{"id":1270,"date":"2015-07-06T14:24:36","date_gmt":"2015-07-06T14:24:36","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=1270"},"modified":"2015-07-06T14:24:36","modified_gmt":"2015-07-06T14:24:36","slug":"brinquedo-de-mau-gosto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/brinquedo-de-mau-gosto\/","title":{"rendered":"Brinquedo de mau gosto."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ainda nos tempos de Urublog, o Gr\u00e3o-Mestre Arthur Muhlenberg sapecou uma frase preciosa em um de seus posts: \u201cTorcida tem idade mental de uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos\u201d. E n\u00e3o \u00e9 exclusividade da torcida desse ou daquele clube, pois que a afirma\u00e7\u00e3o vale para todas. Ano passado, enquanto o indigente time do Botafogo se matava em campo para achar um jogo que n\u00e3o tinha, volta e meia se ouvia a torcida \u2013 quer dizer, aquelas duas d\u00fazias de abnegados \u2013 gritar \u201cqueremos ra\u00e7a!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Creio haver um estranho componente emocional nesse comportamento. N\u00e3o sei exatamente o motivo, mas tenho a impress\u00e3o de que, para nossa idade mental de tr\u00eas anos, \u00e9 mais razo\u00e1vel acreditar que o time n\u00e3o tem ra\u00e7a do que constatar que o time \u00e9 ruim. \u00c0s vezes a gente at\u00e9 percebe um descaso inaceit\u00e1vel em jogadores profissionais \u2013 feito o de Anderson Pico abandonando a sequ\u00eancia do lance, para olhar grama e chuteira, ao ser ultrapassado pelo lateral do Vasco \u2013, mas raramente o problema \u00e9 falta de ra\u00e7a. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Ali\u00e1s, a \u00faltima Copa do Mundo deixou claro que ra\u00e7a, sangue nos olhos e hino \u00e0 capela n\u00e3o fazem de onze caras um bom time de futebol. Mais valem o equil\u00edbrio emocional, a organiza\u00e7\u00e3o, cada um saber o que tem de fazer dentro de campo e estar treinado para faz\u00ea-lo da melhor maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Entre as 22h e as 22h10 da \u00faltima quarta-feira, eu e a torcida do Flamengo experimentamos uma tensa sensa\u00e7\u00e3o de <em>d\u00e9j\u00e0 vu<\/em>. Samir saindo machucado aos 4 minutos de jogo; Marcelo recuando a bola com um tiro de meta que obrigou C\u00e9sar a coloc\u00e1-la do jeito poss\u00edvel para escanteio; nosso goleiro ca\u00e7ando borboleta na cobran\u00e7a, e o gol do Joinville evitado por Ayrton em cima da linha; Jonas \u2013 que acabaria por fazer um partida\u00e7o \u2013 dando outra voadora em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cabe\u00e7a de um dos advers\u00e1rios; Gabriel concluindo para o gol com seus irritantes chutinhos de pernas de siriema. Entretanto, ao contr\u00e1rio do que prometia o in\u00edcio do jogo, conseguimos realizar algo pr\u00f3ximo do que caracteriza um time de futebol, embora no final tenhamos voltado a nos comportar como o Clube de Regatas Far\u00e2ndola e cuidando de segurar o resultado com formid\u00e1veis bicudas para onde o nariz apontasse. Enfim, ganhamos, e entre mortos e feridos salvaram-se os tr\u00eas pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A\u00ed chega o domingo, e com ele o problema recorrente do time do Flamengo: quando a quarta-feira nos d\u00e1 uma leve animada, l\u00e1 vem o domingo para nos devolver \u00e0 realidade. Ou vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> At\u00e9 que tivemos um bom primeiro tempo e s\u00f3 corremos risco uma vez, quando Wallace fez o que meu neto de quatro anos j\u00e1 aprendeu que um zagueiro t\u00e3o culto jamais deve fazer: cabeceou uma bola para a entrada da nossa \u00e1rea, o cara do Figueirense pegou de prima e C\u00e9sar defendeu bem. N\u00e3o h\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica que esconda a ruindade assumida de Marcelo ou acoberte a fragilidade de Wallace, mas est\u00e1vamos organizados, com Jonas, Canteros e Alan Patrick dominando o meio-campo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Chegamos ao gol, com Alan Patrick mostrando calma e habilidade, mas sucumbimos uma vez mais a uma falta tola de Wallace, num lance em que Jonas j\u00e1 tomara a frente e a bola do atacante. (Por favor, percam dois minutinhos e deem uma lida no 9\u00ba e no 10\u00ba par\u00e1grafos do post \u201cOutro Esporte\u201d, publicado aqui no RP&amp;A em 14 de abril, em que fa\u00e7o uma listinha r\u00e1pida dos gols que tomamos e dos constantes perigos que corremos em decorr\u00eancia de faltas pueris cometidas por nossos zagueiros e volantes.) <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> A partir da\u00ed, deixamos de ser o time de futebol que estava em campo e voltamos a nos transformar em algo semelhante a um bloco de embalo. Prefiro escrever os posts sem ler ou ouvir coment\u00e1rios sobre a partida, o que pode me levar a cometer injusti\u00e7as, mas por todos sabermos que o maior dos nossos males \u00e9 a desorganiza\u00e7\u00e3o, Crist\u00f3v\u00e3o errou feio em tirar Alan Patrick. Mesmo que ele tenha pedido para sair, Crist\u00f3v\u00e3o continua errado por n\u00e3o ter posto Arthur Maia. E se considerarmos que Arthur Maia n\u00e3o inspira confian\u00e7a no treinador, o que \u00e9 evidente, que ele colocasse Jaj\u00e1, Eduardo da Silva, Eduardo Bandeira de Mello, qualquer um menos Paulinho.   <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O final do jogo trouxe uma das cl\u00e1ssicas \u201cflamenguices\u201d das quais a Nivinha tanto se queixa, e o pior \u00e9 que, do mesmo modo que o comecinho da partida com o Joinville, teve todo o jeit\u00e3o de <em>d\u00e9j\u00e0 vu<\/em>. Estava na cara que aquele desespero n\u00e3o poderia acabar bem, ser\u00e1 que s\u00f3 Crist\u00f3v\u00e3o n\u00e3o viu? <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> O desequil\u00edbrio e o descontrole do time s\u00e3o not\u00f3rios, transparentes, inilud\u00edveis, e apenas isso explica tomar uma virada do Figueirense no Maracan\u00e3. Quando perdemos do Atl\u00e9tico, h\u00e1 duas semanas, reclamamos da nossa falta de organiza\u00e7\u00e3o mas fomos un\u00e2nimes em reconhecer os m\u00e9ritos do time mineiro. No caso do Figueirense, n\u00e3o existe essa possibilidade. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> E seguimos n\u00f3s na triste sina que nos acompanha h\u00e1 tempos, com duas ou tr\u00eas temporadas de exce\u00e7\u00e3o: a de, em vez de vencer, vencer, vencer e torcer pelos mais fracos contra os mais fortes para facilitar nosso caminho ao t\u00edtulo, perder, perder, perder e ter que torcer pelos mais fortes contra os mais fracos para impedir nossa ida \u00e0 segunda divis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom:24px\"> Na boa: isso n\u00e3o \u00e9 Flamengo.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda nos tempos de Urublog, o Gr\u00e3o-Mestre Arthur Muhlenberg sapecou uma frase preciosa em um de seus posts: \u201cTorcida tem idade mental de uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos\u201d. 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