{"id":1573,"date":"2015-11-10T22:23:05","date_gmt":"2015-11-10T22:23:05","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=1573"},"modified":"2015-11-11T13:34:38","modified_gmt":"2015-11-11T13:34:38","slug":"vaias-pra-que-te-quero","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/vaias-pra-que-te-quero\/","title":{"rendered":"Vaias pra que te quero."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A cultura e o esporte brasileiros sempre conviveram intimamente com as vaias. Uma das frases cl\u00e1ssicas de Nelson Rodrigues garantia que \u201cno Maracan\u00e3, vaia-se at\u00e9 minuto de sil\u00eancio\u201d. Procede. Imagino que existam outros exemplos, mas a \u00fanica vez em que vi um minuto de sil\u00eancio respeitoso e comovente \u2013 n\u00e3o apenas no Maracan\u00e3, mas em todos os est\u00e1dios brasileiros \u2013 foi em abril de 2011, no final de semana seguinte ao da brutal chacina de doze adolescentes na escola Tasso da Silveira, em Realengo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A foto que ilustra este post \u00e9 um frame do que houve no 3\u00ba Festival da Record, em 1967. Impedido pelas vaias de interpretar sua m\u00fasica <em>Beto Bom de Bola<\/em>, S\u00e9rgio Ricardo pediu tr\u00e9gua \u00e0 plateia, implorou, sugeriu trocar o nome da m\u00fasica para <em>Beto Bom de Vaia<\/em>, mas, como nada funcionou, perdeu as estribeiras, gritou duas vezes \u201cvoc\u00eas ganharam\u201d, quebrou o viol\u00e3o e arremessou-o na cabe\u00e7a do p\u00fablico. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Creio que a vaia mais cruel da hist\u00f3ria do futebol continua sendo e ser\u00e1, para todo o sempre, a que se destinou ao ponta-direita Julinho Botelho, da nossa sele\u00e7\u00e3o. Era um festivo amistoso contra os ingleses, no Maracan\u00e3, em 1959. Ansiosa por ver Garrincha em campo com a camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira, pela primeira vez ap\u00f3s a conquista da Copa na Su\u00e9cia, a torcida carioca descarregou sua ira sobre o substituto, que nada tinha a ver com a decis\u00e3o do treinador Vicente Feola de n\u00e3o escalar o grande Man\u00e9. Quando o sistema de som do est\u00e1dio anunciou Julinho entre os titulares, seguiu-se uma vaia t\u00e3o avassaladora quanto uma vaia pode ser. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Pois Julinho entrou, engoliu a bola, arrebentou com os ingleses, fez o primeiro gol da vit\u00f3ria por dois a zero, deu o passe para o rubro-negro Henrique fazer o segundo e saiu ovacionado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> N\u00e3o h\u00e1 como comparar a vaia a Julinho Botelho com a vaia a Alan Patrick. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> 1) A vaia a Julinho veio como consequ\u00eancia da falta de informa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Lembremos: corria o ano de 1959, as not\u00edcias circulavam na velocidade de um c\u00e1gado e dependiam da arg\u00facia dos rep\u00f3rteres. (Uma das vers\u00f5es para a barra\u00e7\u00e3o de Garrincha, embora nunca admitida, era a de que o Man\u00e9 chegara \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o brasileira mamada\u00e7o, depois de entornar o que Alan Patrick, Everton, Paulinho, Par\u00e1 e Cirino, juntos, jamais conseguiriam beber.) J\u00e1 a vaia a Alan Patrick aconteceu pelo motivo oposto: o excesso de informa\u00e7\u00e3o por parte do p\u00fablico, uma vez que hoje sabemos instantaneamente de tudo o que todos est\u00e3o fazendo e aonde. Uma chatice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> 2) A vaia a Julinho ocorreu num dia em que o ent\u00e3o gigantesco Maracan\u00e3 recebia mais de 130 mil pessoas. Imaginem a ang\u00fastia. No \u00faltimo domingo, o jogo entre Flamengo e Goi\u00e1s tinha 10% disso. P\u00fablico de partidinha de v\u00f4lei. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> 3) O time que Julinho destro\u00e7ou, para calar e reverter o esp\u00edrito da torcida carioca, foi a garbosa sele\u00e7\u00e3o inglesa. J\u00e1 Alan Patrick virou o jogo junto aos torcedores rubro-negros passeando sobre o ab\u00falico Goi\u00e1s, que parecia estar se lixando para o fato de se aproximar irrefreavelmente da segunda divis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Tamb\u00e9m vaiado \u2013 ali\u00e1s, bem mais vaiado que Alan Patrick \u2013 Par\u00e1 mostrou as habituais disposi\u00e7\u00e3o e falta de recursos. Jogou s\u00e9rio, deixou as travas da chuteira na cara do advers\u00e1rio, fez boa jogada no lance do segundo gol, foi mais Par\u00e1 do que nunca. Entretanto, precisamos reconhecer que, tal um Julinho redivivo, Alan Patrick deitou, rolou e, com sua movimenta\u00e7\u00e3o e a precis\u00e3o de seus passes, provou que sobra em nosso elenco e nos deixou com uma pulga atr\u00e1s da orelha: se dependemos tanto assim de Alan Patrick, o que nos espera em 2016?<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura e o esporte brasileiros sempre conviveram intimamente com as vaias. 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