{"id":11207,"date":"2023-08-07T00:16:26","date_gmt":"2023-08-07T00:16:26","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=11207"},"modified":"2023-09-03T22:31:22","modified_gmt":"2023-09-03T22:31:22","slug":"uma-noite-no-louvre-rubro-negro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/uma-noite-no-louvre-rubro-negro\/","title":{"rendered":"Uma noite no Louvre rubro-negro"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>No princ\u00edpio era a palavra, e a palavra estava com deus, e a palavra era deus. E assim, com um bonito e curto discurso de abertura de Zico, o Museu Flamengo foi declarado aberto para a Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>A magia j\u00e1 havia rolado antes, na visita de funcion\u00e1rios e imprensa. A Camila, condecorada atleta do nado sincronizado rubro-negro, sem saber, emprestara para uns amigos um antigo mai\u00f4 de estima\u00e7\u00e3o. Quando ela passeava pelo Museu e viu seu traje sob as luzes da vitrina, junto a outros itens hist\u00f3ricos, dobrou os joelhos e chorou feito uma beb\u00ea nadadora.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Enquanto a Charanga Rubro-Negra descansava e o presidente Rodolfo Landim dedicava o Museu aos esportistas da hist\u00f3ria flamenga, eu me espremia entre o Anjinho do Fla e o escritor David Butter, duas entidades et\u00e9reas do clube. Us\u00e1vamos cada um sua pulseira, que organizava a multid\u00e3o por diferentes cores e grupos, por ordem de chegada. Era essa minha pulseira negra que mais tarde me daria acesso \u00e0 mais nova atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica do Rio de Janeiro. <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>(Em ordem, agora temos: a praia de Ipanema, o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, o Redentor, o Museu Flamengo, o bar Bip-Bip e o heliporto do Rio Sul, a melhor vista da cidade, infelizmente apenas para magnatas.)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>A cada rodada de palmas eu era acertado no rosto por um murrinho da asa de espuma do Anjo, talvez para me lembrar que aquilo tudo era leg\u00edtimo, inclusive o u\u00edsque r\u00f3tulo preto que circulava em tonelitros. Definitivamente, os tempos do \u201cAcabou o dinheiro\u201d faziam parte do passado, sem direito a cita\u00e7\u00e3o no novo Museu.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Perto da est\u00e1tua lustrad\u00edssima do Zico, dois velhos rep\u00f3rteres papeavam sobre o dolorido (este sim) murro que abalou a temporada flamenga. \u201cO que a imprensa ainda n\u00e3o conseguiu abordar \u00e9 que Pedro e Sampaoli t\u00eam convic\u00e7\u00f5es conflitantes e dificuldade em dialogar. Um \u00e9 argentino, ateu e profundamente de esquerda; o outro \u00e9 jovem, religioso e al\u00e9m disso\u2026\u201d Mas o gar\u00e7om do u\u00edsque passou e fui atr\u00e1s.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Abracei o velho torcedor Almir, amigo de Zico desde Quintino e dono da maior cole\u00e7\u00e3o de ingressos do Brasil, talvez mais valiosa que a do Dudu Vinicius. Meu irm\u00e3o pediu uma foto entre Andrade e Mozer, num blazer impec\u00e1vel, que toparam, para depois soprarem: \u201cS\u00f3 n\u00e3o saia sem uma foto com aquele cara ali, para n\u00e3o lamentar depois\u2026\u201d Era um mais-velho de cabelos brancos, reserva do time de 1981 e longe da velha forma. Brindamos com ele e, ap\u00f3s uns 21 minutos de bate-papo, n\u00e3o resisti e fui buscar um amigo: \u201cCom licen\u00e7a, mestre. Deixa eu apresentar voc\u00eas: Arthur Muhlenberg, esse \u00e9 o nosso her\u00f3i Anselmo. Anselmo, Arthur.\u201d Foi mais legal que apresentar meu sobrinho ao Sonic.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Mais para l\u00e1 do que para c\u00e1, vi que o sagu\u00e3o do clube estava bem menos apinhado, e parti porta adentro do Museu, saudado pelo velho seguran\u00e7a Pinheiro com vistosa gravata vermelha.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>A visita come\u00e7a por um t\u00fanel com filmes e cenas de diversos esportes rubro-negros, com melodias que todos rubro-negros conhecem. \u00c9 o primeiro arrepio. O visitante ent\u00e3o d\u00e1 de cara com um pr\u00e9dio de ta\u00e7as, copas, trof\u00e9us e pe\u00e7as que justificam at\u00e9 um \u00f3culos escuros. Fiquei maluco com uma caravela colossal que ganhamos sei l\u00e1 quando, achei que pudesse ser contra o Benfica ou o Vasco. No monitor, meti o ded\u00e3o cheio de gordura de canap\u00e9 (perd\u00e3o, Museu) cliquei, passei pro lado e aprendi. Trof\u00e9u Colombino, 14 quilos. Conquistado em Huelva, Espanha, em agosto de 1988. Ap\u00f3s gol de Aldair.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Num tel\u00e3o, o Zico falou alguma coisa comigo mas segui em frente, j\u00e1 fungando. Um mapa gigante em vermelho e preto mostra onde est\u00e3o as principais torcidas do Fla, quem fundou e quando. Est\u00e1 l\u00e1 o nome do Lucio de Castro, eternizado como co-fundador da Falange em 1981. Surgiu ao meu lado uma velha guarda da Ra\u00e7a e eu me meti a perguntar: \u201cFundadores da Ra\u00e7a: Wellington Ceguinho! Conheceram essa lenda?\u201d Ouvi um \u201chein? Claro, porra\u201d, quase tomei um piparote na orelha e achei melhor me adiantar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Um remo antigo, a cole\u00e7\u00e3o de caixinhas de f\u00f3sforos de 1953 que voc\u00eas certamente j\u00e1 viram foto (tem Zagallo, Dida e at\u00e9 o padre G\u00f3es), os tesouros n\u00e3o paravam de sair da arca.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Fiquei um bom tempo a rever em tel\u00e3o os gols de Nunes no Liverpool, inebriado pelos sons e cheiros do Museu. Foi quando adentrei a segunda maior atra\u00e7\u00e3o do Museu. Trata-se de um cinema tubular com o filme do Roberto Berliner que, em seis minutos, busca resumir o que \u00e9 ser flamengo. A primeira cena \u00e9 de deixar Orson Welles fazendo beicinho, humilhado. S\u00e3o cenas \u00e9picas da torcida do Mengo enchendo trens, entrecortadas com os jogadores a entrar no \u00f4nibus para o est\u00e1dio. L\u00e1 pelas tantas, ainda aparece meu amigo de inf\u00e2ncia Cristiano Cury, enfurecido a cornetar algum \u00e1rbitro. Logo ele, talvez o carioca mais pac\u00edfico que conheci na vida.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>No caminho para a sa\u00edda, uma boa sacada. Em destaque, o \u00faltimo trof\u00e9u conquistado pelo time, e os dizeres \u201cAten\u00e7\u00e3o: \u00e1rea em constante atualiza\u00e7\u00e3o.\u201d Eu j\u00e1 me dirigia para fora, ap\u00f3s abanar para o m\u00edtico torcedor Moraes a chorar no tel\u00e3o no gol em Lima, quando percebi um casal saindo de caverna meio discreta, no canto. Entrei e quase n\u00e3o consegui sair: no tel\u00e3o, Zico e Junior sentam-se para um papo de bar, a relembrar v\u00e1rios epis\u00f3dios que viveram juntos com o Flamengo, com o t\u00edpico bom humor carioca \u2013 espinafram \u00e1rbitros, brincam com o goleiro Raul, recordam seus primeiros treinadores, jogos um contra o outro no sal\u00e3o\u2026 Vi e revi quatro vezes, at\u00e9 ouvir: \u201cEi, ainda tem um cara aqui!\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>\u00c9, o Museu precisava fechar. Agradeci o estafe, me despedi, e ao passar pela galeria dos bicampe\u00f5es mundiais de basquete, n\u00e3o resisti: catei uma bolinha de guardanapo perdida no bolso da cal\u00e7a, encestei no aro e fui embora gigante, me sentindo o pr\u00f3prio Algod\u00e3o. Ou o Guguta, se o cora\u00e7\u00e3o do povo n\u00e3o for forte feito o do historiador Jo\u00e3o, que semanas antes de ver o Museu pronto quase teve um piripaque. Danado, Jo\u00e3o!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Ao sair, brindei com o busto do fundador Agostinho Pereira da Cunha e enfim espiei os pre\u00e7os, justos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Cariocas pagam 60 mangos para entrar, fora as l\u00e1grimas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/marcelo\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Marcelo Dunlop\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No princ\u00edpio era a palavra, e a palavra estava com deus, e a palavra era deus. 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