3o h\u00e1 apenas um estilo de camisa dez. Dono de enorme vis\u00e3o de jogo, passe precioso e din\u00e2mica zero, Paulo Henrique Ganso \u00e9 um camisa dez. Com muito menos t\u00e9cnica, mas bem mais aguerrido e participativo, Renato Augusto tamb\u00e9m \u00e9. Mesmo que Mancuello n\u00e3o seja, pouco importa: um meio-campo moderno, em que todos defendam e ataquem com efici\u00eancia, pode suprir com sobras a aus\u00eancia da t\u00e3o desejada figura. N\u00e3o quero misturar alhos a bugalhos, mas nas duas ou tr\u00eas vezes em que assisti a jogos do Bayern de Munique n\u00e3o vi ningu\u00e9m exercendo o papel de camisa dez, pelo menos do jeito que o entendemos. E \u00e9 um time espetacular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Muricy ainda tem experi\u00eancias a fazer, para dar alternativas de jogo ao Flamengo e n\u00e3o o deixar previs\u00edvel. H\u00e1 partidas ou situa\u00e7\u00f5es em que Alan Patrick ser\u00e1 \u00fatil. Se chegar enfim \u00e0 condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica que lhe permita participar de toda a temporada, Ederson vai brigar por vaga. (Cirino vem melhorando, mas deixa a impress\u00e3o de que falta uma centelha que o desperte definitivamente, e Emerson sofre do grave problema de achar que ainda \u00e9 capaz de fazer, hoje, o mesmo que fazia h\u00e1 cinco anos. Ret\u00e9m demais a bola, retarda contra-ataques com driblezinhos tolos e em v\u00e1rios momentos se mostra mais interessado em jogar para a plateia do que para o time.) O meio-campo com Cu\u00e9llar, Willian Ar\u00e3o e Mancuello est\u00e1 com pinta de que vai se transformar em um dos mais equilibrados e capazes do futebol brasileiro, e Ederson pode ser a cereja desse belo bolo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio falar de Rodinei, que tem todas as chances de rapidamente ser reconhecido como o melhor lateral direito rubro-negro nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Por fim, e mesmo sem abrir m\u00e3o de uma que outra pixotada de praxe, C\u00e9sar Martins e Wallace fizeram \u00f3tima partida, com apenas uma falha grave: a cobran\u00e7a de escanteio em que C\u00edcero subiu sozinho e cabeceou rente \u00e0 trave. Entretanto, a expuls\u00e3o de Wallace n\u00e3o merece passar batida \u2013 ao contr\u00e1rio da de Cu\u00e9llar, que me pareceu exagerada e t\u00edpica das p\u00e9ssimas arbitragens brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O gesto do nosso fil\u00f3sofo me fez lembrar uma entrevista do m\u00e9dico e memorialista mineiro Pedro Nava a Roberto d\u2019Avila, no antigo programa <em>Conex\u00e3o Nacional<\/em>. D\u2019Avila perguntou a Nava, ent\u00e3o beirando os 80 anos de idade, o que representava para ele a experi\u00eancia. A resposta foi um primor: \u201cNada. Pra mim, a experi\u00eancia \u00e9 como um autom\u00f3vel com os far\u00f3is voltados para dentro.\u201d <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> J\u00e1 leu Pedro Nava, capit\u00e3o?<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O povo fala demais, mas dizia-se que, tanto no Corinthians quanto no Fluminense, Rivellino costumava aterrorizar os garotos que subiam para treinar no time principal, ordenando que lhe passassem a bola com a senten\u00e7a humilhante: \u201cD\u00e1 pra quem sabe. 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