{"id":10563,"date":"2022-02-23T02:32:56","date_gmt":"2022-02-23T02:32:56","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=10563"},"modified":"2022-03-21T23:36:26","modified_gmt":"2022-03-21T23:36:26","slug":"um-cacique-chamado-maracana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/um-cacique-chamado-maracana\/","title":{"rendered":"Um cacique chamado Maracan\u00e3"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o leu o Simas, est\u00e1 por baixo. Refiro-me, evidente, ao livro \u201cMaracan\u00e3: quando a cidade era terreiro\u201d, do professor Luiz Antonio Simas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Mais do que uma necess\u00e1ria biografia do est\u00e1dio mais cultuado do planeta, mais do que uma leitura perfeita para o ver\u00e3o, trata-se de uma senhora aula do Simas, como as que ele costuma proferir nas cal\u00e7adas em frente ao bar Madrid. A vantagem do livro \u00e9 que n\u00e3o tem hora para fechar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>N\u00e3o vou dar spoiler, nem ficar reprisando os tantos her\u00f3is que Simas eterniza no livro \u2013 al\u00e9m, gola\u00e7o, de v\u00edtimas quase an\u00f4nimas cujo destino foi morrer no Maraca. Desgra\u00e7a \u2013 se h\u00e1 um consolo, pelo menos escaparam das enxurradas de Petr\u00f3polis. Simas honra os jovens Frederico Castilho, Cl\u00e1udio Galda e S\u00e9rgio Marques, que perderam a vida na final do Brasileiro de 1992, quando torcedores do Flamengo ca\u00edram da arquiba.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Mas h\u00e1 outros anjos e bons esp\u00edritos que sobrevoam o livro. Um dos mais espantosos, inesperados e apaixonantes \u00e9 o de um \u00edndio. Um velho \u00edndio que provavelmente habitou as margens daquele rio ainda de \u00e1guas limpas e pesc\u00e1veis, banh\u00e1veis e beb\u00edveis.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Quem traz \u00e0 baila esse \u00edndio poderoso, logo nas p\u00e1ginas iniciais, \u00e9 o estudioso Alberto Mussa, flamengo fan\u00e1tico, portanto um s\u00e1bio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Por que o nome Maracan\u00e3, Mussa?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>\u201cMaracan\u00e3 \u00e9 um psitac\u00eddeo, da turma dos papagaios e araras. Agora, porque o rio e o bairro se chamam Maracan\u00e3 \u00e9 outra hist\u00f3ria\u201d, diz Alberto Mussa, conhecedor do tupi e autor de obras sobre mitologias ind\u00edgenas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Ele ent\u00e3o prossegue:<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>\u201cMinha hip\u00f3tese (baseada na tradi\u00e7\u00e3o tupinamb\u00e1) \u00e9 que devia haver ali uma taba cujo nome era Maracan\u00e3, por ter como tuxaua um homem chamado Maracan\u00e3, j\u00e1 que as tabas eram nomeadas muitas vezes pelo nome de seu l\u00edder. Um homem com nome de Maracan\u00e3 \u00e9 plenamente veross\u00edmil. Essa conversa de que na regi\u00e3o toda havia revoadas de maracan\u00e3s n\u00e3o me convence: sendo assim, a cidade iria se chamar Maracan\u00e3 tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>O leitor eu n\u00e3o sei, mas eu larguei o livro na hora e fui tomar um copo d\u2019\u00e1gua bem gelada. Um tuxaua! E chamado Maracan\u00e3\u2026<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Tuxaua, em tupi, \u00e9 &#8220;aquele que manda\u201d. Uma lideran\u00e7a pol\u00edtica, respons\u00e1vel pela sabedoria e leis da aldeia. Como Simas escreve, se havia mesmo um cacique ou somente bandos de papagaios, trata-se de uma discuss\u00e3o \u201cque a rigor n\u00e3o pode ser resolvida\u201d. A n\u00e3o ser, digo eu, com uma apura\u00e7\u00e3o profunda, num bom terreiro.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Mas, se houve um cacique Maracan\u00e3, se esse tuxaua chamado Maraca comandou um dia aquelas bandas, como seria a figura?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Claro, s\u00f3 poderia vestir um imenso cocar rubro-negro. E fisicamente? Ah, a estampa e a pose de Didi. Os olhos de Pel\u00e9. O p\u00e9 direito de Zico, claro. E, j\u00e1 que falou-se de papagaio, a canhota do Canhotinha G\u00e9rson.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>As panturrilhas seriam como as do Junior, e os calcanhares do S\u00f3crates. O sorris\u00e3o seria do Roberto Dinamite. O peitoral, todo decorado de dentes de capivaras? Do Obina, de quem mais? E sua linguagem seria algum grunhido parecido com o do Felipe Melo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Grande cacique Maracan\u00e3. Teria sido um bom l\u00edder para seu povo? Ou s\u00f3 fazia e falava asneiras como os de hoje? N\u00e3o sei. Mas sou capaz de apostar que era um nativo cheio de sabedoria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>Um tuxaua que, se soubesse que h\u00e1 um est\u00e1dio com seu nome fechado por meses e meses por falta de grama, largaria uns bons feiti\u00e7os e mandingas nessa cambada de cara\u00edba ruim de jogo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p><em>Kuekaturet\u00e9<\/em>, cacique Maracan\u00e3! Olhai por n\u00f3s, ali da beirinha da marquise, onde algum bal\u00e3o de um velho torcedor ecologicamente incorreto ainda h\u00e1 de passar pertinho dos teus p\u00e9s, rumo aos c\u00e9us de tua taba, uma taba sofrida chamada Maracan\u00e3.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p>N\u00e3o deixe de ler o livro do Simas, obra que h\u00e1 de continuar de p\u00e9 quando o est\u00e1dio de concreto j\u00e1 estiver arruinado feito um Coliseu.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea n\u00e3o leu o Simas, est\u00e1 por baixo. Refiro-me, evidente, ao livro \u201cMaracan\u00e3: quando a cidade era terreiro\u201d, do professor Luiz Antonio Simas. 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