{"id":1016,"date":"2015-04-21T22:00:15","date_gmt":"2015-04-21T22:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/?p=1016"},"modified":"2015-04-22T01:02:34","modified_gmt":"2015-04-22T01:02:34","slug":"humildade-acima-de-tudo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/humildade-acima-de-tudo\/","title":{"rendered":"Humildade acima de tudo."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Quando terminou a partida contra o Nova Igua\u00e7u, Alecsandro disse que, mesmo se aquele jogo tivesse quarenta minutos a mais, a bola n\u00e3o entraria. Este \u00e9 um dos chav\u00f5es mais irritantes a que costumam recorrer jogadores e times que n\u00e3o cultivam o saud\u00e1vel h\u00e1bito de botar a bola pra dentro, como se a pobre-coitada tivesse vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">O que ningu\u00e9m jamais poderia supor \u00e9 que os quarenta minutos de acr\u00e9scimos citados por Alecsandro seriam esticados para mais de 180. Pois foi essa a proeza que o Flamengo conseguiu: al\u00e9m dos noventa minutos contra o poderoso Nova Igua\u00e7u, ficamos mais 180 sem fazer um m\u00edsero golzinho \u2013 o que poderia ser at\u00e9 aceit\u00e1vel se os advers\u00e1rios fossem o Chelsea e o Real Madrid. Mas foi o Vasco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">T\u00e1 certo. A aus\u00eancia de Flamengo e Fluminense na final era tudo o que a Ferj queria, e fez por conseguir. As suspens\u00f5es de Luxemburgo e Fred foram arbitr\u00e1rias. O Vasco ter oito p\u00eanaltis marcados a seu favor em dezessete jogos do Campeonato Carioca representa a mais deslavada sem-vergonhice. (Lembremos que, no Campeonato Brasileiro de 2011, naquele time que tinha Ronaldinho Ga\u00facho e Thiago Neves, em 38 rodadas nenhum p\u00eanalti foi marcado a favor do Flamengo.) Com exce\u00e7\u00e3o de Carlos Alberto Torres, que a cada participa\u00e7\u00e3o no Troca de Passes parece assinar um autoatestado de insanidade mental, n\u00e3o vi um s\u00f3 comentarista achar que houve p\u00eanalti de Wallace em Serginho. Tudo isso \u00e9 verdade, mas n\u00e3o \u00e9 nada disso o que precisamos agora. (Arthur Muhlenberg tem raz\u00e3o: com a justa exce\u00e7\u00e3o da Nivinha, reclamar de arbitragem \u00e9 para os fracos.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Humildade, isso sim. \u00c9 disso o que precisamos, para reavaliar o que n\u00e3o funcionou e por qu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Optamos por dois laterais mais presos \u00e0 zaga para seguir o padr\u00e3o \u2013 desculpem, mas foi mais ou menos o que nos disseram \u2013 dos melhores times do mundo, que s\u00f3 usam no meio-campo gente que joga muita bola. No entanto, na partida de domingo entramos com Jonas, M\u00e1rcio Ara\u00fajo e Luiz Ant\u00f4nio. Ouvimos nosso treinador decretar o fim e a morte do centroavante fixo, para logo depois sermos brindados com a titularidade absoluta de Alecsandro. Diante da insist\u00eancia dos rep\u00f3rteres, j\u00e1 vi Luxemburgo pedir que esque\u00e7am o tal do 10, porque ele n\u00e3o existe mais no futebol brasileiro. Uma pinoia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Independentemente do estilo, da qualidade e das cr\u00edticas que podem ser feitas a cada um deles, o S\u00e3o Paulo tem um 10 (Ganso), o Santos tem um 10 (Lucas Lima), o Palmeiras tem um e meio (Clayton Xavier e Vald\u00edvia), o Inter se d\u00e1 ao luxo de ter dois (Alex e D\u2019Alessandro), o Corinthians chega ao c\u00famulo de ter tr\u00eas (Renato Augusto, J\u00e1dson e Danilo). \u00c9 o tipo de jogador que precisa ser procurado de modo incans\u00e1vel, e at\u00e9 mesmo passando por cima de eventuais limita\u00e7\u00f5es e defeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Nas treze \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es do Brasileir\u00e3o, todos \u2013 eu disse todos \u2013 os clubes campe\u00f5es tinham um 10 em campo. Diego no Santos de 2002; Alex no Cruzeiro de 2003; Ricardinho no Santos de 2004; Roger no Corinthians de 2005; Danilo no S\u00e3o Paulo de 2006; Jorge Wagner no S\u00e3o Paulo de 2007 e 2008; Petkovic no Flamengo de 2009; Conca no Fluminense de 2010; novamente Danilo, agora no Corinthians de 2011; Deco no Fluminense de 2012; \u00c9verton Ribeiro no Cruzeiro de 2013 e 2014. \u00c9 dif\u00edcil argumentar contra os fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Deixemos de lado Eurico Miranda e o triste destino que o ris\u00edvel respeito que ele prega \u2013 na verdade, uma infeliz mistura de autoritarismo, atraso e m\u00e9todos escusos \u2013 reserva ao futuro do Vasco. Esque\u00e7amos a inexpressiva figura de Rubens Lopes. Cuidemos da nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Desde a primeira rodada, com aquela mal-explicada invas\u00e3o do vesti\u00e1rio em Maca\u00e9, sab\u00edamos que o carioca 2015 n\u00e3o deveria ser levado a s\u00e9rio, embora sejamos for\u00e7ados a admitir que, se tiv\u00e9ssemos jogado bola, poder\u00edamos superar as diversas armadilhas montadas. Perder nunca \u00e9 bom, mas pode ter l\u00e1 seus proveitos quando nos escancara algumas verdades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Primeira: admitir que a prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica n\u00e3o foi bem-feita. Nossos jogadores tiveram trinta dias de f\u00e9rias, fizeram uma pr\u00e9-temporada cuidadosa e, no entanto, na reta final do carioquinha sempre tivemos v\u00e1rios deles sem condi\u00e7\u00f5es de jogo. No Fla-Flu que vencemos por tr\u00eas a zero o Fluminense entrou completo, enquanto n\u00f3s n\u00e3o contamos com Samir, C\u00e1ceres, Canteros, Everton e Nixon. Na partida de domingo o Vasco mandou a campo todos os seus titulares, enquanto n\u00f3s n\u00e3o pudemos usar Samir, C\u00e1ceres, Canteros, Nixon e Paulinho. Al\u00e9m disso, Marcelo Cirino e Everton, mesmo com uma semana sem jogo e teoricamente dedicada a treinos e descanso, puseram a l\u00edngua de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Futebol \u00e9 um esporte de contato, com pancadas e tor\u00e7\u00f5es que a prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica n\u00e3o pode evitar, mas nos casos de Samir, Everton e nessa \u00faltima contus\u00e3o do Paulinho, as les\u00f5es foram musculares. No Brasileir\u00e3o, um campeonato com jogos dur\u00edssimos e longas viagens, compreende-se. No carioca, em que os advers\u00e1rios s\u00e3o ruins de doer e o est\u00e1dio mais distante fica a menos de duzentos quil\u00f4metros, \u00e9 inadmiss\u00edvel. N\u00e3o discuto o curr\u00edculo e a compet\u00eancia de Ant\u00f4nio Mello, mas n\u00e3o reconhecer que a coisa desandou \u00e9 querer tapar o sol com a peneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Na segunda quest\u00e3o, fa\u00e7o uma pergunta bem objetiva ao pessoal que costuma aparecer aqui na caixa de coment\u00e1rios: na boa, gente, quem do nosso elenco merece o carimbo de \u201cjogador do Flamengo\u201d? Da mesma forma que o carioqueta n\u00e3o pode servir de par\u00e2metro para coisa alguma, n\u00e3o adianta comparar com o que tem o Botafogo, o Vasco ou o Fluminense. E, nesse momento pouco inspirado do futebol brasileiro, tampouco vale olhar para os outros estados e afirmar, como eu mesmo j\u00e1 fiz, que n\u00e3o h\u00e1 nada muito melhor por a\u00ed. Sim, n\u00e3o h\u00e1, mas dane-se. Precisamos pensar \u00e9 no Flamengo. Quantos dos nossos jogadores est\u00e3o \u00e0 altura da hist\u00f3ria do clube?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">Os trabalhos de responsabilidade fiscal e resgate da credibilidade que v\u00eam sendo feitos s\u00e3o motivos de orgulho e merecem todos os aplausos poss\u00edveis, mas t\u00e3o ruim quanto n\u00e3o ter dinheiro \u00e9 gastar mal o pouco dinheiro que se tem. Onde est\u00e1vamos quando algu\u00e9m foi l\u00e1 e levou Lucas Lima para o Santos? Ser\u00e1 que negocia\u00e7\u00f5es mais bem engendradas n\u00e3o teriam sido capazes de trazer o J\u00e1dson? A f\u00f3rmula \u2013 seja qual tenha sido \u2013 que o Palmeiras usou para repatriar Clayton Xavier \u00e9 exclusiva e secreta? E por que essa obsess\u00e3o por Montillo, como se apenas ele resolvesse e s\u00f3 ele interessasse? Est\u00e1 me parecendo que n\u00e3o nos recuperamos do trauma causado por aquele gol de cobertura que ele fez em cima da gente, nas quartas de final da Libertadores de 2010. Qual\u00e9, Murtinho, vai dizer que n\u00e3o quer o Montillo? Quero sim, ainda mais perto do que h\u00e1 l\u00e1 na G\u00e1vea, mas, justamente por isso, tenho certeza de que ele n\u00e3o h\u00e1 de ser o \u00fanico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista piau\u00ed traz um estupendo artigo do escritor americano Walter Kirn, sobre um impostor que se dizia ser Clark Rockefeller. Abrangente e muito bem constru\u00eddo, em determinado momento o texto se refere ao div\u00f3rcio do pr\u00f3prio autor, e vem com uma p\u00e9rola: \u201cO que era sentimento se transformou em estat\u00edstica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-bottom:24px;\">O trabalho realizado com disciplina e m\u00e9todo pela diretoria do Flamengo \u00e9 admir\u00e1vel. Todos reconhecemos a import\u00e2ncia do controle dos n\u00fameros e nos orgulhamos da arruma\u00e7\u00e3o da casa. Mas, e o sentimento, onde \u00e9 que fica? E para que ele sobreviva, \u00e9 fundamental compreender que a bola precisa entrar.<\/p>\n<div class='button-row'>\n\t<a href='http:\/\/republicapazeamor.com.br\/site\/jorge-murtinho\/' class='button small-button \n\t\t\t \n\t\t\trounded-corners \n\t\t\torange-button text-uppercase' style=\"color: #ffffff; background-color: #000000; box-shadow: 0 0 0 3px #991b1b inset;\">\n\t\t\t\tSobre Jorge Murtinho\t<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando terminou a partida contra o Nova Igua\u00e7u, Alecsandro disse que, mesmo se aquele jogo tivesse quarenta minutos a mais, a bola n\u00e3o entraria. 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